Colibacilose aviária: desafio constante

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Colibacilose aviária: a doença que ainda causa prejuízos econômicos na avicultura.

O crescente aumento no consumo per capta de carne de frango e ovos, ocasiona uma maior pressão aos meios produtivos em aumentar a produtividade e eficiência nos sistemas de criação, em contrapartida, há uma demanda global intensa na redução de antibióticos como promotores de crescimento e medidas de biossegurança mais eficazes para o controle de patógenos. Por se tratar de uma atividade em escala industrial, ou seja, as criações de aves estão confinadas em galpões com alta densidade e eficiência produtiva, os cuidados com a prevenção de doenças e as medidas de biosseguridade para controlar devem ser redobrados, pois qualquer patógeno indesejado pode causar mortalidade do lote inteiro.

Diversas bactérias, como a Escherichia coli, são componentes da microbiota intestinal de animais e seres humanos, localizadas no ceco e colón. Essas bactérias possuem estirpes com características distintas de virulência, classificadas em patotipos diarreiogênicos e extraintestinais (Croxen e Finlay, 2010). Assim, estirpes patogênicas apresentam-se nocivas à saúde humana ou animal. Cepas de E. coli patogênicas para as aves são denominadas APEC (do inglês, Avian Pathogenic E. coli) e estão associadas a Colibacilose Aviária.

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A Colibacilose é considerada como uma doença secular, mas que continua causando prejuízos econômicos para avicultura. Dentre os vários patógenos de importância nas aves, a Escherichia coli é uma das principais causadoras de infecções, podendo atuar como agente primário ou secundário. Além de ser uma das principais causas infecciosas de condenação total de carcaça em frangos de corte.

O trato respiratório superior é a principal porta de entrada do agente da colibacilose. As fímbrias vão aderindo as células ciliadas do epitélio da traqueia e faringe, ocorrendo a multiplicação nestes tecidos (posteriormente); cai na corrente sanguínea (coliseptcemia), disseminando e causando lesões nos sacos aéreos e outros tecidos, como: fígado, coração, pulmão, provocando patogenias, como: doenças crônicas respiratórias, onfalite, salpingite, septicemia, peritonites, síndrome da cabeça inchada, enterites, celulites, pneumonia, pleuropneumonia, onfalite, sinovite e artrite. Além disso, a colibacilose pode estar associada a outras enfermidades, como: micoplasmose, bronquite infecciosa e aspergilose.

A manifestação dos sinais clínicos e a intensidade da colibacilose pode variar, a refletindo diretamente no desempenho do lote, com: redução do ganho de peso, piora na conversão alimentar e a morte. A disseminação pode ocorrer através das secreções de aves contaminadas, por intermédio do contato com outras aves ou ingestão de água e ração contaminadas. As cepas permanecem no ambiente por longos períodos e os roedores podem atuar como transmissores, assim como moscas e ácaros (vetores), não podemos esquecer do cascudinho (Alphitobios diaperinus), que são considerados uma grande fonte de infecção e estão amplamente dispersos em praticamente todas as criações comerciais de frangos de corte do Brasil.

Os fatores ambientais são determinantes para predisposição dessa enfermidade, como: qualidade do ar (altas concentrações de amônia, ineficiência na renovação de ar, utilização de lenhas de baixa qualidade), pouco tempo de aquecimento, umidade da cama, altas densidades, desinfecção malfeita. A defesa do hospedeiro (neste caso, a ave) é relativamente ineficiente nessas condições, o que impede o sistema imune de responder contra o agente infeccioso (E. coli).

Para a confirmar o diagnóstico da colibacilose, realiza-se o isolamento e identificação de amostras de E. coli, já que algumas bactérias podem causar lesões parecidas. A determinação da patogenicidade pode ser realizada pela inoculação em pintinhos de 1 dia. Mas, os fatores de virulência de maior correlação com a patogenicidade são o sorogrupo e a resistência sérica (FERREIRA e KNOBL, 2009).

O uso de antibióticos e quimioterápicos no tratamento da colibacilose é uma das formas de reduzir o impacto dessa doença. De acordo com vários estudos, muitas linhagens bacterianas têm se mostrado altamente resistentes às drogas utilizadas. Diversas amostras de E. coli, de origem aviária, apresentam diferentes perfis de resistência múltipla às drogas antimicrobianas. A sensibilidade antimicrobiana varia muito, dependendo das condições ambientais locais, o que dificulta a escolha do antimicrobiano a ser utilizado. A utilização de antibiograma é uma ferramenta importante para escolha do medicamento.

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O uso indiscriminado de antibióticos pode aumentar o número de genes resistentes desenvolvidos pela E. coli, podendo ser compartilhados com outras bactérias, dificultando o controle dentro das granjas.

A restrição ao uso de antibióticos na produção de carnes é uma das medidas para diminuir a taxa de resistência bacteriana, além da crescente procura dos consumidores por proteína animal sem uso de medicamentos, sendo uma grande tendência mundial. Assim, algumas empresas estão criando programas de controle e restrição ao uso de antibiótico na criação de seus animais para o consumo humano.

Outras medidas que podem ser utilizadas com o objetivo de diminuir o uso de antibióticos. Atualmente, as principais alternativas são os probióticos e/ou prebióticos e óleos essenciais; ambos atuam no equilíbrio e reestruturação da microflora intestinal do animal. Os Prebióticos são os alimentos das bactérias ou cepas fúngicas benéficas do intestino e  e são não digeríveis ao hospedeiro; atuam estimulando o crescimento e ação de bactérias benéficas que competem com as bactérias patogênicas no intestino , enquanto os probióticos são microrganismos vivos, cuja ingestão melhora o equilíbrio microbiano intestinal (bactérias, como: Baccilus, Lactobacillus e fungos como leveduras Saccharomyces). As bactérias e leveduras benéficas utilizadas nos probióticos competem com patógenos e estimulam o sistema imune do hospedeiro (APATA, 2012).

A prevenção e controle da colibacilose é o melhor caminho, pois a maioria das infecções causadas pela E. coli ocorre devido a falhas no sistema de produção. O controle da qualidade microbiológica das rações é muito importante devido às exigências de restrições quanto ao uso de antibióticos e promotores de crescimento. A elaboração de BPFs, tratamento térmico, aquisição de ingredientes de qualidade e local de armazenagem adequado, são  pontos-chave para o sucesso no controle de microrganismos dentro de uma fábrica de ração.

Tanto o planejamento, quanto a manutenção do ambiente são ferramentas determinantes para assegurar a saúde das aves. O conhecimento sobre bem-estar, aliado à biossegurança da produção, podem garantir a maximização dos resultados e reduzir perdas desnecessárias ocasionadas por bactérias ou outros agentes patogênicos.

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Referências Bibliográficas

APATA, DF; et al. O surgimento da resistência a antibióticos e a utilização de probióticos na produção de aves. Science Journal of Microbiology, V.2012, 2012.

CROXEN, MA; FINLAY, BB Mecanismos moleculares da patogenicidade de Escherichia coli. Nature Reviews Microbiology, v.8, p.26-38, 2010. DOI: 10.1038 / nrmicro2265.

FERREIRA, A. J. P.; KNOBL, T. Colibacilose. IN: JUNIOR, A. B.; SILVA, E. N.; FÁBIO, J. D.; SESTI, L. ZUANAZE, M. A. Doença das aves. 2 ed. Campinas: Fundação APINCO. p.457-471, 2009.

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