É possível reduzir o farelo de soja na dieta de suínos?

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A soja in natura não é utilizada nas rações de suínos devido à presença de fatores antinutricionais presentes em sua composição, os quais limitam o desempenho dos animais. Entretanto, o processamento pelo calor permite a destruição da maioria das moléculas inibidoras da digestão, uma prática que permitiu o uso do ingrediente na nutrição animal. Com isso, os suínos e aves consomem cerca de 70% da produção mundial de farelo de soja.

O principal mecanismo para redução da utilização de farelo de soja das dietas é através da diminuição da proteína bruta dietética, com a suplementação dos aminoácidos industriais, de modo que, as relações entre os aminoácidos considerados essenciais sejam mantidas no conceito da proteína ideal. Nesse caso, os aminoácidos industriais, como: lisina, treonina, metionina, triptofano e valina, tornam-se alternativas para flexibilização do custo das rações para a produção de suínos. A redução dos níveis de proteína da dieta, com a suplementação dos principais aminoácidos, pode ser economicamente viável, sobretudo, quando há constante valorização de ingredientes proteicos.

Além dos benefícios diretos sobre a redução de farelo de soja do ponto de vista econômico, ao diminuir a proteína dietética, preservando-se a relação entre os principais aminoácidos, reduzem-se as perdas fecais e urinárias de nitrogênio, diminuindo os impactos negativos dos dejetos no meio ambiente.

Na literatura, foi demonstrado que a redução da proteína bruta de 2% a 4% da dieta recomendadas pelo NRC (1998) e a suplementação com aminoácidos industriais aumentam a utilização de nitrogênio, reduzem os custos de alimentação e a excreção de nitrogênio e promovem a saúde intestinal sem prejudicar o desempenho dos suínos (Kerr et al., 2003; Nyachoti et al., 2006; Fan et al., 2017).

Entretanto, estudo realizado por Rochell et al. (2015), demonstra que animais recebendo maior quantidade de farelo de soja na dieta, em situações de desafio sanitário (Síndrome Respiratória e Reprodutiva dos Suínos), apresentam melhor desempenho, se comparado ao grupo desafiado, alimentado com dietas com baixa inclusão de soja. Essa diferença não foi observada em animais sem desafio sanitário.

No atual cenário de limitação da oferta de aminoácidos, a redução da PB da dieta se torna um grande limitante, e a redução da inclusão de farelo de soja pode ser possível através da utilização de produtos proteicos alternativos, como: farinha de sangue, farinha de vísceras, farinha de carne, farinha de peixe, glúten de milho, DDGS e farelo de algodão. Entretanto, alguns fatores limitantes ao uso de subprodutos devem ser observados, como limitação de uso em algumas fases de produção, níveis máximos de utilização e o próprio custo do subproduto. É muito importante o acompanhamento de um consultor técnico e um nutricionista para o sucesso dessa utilização.

Outra alternativa para reduzir a inclusão de farelo de soja das dietas é através da utilização de protease. As proteases são enzimas que quebram moléculas de proteína em formas mais simples para serem absorvidas no intestino. Elas também podem atuar sobre fatores antinutricionais proteicos, neutralizando seus efeitos prejudiciais ao desempenho dos animais.

As enzimas proteases têm demonstrado – nos estudos científicos – melhoria da digestibilidade proteica em suínos (Mc Alpine, et al., 2012; O’Shea, et al., 2014; Zuo, et al., 2016). No entanto, os resultados para desempenho ainda são conflitantes, nos quais alguns se mostram benéficos (Zuo, et al., 2016) e outros não (O’Shea et al., 2014), quanto a utilização desta enzima. Com isso, ao iniciar sua utilização deve haver acompanhamento do desempenho na granja e, principalmente, do seu custo-benefício. Sua viabilidade está diretamente relacionada ao preço das matérias-primas proteicas da dieta.

Com isso, existem três possibilidades de redução do uso de farelo de soja nas dietas de suínos: a utilização do conceito de proteína ideal; a utilização de matérias-primas alternativas e a utilização de enzimas proteases. Em cada região e realidade de produção, deve ser avaliado em conjunto com o técnico e o nutricionista a alternativa que ofereça o melhor custo-benefício.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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