Canibalismo de cauda: fatores associados a ele na suinocultura

Fatores associados ao canibalismo de cauda na suinocultura

Canibalismo de cauda: fatores associados a ele na suinocultura

Um dos principais problemas de comportamento animal, na suinocultura moderna, é o canibalismo de cauda. Esse distúrbio prejudica o bem-estar dos animais, pode provocar sérios problemas de saúde no rebanho, além de proporcionar graves perdas econômicas para o produtor.

Apesar do canibalismo de cauda ser reconhecido como um problema frequente na suinocultura, sua ocorrência é pouco compreendida. Várias hipóteses foram criadas para explicar esse comportamento, entretanto, apenas duas conclusões foram obtidas através dos trabalhos científicos: 1º, o canibalismo de cauda é um problema esporádico e; 2º é de origem multifatorial. Para entender mais essas conclusões, basta observarmos que a ocorrência do canibalismo nas granjas se concentra apenas em alguns lotes de animais ou até mesmo em algumas baias, nunca observamos sua ocorrência em toda a granja.

Com isso, o objetivo dessa discussão é apresentar os principais fatores associados ao canibalismo de cauda na suinocultura, para determinar as melhores estratégias para prevenir e controlar sua ocorrência.


Fatores associados ao canibalismo

As pesquisas realizadas apontam algumas causas como mais predisponentes à ocorrência do canibalismo nas granjas, sendo que os principais fatores associados ao canibalismo estão descritos na tabela a seguir.

Tabela 1: Fatores de risco associado à ocorrência de canibalismo nas granjas de suínos

Fatores de risco

Características

Sexo

Machos inteiros e fêmeas manifestam mais canibalismo que machos castrados. Esse comportamento está relacionado ao interesse sexual e curiosidade pelos órgãos genitais. (Schrøder-Petersen,

2005).

Lotação das baias

Alta densidade de animais, reduzindo sua área disponível em m2, aumenta a incidência de canibalismo. (Scollo et al., 2016)

Idade e peso

Probabilidade de incidência de canibalismo aumenta com a idade dos animais. Leitões desmamados mais leves tendem a apresentar maior incidência de canibalismo. (Beattie et al., 2005).

Piso

Piso compacto em associação com palha ou maravalha tende a diminuir o canibalismo. (EFSA. 2007; Hunter et al., 2001).

Qualidade dos ingredientes da dieta

Qualidade dos ingredientes da ração, e restrição alimentar podem aumentar incidência de canibalismo. (Stafford,

2010).

Qualidade da mistura da dieta

Garantir a qualidade da mistura da dieta (coeficiente de variação), garante que os nutrientes estejam disponíveis de acordo com a necessidade dos animais. Animais com restrição nutricional tendem a apresentar maior incidência de canibalismo.

Saúde do rebanho

Problemas respiratórios aumentam em 1,6 vezes a chance de ocorrer canibalismo. (Moinard et al., 2003)

Qualidade do ar

Altos níveis de amônia (>10ppm) aumentam a incidência de canibalismo. (Scollo et al., 2016)

Fonte: Adaptado de Sonoda et al., 2013.

 

Perdas econômicas

Um trabalho foi conduzido por SINISALO et al. (2012), através da observação de desempenho de 3190 suínos. Foram avaliados o ganho de peso médio diário (GPD), conversão alimentar (CA) e a % de carne de animais acometidos ou não pelo canibalismo de cauda.

Ao todo, 11,4% dos suínos foram identificados como vítimas do canibalismo de cauda (364 animais). As não vítimas tiveram um GPD maior do que as vítimas (diferença de 33,4 g/d nas médias observadas, mas diferença de 10,8 g/d quando ajustada com índice genético). Entretanto, não foram observadas diferenças significativas entre CA das vítimas e não vítimas, e na % de carne.

Na tabela a seguir, realizaremos uma simulação, comparando o peso final dos animais com a diferença de GPD apresentada no trabalho, para entender o impacto econômico em uma granja de 1000 matrizes.

Vítimas de canibalismo

Não vítimas de canibalismo

Peso início do experimento

34 kg

34 kg

GPD

948 gramas

937 gramas

Peso final do experimento

124,06 kg

123,01 kg

 

Como podemos observar, a diferença de peso nos animais acometidos pelo canibalismo foi de 1,05 kg até a sua venda. Isso equivale à redução de 3.192 kg de carne em uma granja de 1000 matrizes, por ano, se considerarmos 11,4% de animais acometidos.

Desta forma, a perda econômica apenas pela redução do GPD é pequena, entretanto se o canibalismo gerar uma alta mortalidade dos animais, pode proporcionar grande impacto econômico no sistema produtivo. Além disso, o aumento no gasto com medicamentos e condenações de carcaça no frigorifico podem gerar aumento nas perdas financeiras.

 canibalismo de cauda

Estratégias para controle

A melhor estratégia a ser adotada na granja é a prevenção do início do canibalismo, observando os pontos associados à sua ocorrência na granja. Entretanto, caso ocorra o canibalismo, alguns passos devem ser seguidos para evitar o aumento no número de ocorrências. São eles:

  • Separação dos animais acometidos pelo canibalismo. O sangue na ferida proporciona interesse pelos animais, fazendo com que a ocorrência aumente. Essa separação facilita a medicação do animal e o uso de pomadas cicatrizantes na ferida;
  • Separação dos animais que estão praticando o canibalismo;
  • Oferecer brinquedos nas baias, como: correntes, pedaços de madeira, cordas, pedras de sal ou cocho acessório de ração. A presença destes materiais faz com que os animais deixem de prestar atenção em seus companheiros de baia;
  • Melhorar a ventilação do galpão;
  • Aumentar a área por animal nas baias onde estão ocorrendo o canibalismo;
  • Colocar maravalha ou palha na baia, caso ela seja compacta.

 

Considerações finais

O canibalismo não possui etiologia definida, portanto prevenir sua ocorrência é a melhor estratégia. Sua prevenção é realizada garantindo as condições ambientais, manejo adequado, qualidade de nutrientes e de mistura das dietas, assegurando com isso, o bem-estar necessário para o crescimento dos suínos, o que vai repercutir – além da prevenção do canibalismo – em um melhor desempenho dos animais.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Hebert Silveira

Hebert Silveira

Hebert Silveira é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

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