Importância das vitaminas lipossolúveis na nutrição das matrizes pesadas de frango de corte

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As vitaminas são micronutrientes importantes no desempenho zootécnico das matrizes pesadas de frango de corte. As vitaminas são classificadas e se dividem em 2 grupos: Lipossolúveis e Hidrossolúveis. Essa classificação baseia-se na necessidade ou ausência de lipídeos para a absorção das vitaminas no sistema digestivo. A absorção do primeiro grupo, vitaminas lipossolúveis, necessita da presença de lipídeos ou gordura. Por outro lado, a absorção das vitaminas hidrossolúveis é independente da presença de gorduras no trato digestivo. As vitaminas possuem importante participação no sistema imunológico das aves e metabolismo de alguns nutrientes. Em matrizes pesadas, a presença de vitaminas na gema dos ovos produzidos possui uma correlação alta com o nível dessas vitaminas na dieta das galinhas. A presença dessas vitaminas na gema do ovo fértil é fator essencial para o desenvolvimento embrionário adequado e obtenção de bom desempenho do pintinho no campo. A seguir destacaremos pontos relevantes das vitaminas lipossolúveis na produção de ovos e pintos de 1 dia.


Vitamina A (retinol)

A vitamina A é encontrada, apenas, em produtos de origem animal. As plantas possuem Beta caroteno (pro-vitamina A) que é convertido em vitamina A no fígado das aves e animais. As aves conseguem converter 1 mg beta caroteno em 1667 UI de vitamina A. Essa vitamina é importante para a visão, manutenção dos epitélios, formação óssea e síntese de hormônios esteroides ligados à reprodução. A vitamina A é sensível à presença de calor, luz, ácidos e oxigênio, sendo rapidamente destruída. Umidade e traços de minerais nas dietas reduzem a atividade da vitamina A. Rostagno (2017) recomenda para as matrizes pesadas 11.000.000 UI por tonelada de ração.   Nos quadros de deficiências, nas aves adultas, observa-se perda do apetite (anorexia), queratinização de epitélios, redução da visão, crescimento abaixo do esperado e incoordenação motora. Nos embriões, observa-se mortalidade embrionária elevada nos primeiros 3 dias de incubação, desenvolvimento anormal do sistema circulatório, esquelético e nervos. Observa-se nesses embriões pálpebras colabadas. Na hipervitaminose, terá interação negativa na concentração de vitamina E no fígado materno e do pintinho recém-nascido.

Yan J. et al (2014) verificaram que o aumento dos níveis de vitamina de 5.000 UI / kg para 35.000 UI / kg não afetou a eclodibilidade dos ovos durante 24 semanas de tratamento. No entanto, o suplemento de vitamina A em 45.000 UI / kg diminuiu significativamente a eclodibilidade dos ovos férteis a partir da semana 24. A suplementação de vitamina A com 135.000 UI / kg diminuiu significativamente a eclodibilidade dos ovos férteis e incubados a partir da 12ª semana de tratamento (P<0,05).

Tabela 1. Efeito do aumento dos níveis de vitamina A sobre os % de ovos férteis e eclodibilidade desses ovos

Adaptada de Yan J. et al (2014)


Vitamina D (1,25 di-hidroxicolecalciferol)

O 1,25 di-hidroxicolecalciferol é responsável pela absorção de cálcio intestinal. A literatura cita que ocorre maior proteção das células intestinais na presença do 1,25 di-hidroxicolecalciferol, que melhora a imunidade local. No organismo das aves, o colecalciferol presente na dieta receberá 2 hidroxilização, sendo uma no fígado e outra no rim. A primeira hidroxilização, no fígado, resultará no metabolito (25 – hidroxicolecalciferol).   A enzima 25-(OH) – D- 1 alfa – hidrolase que aparecerá no órgão renal do embrião após 13° dia de incubação é essencial pela 2ª hidroxilização do colecalciferol que ocorrerá no rim. O metabolito resultante será o 1,25 di – hidroxicolecalciferol, sendo a forma ativa da vitamina D.  Rostagno (2017) recomenda para as matrizes pesadas 3.000.000 UI por tonelada de ração

Nas aves adultas, a deficiência do 1,25 di – hidroxicolecalciferol manifesta-se como redução do crescimento e o aparecimento, a partir da 2-3ª semana de vida, da deficiência denominada de raquitismo quando os bicos e ossos dessas se tornam maleáveis.

Nas matrizes em produção, paralelamente à redução na produção de ovos, verifica-se ovos de casca mole ou sem casca. Essa piora na qualidade da casca é fator predisponente para o aumento da contaminação dos ovos e redução do rendimento de incubação.

Nos quadros de hipovitaminose, verifica-se nas análises de resíduos de incubação um aumento no percentual de mortalidade embrionária entre 18° e 19° de incubação. De acordo com a literatura, o excesso de Vitamina D tem efeito adverso sobre a eclodibilidade dos ovos férteis.

Atualmente, no mercado, existem produtos com os metabolitos da vitamina D (1 – hidroxicolecalciferol e 1,25 di – hidroxicolecalciferol) possuem efeitos positivos sobre as características de esqueleto das aves adultas e resultados zootécnicos dos lotes de matrizes.

Torres C. et al (2008) observaram que a qualidade da casca, mensurada através da gravidade específica, melhorou com a suplementação de 25(OH)D3 para ovos de matrizes pesadas com idade de 60 semanas de idade, independentemente da dose (tabela 1).

Tabela 2. Efeito da suplementação de 25(OH)D3 nas rações de matrizes pesadas sobre a densidade da casca dos ovos

*35 e **60 microgramas de 25(OH)D3 Adaptado de Torres C. et al (2008)

 

Vitamina E (Alfa-tocoferol)

Essa vitamina, que é armazenada no fígado e tecido adiposo, é a mais susceptível dentre as vitaminas lipossolúveis à destruição pela oxidação dos lipídios(gorduras). Dentre as funções da vitamina E podemos citar efeito antitóxico no metabolismo celular, através da estabilização dos ácidos graxos polinsaturados da fração lipídica e regulação das reservas de glicogênio. Essa vitamina possui participação efetiva na formação dos anticorpos. Segundo Rostagno (2017), a recomendação de vitamina E nas rações das matrizes pesadas é 50.000 UI por tonelada.

A elevação da temperatura, umidade e presença de íons metálicos (Cu+2, Ca+2, Zn+2, Fe+2) favorecem a oxidação da vitamina E. A oxidação dos lipídeos resultará em efeito negativo sobre as matrizes pesadas em produção, como: na fertilidade, produção e qualidade interna dos ovos, principalmente quando esses são submetidos a longos períodos de armazenamento e qualidade da progênie.  A presença excessiva de radicais livres no organismo causará danos nocivos aos lipídios e proteínas celulares.

A neutralização dos efeitos deletérios da reação química da oxidação pode ser realizada por um complexo sistema de enzima de defesa, composto pelas enzimas glutationa peroxidase, catalase e superóxido dismutase e por agentes antioxidantes como ácido ascórbico e selênio (orgânico ou inorgânico), componente da enzima glutationa peroxidase. Considerando-se as informações anteriores, pode-se afirmar que a inclusão de vitaminas E e selênio na composição das rações das aves é essencial para a defesa do organismo, perante os efeitos deletérios da oxidação lipídica.

A deficiência de vitamina E na ave se manifestará de 3 maneiras: encefalomalácia, distrofia muscular e diátese exsudativa. A encefalomalácia apresenta-se entre 2-4 semanas de idade, sendo observada na sintomatologia clínica:  ataxia, curvamento de pescoço, incoordenação motora, contração e rápido relaxamento das pernas resultando em morte.

Distrofia muscular nutricional é uma patologia que pode se manifestar nas aves entre 3- 6 semanas de idade, sendo observada miopatia, devido às lesões das fibras musculares peitoral. Outro sintoma clínico associado à deficiência de vitamina E é a erosão de moela.

Na diátese exsudativa, observa-se que as aves com idade entre 3-6 semanas possuem maior predisposição para o aparecimento desse quadro clínico; quando ocorre deficiência de vitamina E. Essa patologia se manifesta através do aumento da permeabilidade dos vasos capilares, coloração azulada do peito, ascite e edema peitoral. Observa-se cianose na pele dos pés das aves, nos quadros dessa patologia. A sintomatologia clínica e as lesões encontradas nas aves afetadas são essenciais para o diagnóstico da diátese exsudativa.

Problemas de eclodibilidade dos ovos e degeneração testicular são sintomas clínicos da baixa disponibilidade de vitamina E nas matrizes pesadas produtoras de ovos férteis. A baixa eclodibilidade é uma consequência de aumentos da mortalidade embrionária inicial (2-5 dias). Nos pintos recém-nascidos, observa-se fraqueza muscular.

Independente da fonte de óleo utilizada, Murakami A.E et al (2013) observaram uma melhora linearmente no % de fertilidade dos ovos férteis de matrizes Ross, com idade entre 42 e 56 semanas, quando acrescentou, a partir das exigências de vitamina E das suas rações, níveis suplementares crescentes dessa vitamina (Gráfico 1).

Gráfico 1. Efeito dos níveis crescentes de vitamina E sobre o % fertilidade de ovos férteis

Adaptado de Murakami A.E et al (2013)

 

Vitamina K3 (Menadiona)

A filoquinona é a forma predominante da vitamina K1 nos alimentos de origem vegetal de coloração verde. Nas fontes vegetais ocorre grande variação das quantidades de vitamina K. A vitamina K2 (menaquinona) tem origem da fermentação bacteriana.  A Vitamina K3, ou sais de menadiona, é a forma sintética da vitamina K. Os sais de menadiona são solúveis em água e mais estáveis que a menadiona pura. Por isso os sais de menadiona são os mais utilizados nas rações.

A vitamina K tem importante papel no processo anti-hemorrágico do sangue. A coagulação sanguínea envolve 13 tipos de fatores, sendo a menadiona diretamente envolvida em 4 desses fatores.

O óleo de soja está entre os mais ricos em vitamina K, sendo sua concentração variando entre 200-400 µg/grama. De acordo com Rostagno 2017, a recomendação de Vitamina K3 nas rações para as matrizes pesadas é 3.000 mg/tonelada.

O ciclo da vitamina K é considerado como de recuperação dessa vitamina presente no fígado e outros órgãos. A molécula de vitamina K é oxidada quando uma molécula de glutamato (Glu) é carboxilado resultando em 2,3 – epóxi. Através da ação da enzima microssomal (epóxi redutase de vitamina K) mais uma segunda enzima, a quinona redutase de vitamina K, o 2,3 – epóxi é convertido na sua forma ativa.  A osteocalcina (proteína óssea) que possui ácido glutâmico na sua estrutura, após ser carboxilada, torna-se uma proteína de alta afinidade para o íon cálcio, sendo importante na deposição desse mineral nos ossos.  Os cumarinicos são antagonismo da vitamina K e suas ações ocorrem sobre a enzima epóxi-redutase. As micotoxinas, assim como os cumarinicos, são antagonistas da vitamina K.  A vitamina K é transferida pela galinha para a gema do ovo e dessa para o pintinho. Deficiência nutricional de vitamina K nas galinhas, geralmente, resultará em problemas na sua progênie após o 10° dia de vida. Conjuntamente ao aspecto anêmico, observa-se pontos hemorrágicos nas pernas, peito e asas dos pintos.

Fernandes J. et al (2009) utilizaram diferentes níveis de vitamina K (2,8 e 32 mg/kg) para suplementar o nível de vitamina K de uma dieta basal. Eles observaram um efeito linear no percentual de postura e efeito quadrático no teor de cinzas dos ossos. Eles concluíram que a inclusão de níveis crescentes de vitamina K na dieta basal influenciou o desempenho e a mineralização óssea (Tabela 2)

Tabela 2. Efeitos da suplementação de vitamina K sobre desempenho zootécnico e mineralização óssea

Adaptada de Fernandes J. et al (2009)

Conforme comentado neste artigo, o excesso ou falta das vitaminas lipossolúveis nas rações das matrizes pesadas terá efeito negativo sobre a produtividade ou desempenho da sua progênie.

A absorção das vitaminas lipossolúveis puras é totalmente depende da presença de lipídios na dieta e no intestino das aves, no entanto tecnologias atuais têm reduzido essa dependência através da associação das vitaminas lipossolúveis aos sais, tornando essa associação solúvel em água, como os sais de Menadiona (2-metil-1,4Naftoquinona). Isso é um facilitador para a absorção intestinal das vitaminas lipossolúveis complexadas para atender as necessidades das aves de corte.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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