Manejo alimentar de matrizes na fase de lactação

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É comum o surgimento de recomendações conflitantes no meio científico quando o assunto é manejo alimentar de matrizes suínas na maternidade. Isso se deve ao fato de que o número de trabalhos científicos desenvolvidos para as fases de reposição, gestação e maternidade, representam apenas uma pequena fração dos estudos na nutrição de suínos, mostrando que ainda há muito espaço para explorar nestas categorias, pois, historicamente, o foco principal são as fases de creche, recria e terminação. Essas constantes atualizações geram nos técnicos e produtores a necessidade de se manterem sempre informados sobre o que há de novo em recomendações para estas categorias, todavia focaremos na maternidade.

Além de saber sobre as particularidades relacionadas à linhagem das matrizes, temos diferentes desafios na maternidade: é importante a busca pela redução do catabolismo das matrizes, garantindo que, ao final da lactação, elas não tenham perdido mais do que 10% do peso que estavam durante a lactação, logo após o parto; ainda, devemos considerar que temos diferentes indivíduos  dentro do mesmo ambiente, e isso não se restringe apenas nas diferenças, sobretudo de ambiente, que deve-se respeitar para garantir o conforto térmico de matrizes e leitegada, mas também as diferenças entre as matrizes primíparas e multíparas.

Primíparas tendem a consumir menos ração, em comparação às multíparas. Segundo NRC (2012), no primeiro parto a matriz suína tende a consumir 10% menos que a matrizes de segundo ou mais partos. Essa diferença é potencializada negativamente quando consideramos que primíparas, além da demanda para a produção de leite, ainda estão em processo de crescimento e, caso não consumam adequadamente, para atender sua exigência nutricional de mantença e crescimento, terão prejuízos nos próximos ciclos reprodutivos, podendo levar ao descarte precoce.

Considerando que as primíparas consomem menos ração, podemos pensar sobre a importância em fornecer uma dieta direcionada para esta categoria, com níveis de lisina e energia adequados para atender sua exigência. Além disso, buscar, com o manejo adequado, estimular estas fêmeas para que consumam ração e água, suficientes para atender suas demandas.

A atenção para o manejo não deve ser menos importante para as matrizes multíparas, pois mesmo que elas estejam biologicamente mais “maduras”, consumos inadequados prejudicam os ciclos reprodutivos subsequentes. Pensando nisso, Bettio et al., 2015, avaliaram os impactos da restrição alimentar de matrizes durante 28 dias de lactação e suas influências na próxima lactação. A restrição alimentar aumentou o catabolismo das matrizes, piorando perdas corporais, como podemos observar na tabela 1.

Tabela 1. Impacto da restrição alimentar no desempenho de matrizes, por 28 dias de lactação subsequente

Parâmetros

Controle

Restrito

Significância

N° de matrizes

20

20

Peso corporal da matriz, kg

Parto

229

217

Desmame

221

189

*

Perda de peso

7,8

28,2

***

Peso médio leitegada, kg

Nascimento

20.5

21

Desmame

95.31

88.56

*

GPD leitegada, kg/dia

2.7

2.43

*

Produção de leite, kg/dia

8.33

6.99

**

*** P<0,001; ** P<0,01; * P<0,05. Controle: Consumo de 6,43 kg/dia (63g lis/dia); Restrito: Consumo de 4,14 kg/dia (40,6g lis/dia). Fonte: Adaptado de Bettio et al., 2015

Ao mesmo tempo em que ocorrem os prejuízos corporais, a restrição alimentar diminuiu a produção de leite em 16% e, consequentemente, na leitegada, houve piora de 7% no ganho de peso, com a possibilidade, ainda, em reduzir o número de nascidos vivos no próximo ciclo reprodutivo (Bettio et al., 2015). Dessa forma, podemos entender a importância de fornecimento do volume adequado da ração, porém a disponibilidade não é garantia de bom consumo, pois o estímulo das matrizes deve fazer parte da rotina na maternidade.

Os estímulos podem ser oferecidos de diferentes formas: características da ração; algum som emitido, geralmente, por alimentadores automáticos; levantando as matrizes; o ambiente, etc. O conforto térmico exerce forte influência no estímulo ao consumo, além de alterações fisiológicas para manter a homeostase, que tem efeito sobre o desempenho das matrizes e suas leitegadas. Uma variação de 22°C para 32°C representa uma redução de cerca de 28% no consumo voluntário de ração; 26% menos leite produzido e; leitões 13% mais leves ao desmame (Ribeiro et al., 2018).

Garantido o conforto térmico, o fracionamento do fornecimento da ração é mais uma estratégia relativamente simples e eficiente no estímulo do consumo de água e ração. A diferença em se aumentar um fornecimento, ao dia, já pode demonstrar diferença no consumo desde à primeira semana de lactação (Poulopoulou et al., 2018), conforme apresentado na figura 1.

Figura 1. Curva de alimentação média por semeie por dia duas e três vezes grupos alimentados diariamente durante o período de lactação. Fonte: adaptado de Poulopoulou et al., 2018

A estratégia de aumentar a frequência do fornecimento de ração pode contribuir para que as matrizes tenham uma melhora na produção de leite, desmame uma leitegada mais pesada e cheguem ao final da lactação com o escore adequado, principalmente as primíparas.

Para entender quais estratégias podem melhorar o desempenho das matrizes e da leitegada é necessária uma visão crítica para dentro da granja, além de estar sempre em contato com os técnicos que fornecem a genética e a nutrição. É indispensável saber que primíparas e multíparas têm algumas necessidades distintas, e entender que aquilo que se faz hoje na maternidade irá interferir significativamente nos próximos ciclos reprodutivos, sendo que essa interferência poder ser benéfica ou não para o desempenho dos animais.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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