Pontos-chave para a e escolha de um adsorvente de micotoxinas

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É de amplo conhecimento que os grãos, se não forem bem armazenados, são muito susceptíveis à contaminação por fungos e, consequentemente, por micotoxinas. A contaminação pode ocorrer antes do armazenamento ou ainda no plantio. Assim, todas as medidas que venham a controlar o crescimento fúngico são de extrema importância para evitar perdas no desempenho dos animais de produção.

A partir do momento que o ingrediente – ou a ração – estiverem contaminados pelas micotoxinas, seu consumo deve ser evitado, seja para alimentação humana ou animal. Nesse ponto, existem duas alternativas: fazer a descontaminação (destoxificação) ou utilizar os adsorventes de micotoxinas na ração.

Se a opção for a descontaminação da ração ou ingrediente, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) determinou critérios desse processo de descontaminação:

  • Inativar, destruir ou eliminar a toxina;
  • Destruir todos os esporos e micélios de fungos, evitando uma nova proliferação quando as condições do meio forem favoráveis novamente;
  • Manter o valor nutritivo e as propriedades nutricionais dos ingredientes, mantendo a aceitação deste;
  • Não produzir resíduos tóxicos ou carcinogênicos nos produtos acabados ou alimentos produzidos por animais que se alimentaram de uma ração detoxificada, por exemplo: ovos, leite, etc.

O processo de descontaminação é bastante caro, assim, uma opção mais barata é o uso de adsorventes. Os adsorventes atuarão na molécula da micotoxina, tornando-a indisponível para a absorção pelo organismo, minimizando os efeitos prejudiciais ao desempenho das aves.

A tomada de decisão de escolha do adsorvente deve levar em consideração os testes realizados in vivo e in vitro. Os testes in vitro baseiam-se nas simulações em que o adsorvente estará exposto no organismo da ave, sendo aceitáveis valores de adsorção mínima de 90% no suco gástrico (pH 3) e no intestino (pH 6). Os testes in vivo avaliam o efeito na performance das aves, comparando, principalmente, as dosagens dos adsorventes com os grupos controles.

O produto só pode ser registrado no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) após os testes realizados in vivo. O registro só é mantido após serem apresentados ao ministério, anualmente, os laudos dos testes in vitro.

A estrutura química do adsorvente e da micotoxina são fatores determinantes para a maior ou menor eficiência de adsorção. Algumas características são desejadas para um adsorvente de micotoxinas, dentre as quais podemos destacar:

  • Apresentar eficiência, mesmo em baixas inclusões;
  • Adsorção seletiva para micotoxinas somente, não interagindo com outros ingredientes da ração;
  • Possuir fluidez adequada para a mistura na ração;
  • Apresentar estabilidade durante o processamento e armazenamento das rações;
  • Atuar de forma efetiva na adsorção em diferentes pH;
  • Possuir grande superfície específica. Quanto maior em superfície, mais eficaz será a adsorção das micotoxinas.

Atualmente, existem no mercado diversas opções de adsorventes de micotoxinas. As opções vão desde produtos à base de rochas vulcânicas até ao uso de enzimas. Entretanto, mesmo entre os adsorventes de composição similar existem diferenças muito grandes na eficiência de adsorção das micotoxinas. Por isso, é necessário conhecer muito bem os produtos ofertados, para evitar o gasto com um ingrediente ineficiente e com as perdas no desempenho que as micotoxinas provocarão, consequentemente.

Dentre as opções de mercado, os aluminossilicatos e argilas compõem a estrutura dos principais adsorventes considerados inorgânicos e são as opções disponíveis consideradas mais baratas. As zeolitas e os aluminossilicatos de cálcio e sódio hidratados (HSCAS) são exemplos que compõem adsorventes disponíveis no mercado. A grande maioria dos aluminossilicatos são efetivos com micotoxinas polares, como as aflatoxinas e as fumonisinas.

É nessa polaridade que se baseia o principal modo de ação dos adsorventes minerais, ou seja, a troca de cargas entre o agente sequestrante e a molécula da micotoxina. Essa ligação se deve a interações de Van der Waals e hidrogênio. Essa capacidade de ligação entre o adsorvente e a molécula de micotoxina também é conhecida como Capacidade de Troca Catiônica (CTC).

O nível de inclusão do adsorvente mineral vai ocorrer em função da capacidade de ligação do adsorvente. Quanto maior a capacidade de ligação, menor pode ser a inclusão desse adsorvente na ração. Por outro lado, adsorventes com alta capacidade de ligação podem se complexar com alguns nutrientes, tornando-os indisponíveis para a ave.

Os adsorventes compostos por parede celular de levedura e glucanas esterificadas (glucomananas) são considerados adsorventes orgânicos, extraídos de leveduras (Saccharomyces cerevisae) que possuem uma considerável efetividade de adsorção de micotoxinas apolares, como a zearalenona. Essa capacidade de adsorção estaria relacionada a pontes de hidrogênio entre a micotoxina e as glucanas. Podem existir diferenças consideráveis entre as cepas de levedura quanto a capacidade de adsorção. Esse ponto está fortemente correlacionado com o conteúdo de beta-D-glucan insolúvel.

No mercado, podemos encontrar adsorventes que possuem em sua composição a farinha micronizada de algas. O objetivo do uso deste ingrediente é pela alta área de superfície e alta capacidade de troca catiônica. Com foco adsorvente, é uma boa alternativa, embora o seu custo muitas vezes possa inviabilizar o uso.

Compondo a mais recente linha de atuação contra as micotoxinas, estão disponíveis no mercado adsorventes de ação enzimática. Essas enzimas específicas atuam transformando as micotoxinas em moléculas atóxicas. Essas enzimas devem possuir a característica de não interagir com os demais ingredientes da ração, como: vitaminas, minerais, anticoccidianos dentre outros, e ainda devem ser resistentes a processos térmicos, como a peletização, por exemplo. Ainda trabalhando na linha de biotransformação das moléculas das micotoxinas em substâncias atóxicas, também são utilizados microrganismos, como bactérias, por exemplo. Os primeiros estudos utilizando uma estirpe bacteriana para degradar aflatoxinas tem suas origens na década de 1960.

Outro produto que tem sido utilizado é o carvão ativado, que atua na proteção da mucosa epitelial e possui propriedades de adsorção de toxinas fúngicas, melhorando a saúde intestinal.

Adsorventes que possuem – em sua composição – elementos com efeito protetor hepático também estão disponíveis no mercado. Embora esses elementos não apresentem efeito sobre a inativação ou adsorção das micotoxinas o uso dessas substâncias possui efeito positivo ao minimizar os efeitos deletérios ao fígado, uma vez que esse órgão é bastante afetado pela micotoxicose. Podemos exemplificar diversas substâncias, como: metionina, betaína e extratos vegetais.

Dentre esses extratos vegetais podemos citar a silimarina, que é extraída da planta Cardo Mariano (Silybum marianum). Alguns produtos como nucleotídeos também possuem efeito de protetor hepático pelo efeito regenerativo celular. O ideal seria podermos conjugar o uso de um protetor hepático com um regenerador hepático, formando assim um amplo espectro de atuação.

Em caso de suspeita de contaminação por micotoxinas, os passos a seguir devem ser seguidos de forma individual ou conjunta:

  • Suspender o uso do ingrediente ou ração contaminada;
  • Enviar amostras representativas para análises;
  • Avaliar a campo as lesões observadas;
  • Caso não utilize, adicione adsorventes nas rações. Com destaque para as rações destinadas a animais mais novos;
  • Rever e discutir os fornecedores e os processos de armazenamento de matérias-primas.

Assim, a escolha do adsorvente de micotoxina não deve ser interpretada como uma decisão simples, baseada apenas no preço ou no impacto por tonelada de ração tratada. Deve-se conhecer a fundo sua composição, avaliando, sobretudo, se o que está no produto estará em concentração funcional ideal na ração, em virtude da inclusão do adsorvente na ração.

O trabalho deve começar antes mesmo da inclusão do adsorvente nas rações, monitorando fornecedores, avaliando carga a carga a qualidade dos grãos, sempre em conformidade com os programas de controle de micotoxinas e padrões de recebimento previamente definidos.

Por outro lado, o trabalho continua também após a definição e compra do adsorvente, avaliando o efeito deste a campo. Essa avaliação deve se basear no desempenho das aves e nas lesões características das micotoxinas que podem ser observadas nas necrópsias realizadas pelos técnicos a campo.

Dessa forma, citamos neste artigo diversos pontos a serem observados, principalmente o conhecimento profundo da composição do adsorvente e, sobretudo, qual micotoxina deve ser controlada para o direcionamento da compra do adsorvente mais eficiente.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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