Qualidade de água na suinocultura: sabemos avaliar esse nutriente?

0
289
image_pdfimage_print

Depois de abordarmos a importância da água para cada fase dos suínos, partimos para os detalhes sobre a qualidade desse nutriente e os cuidados necessários que o suinocultor deve ter ao longo da produção. A água pode ser considerada um dos nutrientes mais importante para todos os seres vivos. Na maioria das vezes, esquecemos o papel dela como nutriente para os animais e, com isso, sua qualidade e características deixam de ser debatidas na suinocultura. Esse nutriente é necessário – em grande quantidade – aos suínos, sendo responsável por um grande número de funções que dão suporte à vida e, consequentemente, ao seu crescimento, como:

  • Principal componente do corpo, sendo o meio no qual ocorrem reações metabólicas;
  • Importante para transporte de nutrientes – internamente – entre células no organismo animal;
  • Responsável pela eliminação de metabolitos indesejáveis no organismo;
  • Regulação da temperatura corporal;
  • Lubrificação de articulações (líquido sinovial) e proteção do sistema nervoso central (fluido cerebrospinal);

Dessa forma, a água está intimamente ligada ao desempenho zootécnico dos animais, sendo que sua qualidade está associada às funções metabólicas normais e à segurança alimentar.  Nós tópicos a seguir discutiremos as principais características e cuidados necessárias para garantir a qualidade desse nutriente.


Qualidade da água:

O Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, determinou, através da Resolução n° – 357, de 17 de março de 2005 (Clique aqui para acessar a resolução completa), a qualidade que as águas superficiais devem possuir para serem fornecidas aos animais. De acordo com esta resolução, essas águas devem atender os padrões estipulados para a Classe 3. Na Tabela 1, apresenta-se um resumo dos principais parâmetros físico-químicos e seus níveis permitidos.

Tabela 1: Classificação quanto aos parâmetros de qualidade para água de consumo para suínos

Parâmetros

Unidade

Concentração

Cloreto total

mg/L

200-250

Cobre dissolvido

mg/L

0,013-5,0

Coliformes termotolerantes1

<1.000/100mL

DBO2

mg/L

10,0

Ferro dissolvido

mg/L

5,0

Fósforo total

mg/L

0,15

Manganês total

mg/L

0,5

Nitrato

mg/L

<10,0

Nitrito

mg/L

<100,0

Oxigênio dissolvido

mg/L

>4,0

pH

6,5-8,5

Sulfato total

mg/L

250,0

Sólidos dissolvidos totais

mg/L

<1.000

Turbidez3

UNT

100,0

Zinco total

mg/L

5,0

Cálcio

mg/L

1,0

Alumínio

mg/L

5,0

Cromo

mg/L

1,0

Fluoreto

mg/L

2,03

Chumbo

mg/L

0,1

Selênio

mg/L

0,05

1Este número não deverá ser excedido em 80% ou mais pelo menos 6 amostras, coletadas por um período de 1 ano, com frequência bimestral.
2Demanda Bioquímica de Oxigênio (em 5 dias a 20°C).
3A turbidez é dada em unidades nefelométricas de turbidez (UNT).

Fonte: Adaptado de Palhares (2005) – Embrapa Suínos e Aves e Task Force on Water Quality Guidelines (TFWQG), 2012.

 

Estes parâmetros podem ser analisados em laboratório especializado em qualidade da água. Sendo necessário avaliar todas as fontes de água da propriedade rural e os diversos pontos de coleta, sempre discuta com os técnicos responsáveis as melhores formas de realizar essa avaliação.

A avaliação destes parâmetros é importante para determinar os cuidados e procedimentos que devem ser realizados na água da propriedade, para garantir sua qualidade para o consumo dos animais.

O excesso de alguns elementos na água pode causar diversos distúrbios, como por exemplo:

  • SÓLIDOS DISSOLVIDOS TOTAIS – diarreia, redução do consumo de água e da produtividade e morte;
  • CLORO – redução da ingestão de alimento e aumento do consumo de água;
  • FERRO – quando promove gosto ruim à água, apresenta efeitos sobre o consumo e, consequentemente, à produtividade;
  • ALTO DBO – indicativo de excesso de matéria orgânica na água, podendo causar diarreia por contaminação bacteriana;
  • NITRITOS – os nitritos podem reagir diretamente com a hemoglobina no sangue, para produzir metahemoglobina. Essa, por sua vez, destrói a capacidade dos glóbulos vermelhos para transportar oxigênio;
  • pH – Valores elevados de pH podem reduzir o efeito da cloração e valores baixos podem tornar a água ácida e reduzir a aceitabilidade pelo animal, o que contribui para a redução do consumo.

Cuidados necessários com fontes de água

Após conhecer os parâmetros da qualidade da água na propriedade e os contaminantes que podem ocorrer ao longo da sua distribuição na granja de suínos, é o momento de decidir as melhores formas de melhorar a qualidade desse nutriente (caso necessário).

Um método que pode ser utilizado nas granjas é a filtração da água, que envolve o processo de separação dos sólidos e o líquido. Tal processo deve ser utilizado para remover as impurezas da água, que podem ser retidas por um meio poroso. Em locais onde a água obtida chega com algumas partículas macroscópicas em suspensão, devemos aplicar a filtração para assegurar que serão removidas. Esse meio poroso geralmente é constituído de brita, areia e carvão, que reterá da água as sujeiras e parte dos microrganismos presentes. A filtração atua na melhora dos parâmetros de qualidade, como: cor, turbidez, sólidos suspensos e coliformes.

Caso a fonte de água não necessite de filtração, a desinfecção da água pode iniciar diretamente em seu armazenamento, nas caixas de água. Esse processo ocorre através da cloração da água, sendo o cloro o biocida mais empregado na desinfecção da água. O cloro utilizado no processo de desinfecção da água apresenta-se em forma de cloro gasoso, de cloro líquido (hipoclorito de sódio) e de cloro sólido (hipoclorito de cálcio). A escolha do produto a ser utilizado ocorre em função de uma série de fatores, tais como: eficiência, custo, quantidade necessária do reagente, facilidade da operação, segurança, etc. Após o tratamento com cloro, permanece, na água, certa quantidade de cloro residual, bem como subprodutos da desinfecção.

A OMS e a Portaria No. 518, do Ministério da Saúde, de 25 de março de 2004, consideram que uma concentração de 0,5 mg/L de cloro livre residual na água, depois de um tempo de contato mínimo de 30 minutos, garante uma desinfecção satisfatória. Por outro lado, a OMS salienta que não se observa nenhum efeito nocivo à saúde, caso a concentração de cloro livre atinja 5 mg/ L.

Outros sistemas de desinfecção de água podem ser utilizados como tratamento, com ozônio ou infravermelho, mas o custo-benefício deve sempre ser avaliado. Dependendo das características da água, outros procedimentos mais complexos, como os utilizados no tratamento de água para consumo humano, podem ser adotados.

Além desses cuidados, devemos sempre lembrar de garantir a limpeza dos reservatórios de água da granja. Essa higienização deve ser feita, pelo menos, uma vez ao ano. As seguintes medidas para a limpeza e desinfecção podem ser seguidas:

  • Se possível, esvaziar toda a caixa de água;
  • Escovar as paredes internas e remover todo resíduo desprendido. Utilizar uma escova nova ou vassoura;
  • Deixar encher até estabilizar o nível da água;
  • Adicionar uma solução à base de cloro para desinfecção de água. Pode ser utilizada água sanitária (hipoclorito de sódio), na proporção de 400 ml para cada 1.000 litros;
  • Deixar em repouso, no mínimo, durante 4 horas;
  • Retirar toda água (descartando a mesma), e deixar encher novamente. A partir daí, a água já está pronta para o consumo.

Uma vez realizado de forma adequada, o monitoramento do fornecimento de água, associado a análises físico-químicas, poderão contribuir para o melhor desempenho dos animais e, assim, a identificação prévia de qualquer alteração e possível intervenção de modo a corrigir e/ou prevenir a queda no desempenho.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui