Vacinas em suínos: Aplicações, Cuidados e Conservações

Cuidados no recebimento, conservação e aplicação de vacinas em suínos

Aplicação de vacinas em suínos:

A vacinação é uma forma segura e eficaz de se combater doenças infecciosas, pois permitem a prevenção, o controle e a eliminação das doenças através da resposta do sistema imune do próprio hospedeiro. Para que esse processo se dê em sua plenitude e com segurança, as atividades de imunização devem ser cercadas de cuidados, adotando-se procedimentos adequados no recebimento, armazenamento e na administração das vacinas.

O manejo com as vacinas determinará o sucesso da formação dos anticorpos necessários nos animais, para que o equilíbrio sanitário e de desempenho seja atingido. Com isso, abordaremos a seguir os principais pontos que devem ser observados para uma correta e eficiente utilização de vacinas.

1º- Cuidados na escolha e recebimento de vacinas na granja

Os cuidados com o manejo devem ser iniciados na escolha e compra das vacinas que serão utilizadas na granja. Assegure-se de que o fornecedor mantenha um controle da temperatura de armazenamento das vacinas antes da venda ao cliente, com sistemas que permitam a manutenção das vacinas, mesmo na falta de energia. É necessário garantir que as vacinas também cheguem na granja nas mesmas condições necessárias de temperatura.

Dessa forma, as vacinas devem ser enviadas para as granjas em caixas isotérmicas do tipo “isopor”, contendo no seu interior gel conservante ou gelo seco, e posteriormente devem ser lacradas com fita adesiva.

Sempre verifique a temperatura de recebimento das vacinas na chegada da granja. O ideal é que ela se mantenha entre 4 a 8ºC. Para isso, podem ser utilizados termômetros de infravermelho ou solicitar que seja enviado um termômetro de máxima e mínima nas caixas de isopor em conjunto com os frascos, lembrando que esse termômetro deve ser armazenado um dia antes do envio em geladeira e zerado no momento de colocá-lo na caixa de transporte.

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2º- Cuidados no armazenamento de vacinas na granja

Após o recebimento na granja, a indicação é para que se conserve as vacinas em geladeira fechada, para que se mantenha a temperatura entre 4 a 8°C, sempre observando para que não congele e não aqueça as vacinas, pois essa ação as inutilizará. Para isso, o ideal é que os frascos não fiquem muito próximos do congelador, gavetas e porta da geladeira, e que a granja possua um sistema de “nobreak” ou gerador.

Muitas vezes nos deparamos com alimentos e bebidas dentro da geladeira de vacina. Essa prática deve ser evitada para impedir a flutuação muito grande na temperatura da geladeira devido ao excesso de abertura da mesma.

É importante verificar se todas as vacinas armazenadas estão dentro do seu prazo de validade, possuem rótulos legíveis, frascos com lacre intacto e se estão com aspecto físico e cor normais. Para que se mantenha uma melhor logística de utilização de vacinas na granja, sempre coloque as últimas recebidas atrás das armazenadas há mais tempo, mantendo o fluxo de utilização das mais velhas para as mais novas.

Como sempre são trabalhados mais de um tipo de vacina na granja, o ideal é que elas estejam separadas dentro da geladeira.  Esse procedimento facilita na hora de retirar os frascos, evitando que a porta da geladeira fique muito tempo aberta.

É muito importante que se faça uso de termômetro dentro da geladeira, para o controle diário de temperatura máxima e mínima, sendo as temperaturas diárias anotadas em ficha de controle. Se as vacinas forem expostas a condições de congelamento ou aquecimento, elas devem ser descartadas.

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3º- Cuidados durante a utilização e aplicação de vacinas em suínos

O processo de utilização das vacinas é um dos mais críticos para garantir sua eficácia de resposta nos animais. Por ser um procedimento utilizado semanalmente na granja, muitas vezes os cuidados básicos são deixados de lado por esquecimento.

Na hora de transportar as vacinas para aplicação nos animais, deve-se utilizar caixas de isopor com gelo para que seja mantida a temperatura de conservação das vacinas. Neste momento, é muito importante o planejamento prévio do número de doses que serão utilizadas para que não se retirem da geladeira mais frascos do que o necessário, pois as vacinas, durante a sua utilização, sofrem mais com a temperatura ambiente, levando à perda de sua eficiência. Ideal é que se leve sempre o número correto de doses para que não sejam retornados frascos de vacina para a geladeira. Se o processo de vacinação for muito prolongado (mais de 1 hora), pegue metade das doses a serem utilizadas e em seguida busque o restante.

Para evitar a contaminação da vacina no frasco, recomenda-se que se deixe uma agulha para retirar a vacina do frasco e outras para aplicação nos animais (ideal uma agulha para cada 10 animais). Além disso, deve-se tomar cuidado em utilizar a agulha adequada, de modo a evitar que se machuque o animal e ocorra refluxo da vacina, e de se utilizar a via de aplicação correta de acordo com a recomendação do fabricante da vacina. Na Tabela 1, podemos observar as recomendações básicas para tipos de agulhas a serem utilizados de acordo com o tamanho dos animais:

Tabela 1. Tipo de agulha e via de aplicação nas diferentes categorias de animais.

Tipo de agulha 50/15
45/15 
30/15
25/15 
25/08
25/07 
15/15
15/10
15/09 
Via de aplicação Intra
muscular
Intra
muscular
Intra
venosa
Sub
cutânea
Intra
muscular
Categorias de animais Adultos Crescimento
Terminação
Crescimento
Terminação Adultos
Crescimento
Terminação Adultos
Leitões

Fonte: EMBRAPA suínos e aves.

Durante a aplicação, o ideal é que se imobilize os animais ou utilize prolongamento flexível para aplicação. Esse procedimento evitará lesões aos tecidos dos animais e maior segurança para o aplicador. Sempre realize o manejo dos animais com cuidado e atenção, para garantir a aplicação correta da vacina e sua melhor eficácia. O local da introdução da agulha deve ser limpo e preferencialmente desinfetado, pois a introdução de contaminação da pele juntamente com a agulha pode levar ao desenvolvimento de abcessos.

4º- Descarte correto dos materiais utilizados no processo de vacinação

Para se manter a segurança da equipe da granja e dos animais, é necessário que os materiais perfurocortantes, como as agulhas, sejam descartados em vasilhames próprios, como caixas de papelão devidamente identificada. Estes resíduos devem ser descartados em condições apropriadas para descarte de material contaminado com resíduos biológicos.

Os frascos de vacina devem ser descartados em condições legais para o descarte de embalagens e resíduos biológicos e não podem ser reutilizados. As caixas de isopor e os gelos recicláveis devem ser desinfetados com solução desinfetante e reutilizados.

5º –  Programas de vacinação

Não existe um programa de vacinação que possa ser recomendado para todas as granjas. O programa deve ser elaborado pelo médico veterinário, levando em conta os problemas sanitários em cada situação de criação.

Com isso, é muito importante o acompanhamento técnico dos índices zootécnicos e sinais clínicos dos animais. A ocorrência de doenças nas granjas pode ser muito variável e o período de vacinação pode ser alterado de acordo com o momento que a infecção está ocorrendo. Assim, o acompanhamento dos técnicos é fundamental para se conseguir o melhor resultado das vacinas.

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Considerações finais

O uso futuro das vacinas é promissor, e com as técnicas de engenharia genética e o aumento no conhecimento sobre os vírus, bactérias e da imunologia, a tendência será a produção de vacinas cada vez mais eficientes.

A importância das vacinas cresce a cada dia, principalmente com a restrição no uso de antimicrobianos. Para que seu uso seja eficiente, todos os cuidados na compra, armazenamento e utilização devem ser seguidos.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Hebert Silveira

Hebert Silveira

Hebert Silveira é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

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