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Como implantar o projeto de Curva de Consumo na granja? Uma abordagem prática

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Este conteúdo é a sequência do artigo “Eficiência produtiva e rentabilidade: a visão estratégica das curvas de consumo” e finaliza a nossa série sobre a aplicação prática das ferramentas de gestão.

 

Os benefícios trazidos pelo acompanhamento do consumo dos animais já foram descritos e muito bem vendidos pelos argumentos apresentados nos artigos anteriores desta série. Mas como implantar o trabalho dentro da granja? Essa pergunta é frequente (e pertinente!).

Inicialmente, é fundamental conhecer as condições da granja e como ela se organiza, especialmente, na relação Granja e Fábrica de Rações. Se torna muito dificultosa a realização – e muito mais – a continuidade do projeto se as condições e essa relação não forem conhecidas em sua totalidade (potencial e capacidade). Serão listados abaixo itens relevantes para a execução do trabalho:

Categoria animal: qual categoria animal será acompanhada? Creche? Recria e Terminação? Todas a partir do desmame? O ponto de partida é determinar essa questão. Os próximos dois itens dessa lista dependem dessa informação.

Genética e Nutrição: a genética embasa qual o programa alimentar básico deve ser seguido quanto a quantidade preconizada por idade do animal.

O programa alimentar é ajustado de acordo com particularidades de cada granja: qualidade do ambiente, nutrição, manejos e status sanitário – os quais serão aprofundados posteriormente neste artigo.

Ademais considera-se qual a meta da granja para o desenho da curva esperada (por exemplo: peso final x conversão alimentar). Conforme o tempo passa e aumenta a quantidade de dados recolhidos, mais afinado são os ajustes e mais eficientes são as ações para alcançar o objetivo.

Instalações: o cálculo do consumo é feito por meio da fórmula:

(Ração fornecida (Kg) – Ração sobrante (Kg)) ÷ Animais (nº) ÷ Dias (nº) = Quantidade de ração por animal por dia (Kg).

 

Para que seja possível calcular, deve-se levar em consideração como se dispõe os animais nas instalações. Há granjas onde um barracão aloja um lote; outras, podem alojar dois, três… Há barracão com um silo por lote; mas há outros com um silo para dois, três lotes… Somado a isso deve-se saber qual a capacidade do(s) silo(s).

Essas informações são cruciais para a correta adaptação do cálculo nos casos em que há mais de um lote por silo ou por barracão.

  • Relação Granja e Fábrica de Rações: existe um artigo no AgBlog que explica pormenorizadamente esse tema (Granja e Fábrica de Rações: uma relação de cliente e fornecedor), entretanto abaixo estão descritos, de forma sucinta, os quatro pontos que interferem diretamente na eficiência do cálculo para conhecer o consumo dos animais:

Pedido de rações: basicamente, o pedido de rações deve ser feito multiplicando o número de animais pelo consumo previsto por dia e ainda multiplicar pelo número dias que aquela quantidade de ração deve durar (ou pela capacidade do silo). Esse serviço, apesar de simples, é de suma importância.

Chegada de rações: a Fábrica de Rações deve ter sua produção ordenada e organizada para entregar a ração de um determinado setor ou silo específico sempre no mesmo dia da semana, facilitando assim o monitoramento pela equipe responsável pela coleta de dados; além de outros benefícios relacionados à qualidade da ração.

Leitura de silo: é por meio da leitura de silo que se obtém a quantidade de ração sobrante – dado esse determinante para o cálculo do consumo dos animais.

Pessoal: qual o entendimento que a equipe operacional tem quanto à importância do acompanhamento da curva de consumo dos animais? Qual o nível de instrução que ela tem sobre a leitura de silo e coleta de dados, assim como para o envio de pedido de ração para a fábrica? Esses questionamentos direcionam o técnico em como conduzirá o treinamento dos colaboradores ligados à atividade.

 

Quais são os fatores que interferem no consumo dos animais e como solucionar cenários onde o consumo está muito discrepante com o orçado?

Abaixo estão descritos os principais fatores que, ao não atenderem as exigências dos animais, podem gerar estresses, levando a altas variações no consumo.

Ambiência: as condições ideais de ambiente compreendem luz, temperatura, umidade e limpeza, basicamente. Se atendidas, os animais tendem a consumir dentro do esperado.

Os manejos correlacionados com o ambiente são: regulagem de cortina, funcionamento dos ventiladores, campânulas e sistemas de climatização (quando há), limpeza de comedouros, paredes, cortinas, piso; troca de lâmina d’água e descarga de valetas de dejetos.

É sugerido que os equipamentos que favorecem o controle do ambiente propício para os animais sejam constantemente verificados, como o termômetro. Ele é uma ferramenta imprescindível para que a equipe lance mão de ações corretivas.

Nutrição: diversos são os requisitos para que a nutrição seja eficiente, a começar pela água. Como já sabido, a água constitui a maior parte da composição corporal dos animais – o que já explica a importância em fornecer água com qualidade e quantidade para o plantel.

Ademais é necessário que a ração contemple padrões de qualidade, por exemplo: ingredientes homologados, formulação adequada (atendendo todos os níveis nutricionais requeridos pelos animais), boa mistura da ração, assim como granulometria e densidade.

Para que tudo isso seja possível, os responsáveis em garantir o acesso aos animais tanto a água quanto a ração devem, rotineiramente, fazer a inspeção diária do barracão onde os animais estão alojados e verificar se a regulagem dos bebedouros (chupetas) e comedouros estão adequadas; além, obviamente, de observar os aspectos físico-químicos dos dois elementos.

É fortemente proposto que a propriedade mantenha análises periódicas para se assegurar que os nutrientes fornecidos aos animais atendem às expectativas de qualidade.

Sanidade: é claro o quanto o status sanitário influencia no consumo dos animais. Quando o indivíduo se encontra adoecido, há uma grande diminuição do apetite. As estratégias para sanar e/ou controlar patogenicidades na granja são inúmeras e dependem das características e sintomatologias que a doença causa.

Entretanto, independentemente do acometimento, é crucial agir o mais breve possível para que a produtividade dos animais não caia demasiadamente, tanto pela doença quanto pelo baixo consumo.

 

Resultados e Conclusão

A aplicação sistemática da curva de consumo gera resultados concretos. O controle do consumo de nutrientes específicos por quilo de ganho de peso, por exemplo, permite corrigir excessos e alcançar níveis ideais de eficiência alimentar.

Além dos ganhos zootécnicos, essa ferramenta reforça o relacionamento entre o nutricionista, consultor, o gestor e a equipe operacional — todos passam a atuar de forma integrada em busca do mesmo objetivo: produzir com eficiência e rentabilidade.

A curva de consumo é mais do que um gráfico. É uma ferramenta de gestão, planejamento e tomada de decisão, que:

  • Melhora o controle técnico e econômico da granja;
  • Diferencia o serviço técnico prestado;
  • Fortalece o vínculo entre o produtor e a equipe técnica;
  • Permite criar estratégias sólidas, baseadas em dados, e não em suposições.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a eficiência é a única forma sustentável de permanecer na atividade — e a curva de consumo é uma das chaves para alcançá-la.

 

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