Nutrição Animal: tópicos gerais sobre nutrição de Bovinos, Suínos e Aves

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    Nutrição Animal

    A palavra nutrição é originada do latim nutriens, derivada do termo nutrire, que quer dizer “alimento” ou “alimentar”. Atualmente, a ciência da nutrição pode ser definida como a soma de diferentes processos bioquímicos e fisiológicos que transformam componentes de alimentos/rações em elementos corporais, que são necessários para sustentar a vida, o crescimento, a saúde e a produtividade.

    O que é nutrição animal para animais de produção

    Mais especificamente, a nutrição animal para animais de produção é a ciência da preparação, ou formulação de dietas para animais que produzem alimentos (por exemplo, carne, leite, ovos), ou materiais não alimentares (por exemplo, lã).

    Em animais de produção, como bovinos, suínos e aves, a nutrição também é importante para obter um produto alimentar de qualidade (por exemplo, carne, leite, ovos), minimizando o custo de produção e a perda de nutrientes não digeridos.

    A redução das perdas de nutrientes não digeridos é importante tanto economicamente quanto ambientalmente.

    Portanto, a compreensão dos conceitos básicos de nutrição animal é essencial para a formulação das rações visando:

        • aumentar a eficiência da produção de alimentos (incluindo aspectos econômicos, como o custo da ração);
        • proteger o meio ambiente (com a redução do esterco produzido contendo nutrientes não digeridos e desperdiçados, como fósforo e nitrogênio, bem como pela redução da emissão de gases do efeito estufa via adoção de estratégias nutricionais para controle da fermentação em animais ruminantes);
        • manter o valor nutricional dos alimentos de origem animal e o bem-estar animal.

    A importância da alimentação na produção animal

    A alimentação representa os maiores custos na produção animal. Sendo assim, os nutricionistas devem constantemente se atentar à qualidade das matérias-primas (veja por exemplo, no ebook gratuito), disponibilidade de insumos mais próximos e matérias-primas alternativas.

    Apesar de sabermos que uma boa nutrição é benéfica para o produtor (maior produtividade e redução de custos), para o animal (melhor bem-estar) e para o ambiente (menor produção de dejetos e pressão ambiental), os perigos da má nutrição também devem ser apontados. A nutrição inadequada (sub ou superalimentação) pode afetar a saúde animal.

    Quando se trata de nutrição é importante conhecer a fisiologia do trato gastrointestinal (TGI) e estabelecer alguns conceitos importantes.

    As necessidades nutricionais e os processos digestivos dos animais domésticos são muito influenciados pela natureza do TGI. Alguns animais, como os bovinos, têm estômagos múltiplos e compartimentados e são classificados como ruminantes. Veja detalhadamente como funciona o rúmen neste vídeo.

    os suínos e as aves possuem estômagos simples não compartimentados e são classificados como não ruminantes, ou monogástricos.

    Animais monogástricos têm um único estômago, enquanto ruminantes têm estômagos múltiplos e compartimentados.

    Fisiologicamente, os monogástricos são digestores autoenzimáticos no sentido de que as enzimas produzidas pelo próprio animal estão envolvidas nos processos digestivos. Já os ruminantes são digestores aloenzimáticos, em que a digestão é realizada por “outros” (allo = outros), como as bactérias que residem no rúmen, entre outras populações microbianas.

    Como os microrganismos estão envolvidos no “processamento” da dieta ingerida, em vez de “digerir”, a fermentação é termo mais apropriado para designar os processos digestivos em ruminantes.

    Tríade da produção animal

    A importância da nutrição animal é inegável para o sucesso da produção animal. Porém, é importante destacar que a nutrição sozinha não é capaz de gerar resultados zootécnicos satisfatórios.

    Desse modo, acrescenta-se o conceito do “tripé da produção animal”, em que a nutrição deve estar acompanhada da genética e do manejo, incluindo em manejo, práticas de biosseguridade e ambiência.

    tríade nutrição animal

    As três bases, quando trabalhadas juntas e constantemente ajustadas, são capazes de produzir alto desempenho zootécnico, com eficiência produtiva de forma sustentável. Um animal só irá expressar todo o seu potencial genético de tiver uma nutrição e manejo ajustado, por exemplo.

    Princípios da formulação de ração animal

    Para formular a dieta de uma determinada espécie animal para um determinado propósito, alguns fatores devem ser considerados, sendo os principais:

    1. Água

    O desempenho animal abaixo do ideal ocorrerá se não for fornecida água de qualidade e à vontade. A água é um nutriente essencial, mas muitas vezes negligenciado na produção animal.

    A água compõe de metade a dois terços da massa corporal de animais adultos e mais de 90% da massa corporal de animais recém-nascidos. Dentro do corpo, a água é um solvente universal que facilita as reações bioquímicas celulares envolvendo digestão, absorção e transporte de nutrientes, auxilia na regulação da temperatura corporal, dá forma às células e atua na manutenção do equilíbrio ácido-base do corpo, dentre outras funções.

    2. Energia

    A energia é o principal fator limitante ao desempenho animal e é o primeiro a ser considerado na formulação de dietas para animais. Embora não seja considerada um nutriente, a energia advém de moléculas orgânicas, cujos nutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas) fornecem energia ao serem digeridos e metabolizados pelos animais.

    No entanto, nem toda energia contida nos nutrientes e fornecida pelos ingredientes das dietas é disponibilizada para os animais. Alguns componentes da ração podem ser parcialmente digeridos ou até mesmo indigeridos e, mesmo os componentes que são digeridos e absorvidos, não são usados com 100% de eficiência. Sendo assim, a energia total contida no alimento é definida como energia bruta.

    Desse total, ao descontar a energia perdida nas fezes dos animais, obtemos a energia digestível. E, por sua vez, da energia digestível, ao descontar a energia perdida na urina e via emissão de metano pela fermentação dos ruminantes, obtém-se a fração de energia metabolizável do alimento.

    Desta última fração ainda ocorrem perdas de energia pela produção de calor oriundo dos processos digestivos e metabólicos do animal, referido como incremento calórico. Logo, ao descontar a energia perdida via incremento calórico do total de energia metabolizável, obtém-se a energia líquida.

    A energia líquida é o saldo final de energia do alimento que o animal terá disponível para uso nas suas funções de manutenção do organismo, bem como para crescimento, gestação, lactação, produção de ovos, lã etc.

    A figura abaixo ilustra os diferentes tipos de energia do alimento:

    nutrição animal
    Fonte: https://www.feedtables.com/content/principles-and-methods

    A eficiência com que a energia metabolizável é convertida em energia líquida varia tanto com a dieta, quanto com a finalidade para a qual a energia está sendo usada (manutenção, crescimento, gestação ou lactação).

    Desse modo, alguns conceitos referentes a energia foram citados acima e demonstrados na figura, estão resumidos abaixo:

        • Energia bruta: é a energia presente no alimento. É a quantidade de energia liberada como calor quando o alimento é completamente oxidado a dióxido de carbono e água.
        • Energia digestível: é a energia do alimento que é absorvida após o processo de digestão nos animais. Ou seja, é a energia bruta menos o qye perdido pelas fezes.
        • Energia metabolizável: é a diferença entre a energia bruta do alimento e a perdida por fezes, urina e gases provenientes da digestão.
        • Energia líquida: é a diferença entre a energia metabolizável e a energia perdida como incremento calórico. O incremento calórico representa a perda energética que ocorre durante os processos de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes.

    3. Proteína:

    As proteínas são vitais para a vida e são os principais componentes estruturais dos tecidos animais (por exemplo, pele, músculos, lã, penas, tendões, ovos). Além disso, as proteínas também estão envolvidas em:

        • atividades bioquímicas (por exemplo, enzimas)
        • imunológicas (por exemplo, imunoglobulinas)
        • transporte (por exemplo, lipoproteínas)
        • outras atividades regulatórias (por exemplo, hormônios).

    O fornecimento de proteínas e aminoácidos adequados na dieta é essencial para manter o crescimento, a saúde e a produtividade dos animais produtores de alimentos. Vale destacar que para os ruminantes, a microbiota ruminal é capaz de sintetizar boa parte das proteínas necessárias para o animal, através de fontes não proteicas, como a ureia.

    As necessidades de proteína variam com os estágios da vida e são altas durante as fases de crescimento rápido em animais jovens e durante a gestação e lactação.

    Os aminoácidos são como blocos de construção para a síntese de proteínas. Para a maioria das espécies animais, alguns aminoácidos devem ser fornecidos na dieta, pois não podem ser sintetizados a partir dos esqueletos de carbono de outros aminoácidos e, por isso eles são denominados aminoácidos “essenciais”. São considerados aminoácidos essenciais:

    ● Fenilalanina● Histidina
    ● Valina● Triptofano
    ● Treonina● Arginina
    ● Isoleucina● Leucina
    ● Metionina● Lisina

     

    4. Carboidratos

    Carboidratos, ou hidratos de carbono, são compostos formados por carbono, hidrogênio e oxigênio. Constituem os mais importantes componentes energéticos para os animais, juntamente com os lipídeos.

    No entanto, no organismo animal, o armazenamento de carboidratos (na forma de glicogênio) é relativamente escasso nos tecidos, se comparado aos lipídeos. Logo, a sua grande contribuição energética para o metabolismo animal advém majoritariamente do consumo de alimentos vegetais.

    Nas plantas, os carboidratos são sintetizados nos processos de fotossíntese, sendo armazenados na parede das células vegetais (carboidratos fibrosos: celulose, hemicelulose e pectina, principalmente), ou como moléculas de reserva (carboidratos não-fibrosos: amido, principalmente).

    O aproveitamento dos carboidratos da dieta depende das características da espécie animal. Devido ao seu arranjo estrutural mais complexo, os carboidratos fibrosos não são hidrolisados pelas enzimas digestivas dos mamíferos e das aves, logo a energia é oriunda da degradação do amido e outros carboidratos não-fibrosos.

    Entretanto, boa parte da energia disponível para os animais ruminantes é resultante da degradação dos carboidratos fibrosos pelos microrganismos ruminais, que possuem enzimas capazes de realizar a digestão dessas moléculas mais complexas. É por esse motivo que as dietas de ruminantes têm significativa quantidade de carboidratos fibrosos, oriundos principalmente das forragens, sendo ótimas fontes de energia para esses animais.

    Aves e suínos, por exemplo, dependem do fornecimento de carboidratos não fibrosos para obtenção de energia, especialmente o amido, abundante em grãos de cereais, como o milho e sorgo. Apesar de não serem fontes reconhecidas de energia para os monogástricos, os carboidratos fibrosos têm importante papel na manutenção da saúde intestinal, sendo uma estratégia nutricional em ascensão das pesquisas atuais. Você pode ler mais clicando aqui.

    1. Lipídios

    São um grupo heterogêneo de moléculas, formadas a partir de ácidos graxos e álcool, que desempenham importantes funções no organismo dos seres vivos. Dentre as moléculas orgânicas, são as de maior densidade energética (quantidade de calorias), em torno de 9 kcal/g, enquanto que proteínas e carboidratos têm de 5 a 4 kcal/g.

    Além da função energética, alguns ácidos graxos são considerados essenciais (não sendo sintetizados pelos animais, mas com funções importantes à saúde e metabolismo, devendo ser consumidos na dieta, a exemplo dos ácidos linoleico e linolênico, conhecidos como ômega 6 e 3, respectivamente), além de estarem presentes na composição de vitaminas lipossolúveis, hormônios (cortisol, testosterona, progesterona etc.) e nas funções estruturais (lipídios de membrana).

    Nutricionalmente, os lipídios podem ser agrupados em:

        • lipídeos de reserva (principalmente triglicerídeos em sementes),
        • lipídios das folhas (galactolipídios e fosfolipídios) e
        • uma mistura de outras moléculas insolúveis em água, mas solúveis em éter (ceras, carotenoides, clorofila, etc.).

    Os lipídios presentes nas plantas forrageiras são representados principalmente por galactolipídios e fosfolipídios, enquanto a gordura animal e aquela presente nos grãos de cereais, ou oleaginosas, são basicamente triglicerídeos.

    Nos animais, os lipídios são a principal forma de armazenamento de energia, principalmente na forma de gordura. A gordura subcutânea atua, inclusive, no auxilio da manutenção da temperatura corporal dos animais.

    A inclusão de lipídios  na dieta dos animais possui diversas vantagens, como:

        • constitui uma fonte densa de energia, auxiliando no atendimento da elevada exigência nutricional de determinadas categorias animais, como aqueles em fase de lactação;
        • fonte de ácidos graxos essenciais;
        • melhora a absorção de vitaminas lipossolúveis;
        • melhora a eficiência energética das dietas;
        • reduz o pó das rações;
        • aumentam a palatabilidade das rações.

    4. Vitaminas e minerais

    vitaminas nutrição animal

    Uma vez atendidas as necessidades energéticas e proteicas, a próxima consideração é o fornecimento de vitaminas e minerais.

    Vitaminas

    As vitaminas são um grupo de moléculas orgânicas necessárias, em pequenas quantidades, para diferentes funções fisiológicas. As vitaminas, embora sejam compostos orgânicos, não fornecem energia como outros macronutrientes e não são utilizadas para a síntese de compostos estruturais. No entanto, funcionam como precursores de enzimas ou coenzimas, em diferentes processos metabólicos.

    A maioria das vitaminas precisa ser fornecida ao animal através da dieta, enquanto outras podem ser sintetizadas pelos microrganismos do rúmen e do intestino posterior, ou pela exposição à luz solar.

    As necessidades dietéticas de vitaminas são baixas. Nos últimos anos, doses mais elevadas de algumas vitaminas (por exemplo, vitamina E) têm sido usadas em dietas de animais como meio de aumentar a imunidade animal e melhorar aspectos da qualidade dos alimentos produzidos.

    Especificamente, para galinhas poedeiras, pode haver um incremento na nutrição utilizando, por exemplo vitamina E e selênio, com o objetivo de produzir ovos enriquecidos. Esse produto visa atender a demanda dos consumidores por ovos nutricionalmente diferenciados. Quer saber mais sobre ovos enriquecidos?

    Uma classificação geral de vitaminas é baseada em sua solubilidade, como vitaminas lipossolúveis ou hidrossolúveis. As vitaminas lipossolúveis são a vitamina A, vitamina D, vitamina E e vitamina K. As vitaminas hidrossolúveis incluem as do complexo B e vitamina C.

    Minerais

    Os minerais são elementos inorgânicos essenciais para as funções fisiológicas e processos metabólicos do organismo animal. A matéria mineral constitui cerca de 4% do peso corporal e sua presença é essencial para a manutenção da vida e da saúde do animal.

    Os minerais participam de diversas funções biológicas do organismo, que incluem:

              • expressão e regulação de genes e sistemas enzimáticos que regulam a função celular;
              • atividade e funcionalidade de vitaminas;
              • equilíbrio osmótico;
              • imunidade;
              • função da membrana celular;
              • equilíbrio e regulação ácido-base;
              • suporte estrutural e crescimento.

    Os minerais são classificados em dois grupos – macro e microminerais (também chamados de traços ou oligoelementos) – com base nas quantidades necessárias na dieta e não com base em sua importância para as funções fisiológicas.

    Apenas 16 minerais são classificados como essenciais para o organismo. Destes, nove são considerados microminerais e sete são macrominerais.

    Macrominerais são aqueles minerais que ocorrem em maior quantidade ​​no corpo do animal e são requeridos em grandes quantidades na dieta (>0,01%). Os macrominerais incluem:

              • Cálcio
              • Fósforo
              • Magnésio
              • Enxofre
              • Sódio
              • Potássio
              • Cloro

    Os microminerais são necessários em quantidades menores (<0,01%), são quantificados em miligramas, microgramas ou partes por milhão. Os microminerais incluem:

              • Manganês
              • Zinco
              • Ferro
              • Cobre
              • Selênio
              • Iodo
              • Cobalto
              • Molibdênio
              • Cromo
    1. Programa de alimentação

    A natureza física da dieta e o programa de alimentação devem ser considerados para garantir que a dieta seja palatável, propícia à saúde e à função intestinal (particularmente microbiana).

    O conhecimento dos padrões naturais de alimentação fornece pistas úteis sobre o programa mais apropriado. Por exemplo, a necessidade diária de nutrientes para um ruminante pode ser atendida com uma dieta que pode ser consumida em 10 min/dia, mas os ruminantes naturalmente gastam em média 8 h/dia comendo.

    Levar isso em consideração na elaboração de um programa de alimentação pode significar reduzir a densidade de energia, aumentar o tamanho das partículas, ou aumentar o teor de fibra para aumentar o tempo de alimentação. Desse modo garante-se que as necessidades comportamentais dos animais sejam atendidas.

    6. Avaliação do programa de alimentação

    A avaliação frequente do programa e da dieta deve ser realizada usando uma combinação que inclui medição do peso corporal, escore da condição corporal, avaliações de saúde e parâmetros de produção para permitir o ajuste fino do programa.

    A dieta deve ser ajustada observando as diferentes fases de produção e categoria dos animais.

    Nutrição animal: suínos

    nutrição animal

    A exigência nutricional é um conceito teórico-prático que descreve o consumo de um nutriente em particular, que permita atender a uma determinada função fisiológica. Desse modo, os suínos terão uma exigência nutricional diferente para cada fase do ciclo de produção.

    Nutrição de leitões

    Para a produção de suínos de forma eficiente e sustentável, é essencial que os leitões cresçam rapidamente durante as fases de crescimento, sobretudo após o desmame. Em taxas de crescimento lentas, a quantidade relativa de energia destinada à manutenção é substancialmente maior do que em altas taxas de crescimento.

    O aumento da taxa de crescimento durante o período inicial de amamentação é influenciado pelo estabelecimento da produção de leite da porca e a formação da ordem de amamentação.

    Os tetos, em diferentes posições ao longo do corpo, variam em produção de leite e teor de sólidos. Leitões que adotam tetos superiores (cranial e médio) são mais pesados ao desmame do que aqueles nos tetos caudais.

    O período de desmame é crítico para o desenvolvimento dos leitões. Além de não terem o intestino totalmente desenvolvido, ou seja, secreção insuficiente de algumas enzimas digestivas (particularmente no intestino delgado) para lidar com alimentos sólidos, existem desafios comportamentais e imunológicos que resultam em ingestão reduzida de nutrientes, crescimento deprimido e aumento do estresse.

    Para reduzir os efeitos nocivos do desmame precoce, várias estratégias são usadas, incluindo alimentação suplementar ainda durante a amamentação, o chamado creep feeding.

    Creep feeding é a prática de oferecer ao leitão o acesso a uma ração sólida de alta qualidade, rica em nutrientes e altamente palatável enquanto ainda está amamentando. O objetivo é acelerar o desenvolvimento da capacidade digestiva (atividade enzimática e morfologia intestinal) a partir do contato prévio do leitão com aração para que, ao desmame, o animal possa fazer a transição para o alimento sólido, com menor prejuízo ao crescimento.

    A dieta oferecida deve ser palatável, prontamente digerível e introduzida a partir dos 5 dias de idade. Essa prática tem algumas vantagens como:

          • estimular o desenvolvimento do sistema digestório;
          • induzir a secreção de enzimas digestivas;
          • estimular o desenvolvimento de leitões mais fracos;
          • reduzir o estresse alimentar do leitão no momento do desmame, ele já estará familiarizado com a ração sólida.

    Saiba mais sobre a nutrição de leitões no Episódio 6 da série Maternidade – Arraçoamento dos leitões e importância da alimentação durante a lactação e os fatores envolvidos com o CR.

    Nutrição na fase de crescimento e terminação

    Suínos em crescimento devem ser alimentados ad libitum com uma dieta otimizada para maximizar o crescimento do tecido magro.

    A divisão da fase de crescimento em vários períodos, com base no peso corporal, permite o fornecimento de dietas mais alinhadas às necessidades nutricionais dos animais (por exemplo, três ou quatro fases de crescimento/terminação). Isso é particularmente útil na redução do componente proteico das rações, a necessidade de proteína diminui com o aumento do peso corporal. Outro benefício desse método é a redução da excreção total de nitrogênio e fósforo devido ao estabelecimento, em proporções ideais,dos aminoácidos.

    A alimentação especifica para machos e fêmeas também permite uma alimentação mais direcionada. Machos castrados possuem consumo de ração superior a fêmeas e machos inteiros.

    Os desafios nutricionais nessa fase se devem à necessidade de fornecer energia para propiciar a deposição muscular na carcaça e restringir a deposição de gordura. Acima dos 70kg, os suínos têm um aumento da sua capacidade diária de ingestão de ração e sua dieta possui nível mais alto de energia para crescimento muscular, porém, o excedente de energia é depositado em forma de gordura na carcaça.

    Uma das estratégias para reduzir a deposição de gordura na carcaça é a restrição alimentar que pode ser realizada de forma qualitativa, ou quantitativa. A restrição qualitativa consiste em reduzir a concentração de nutrientes da dieta, aumentando seu teor de fibras.

    Já a restrição quantitativa consiste em reduzir o volume diário de alimento aos suínos. Nessa modalidade, a ração pode ser oferecida de forma fracionada, em várias porções durante o dia. Importante salientar que o uso da restrição é dependente de alguns fatores como:

              • custo da ração;
              • taxa de ganho de peso desejada;
              • sexo;
              • linhagem dos suínos.

    Nutrição animal: aves

    nutrição animal frangos de corte

    Frangos de corte

    Frangos de corte foram selecionados para um crescimento rápido e eficiente, e são alimentados ad libitum para maximizar as taxas de crescimento.

    A nutrição de frangos de corte é dividida em, no mínimo, três fases, sendo elas, inicial, engorda e final. Vale ressaltar que diversas empresas utilizam também a ração pré-inicial e duas rações de engorda diferentes. As características de crescimento e, portanto, as necessidades nutricionais dos frangos, mudam o suficiente nesses curtos períodos de tempo para fazer com que a mudança no conteúdo nutricional das rações compense economicamente.

    As aves têm os mesmos requisitos que os mamíferos para os aminoácidos essenciais fenilalanina, valina, treonina, triptofano, isoleucina, metionina, histidina, arginina, lisina e leucina. No entanto, os frangos de corte não podem sintetizar arginina com a rapidez necessária para atender sua alta exigência, de modo que eles têm uma necessidade suplementação de arginina na dieta.

    O requisito proteico do frango de corte de crescimento rápido é relativamente alto, pois a maior parte do crescimento corporal é de musculatura. No entanto, maximizar o ganho corporal e o rendimento de partes economicamente importantes, como o peito, nem sempre é a mesma coisa.

    A necessidade de lisina para o desenvolvimento máximo do peito, por exemplo, é maior do que a necessidade de lisina para o ganho de peso máximo. No Brasil, onde as rações têm como base o milho e o farelo de soja, os três primeiros aminoácidos limitantes são metionina, lisina e treonina.

    A lisina é o aminoácido de referência para ajustar as exigências dos demais aminoácidos. A lisina foi escolhida como referência por quatro motivos principais:

              1. É utilizada quase que exclusivamente para síntese proteica, havendo alta correlação entre a digestibilidade ileal verdadeira e a sua disponibilidade biológica;
              2. É o segundo aminoácido limitante;
              3. Sua suplementação na ração é economicamente viável, quando comparada à metionina;
              4. A literatura possui diversos artigos de avaliação da lisina.

    São diversos os fatores que podem influenciar as exigências de aminoácidos das aves, como idade, sexo, genética, temperatura ambiente, desafio imunológico, níveis de proteína bruta, energia e lisina na dieta. Todos esses fatores devem ser levados em conta durante a formulação da dieta para cada fase de crescimento dos frangos de corte.

    Galinhas poedeiras

    nutrição animal poedeiras

    As granjas modernas visam produzir um grande número de ovos, com casca resistente e que atendam aos requisitos do mercado para cor da casca, cor da gema e consistência do albúmen. Além de manter os custos de alimentação em patamares economicamente viáveis.

    Cada galinhas pode produzir 300 ovos/ano, dado que o ovo pesa em média 55g, isso equivale a 15kg de ovos/ano/galinha, que é mais de 10 vezes seu peso corporal.

    A exigência nutricional para atingir todo esse volume de ovos deve atender às altas demandas de energia, proteínas, carboidratos, lipídios, minerais e vitaminas da síntese do ovo.

    Um ovo comum é composto pela gema (~ 2,8 g de proteína, 191 mg de colesterol, 0,63 g de carboidratos, 4,66 g de gordura total, todas as vitaminas lipossolúveis, vitamina D, muitas vitaminas do grupo B e a maioria dos minerais essenciais), albumina (a proteína de maior valor biológico na natureza) e casca (principalmente carbonato de cálcio e uma matriz proteica).

    Todos esses componentes para formação do ovo devem estar presentes na dieta da ave, ou serem mobilizados das reservas corporais durante a formação dos ovos. Por isso, a formulação de uma dieta nutricionalmente adequada às necessidades da galinha e da produção de ovos é de extrema importância.

    Um dos componentes principais na formulação para poedeiras é o nível energético. O excesso de energia na ração leva à redução do consumo voluntário pelas aves e à deposição de gordura na carcaça. A deposição excessiva de gordura no fígado e no ovário leva à redução na produção de ovos.

    Por outro lado, uma dieta deficiente em energia fará com que as aves mobilizem energia do próprio corpo para realizar a postura, o que reduzirá a qualidade dos ovos e a longevidade produtiva da ave.

    Quando se trata da nutrição de poedeiras, o cálcio e o fósforo são protagonistas. Os níveis de cálcio e fósforo estão ligados à qualidade interna e externa da casca do ovo. Além disso, os dois minerais influenciam na qualidade óssea das galinhas, que está intimamente ligada à longevidade da produção.

    O cálcio necessário para a síntese da casca do ovo, na forma de carbonato de cálcio, vem da dieta, do osso medular na cavidade interna dos ossos longos e do esqueleto. Aproximadamente 2,5 g de cálcio são necessários para formar a casca do ovo. A galinha só pode obter ~ 2,0 g de cálcio por dia através da dieta, então o restante deve vir das reservas ósseas.

    Além do balanço de cálcio fornecido na dieta, sua granulometria também deve ser observada. A granulometria pode ser usada para favorecer a liberação lenta de cálcio durante o período noturno, momento em que a casca do ovo é formada.

    Mais de 80% do fósforo do organismo está associado ao cálcio na formação óssea. Devido a sua importância na constituição do esqueleto, da casca do ovo e também no controle da acidose sanguínea, os nutricionistas devem estar atentos ao fósforo na composição da dieta.

    Deve-se atentar para não utilizar altos níveis de fósforo inorgânico e levar a prejuízos de qualidade de casca, além de evitar a deficiência nutricional do mineral, que compromete a qualidade óssea das galinhas.

    Sugestão de leitura complementar sobre qualidade da casca: Fatores nutricionais que afetam a qualidade da casca.

    Nutrição animal: bovinos

    Bovinos de corte

    bovinos de corte nutrição animal

    O sistema de produção de bovinos de corte compreende as seguintes fases:

              • cria (desde a cobertura da vaca até a fase de desmama)
              • recria (entre as fases desmama e terminação)
              • terminação (fase de engorda – entre o início da idade adulta e o abate)

    Para cada fase deve ser realizado um manejo nutricional adequado visando abater animais precoces, com melhor qualidade de carcaça e ao menor custo. Uma das estratégias nutricionais a ser realizada na nutrição de bovinos de corte é a suplementação.

    A suplementação alimentar tem grande impacto nos sistemas de produção de bovinos de corte, devido à sazonalidade na produção forrageira e redução da qualidade da forragem durante a seca.

    Apesar da suplementação ser de grande importância durante o período da seca, ela também pode ser utilizada nos outros períodos do ano. Nesse caso, sua utilização vai depender de alguns fatores como, qualidade do alimento oferecido, viabilidade econômica baseada nos custos do suplemento e da arroba, bem como dos objetivos do produtor e tipo de sistema produtivo.

    Suplementação durante a fase de cria

    A fase de cria é realizada, na maioria das vezes, de forma extensiva e caracterizada por baixos índices produtivos. Uma alternativa para elevar o peso no desmame e diminuir a idade de abate é a utilização de suplementação adicional para bezerros em aleitamento, como, por exemplo, com o chamado creep feeding. O conceito é o mesmo do utilizado em suínos, com fornecimento de concentrado suplementar aos bezerros, em cochos privativos, aos quais as vacas não têm acesso.

    Suplementação durante a fase de recria

    O ponto forte para a recria, no Brasil, é o manejo correto das pastagens. Nesse sentido, uma pastagem de alta qualidade, em quantidade suficiente, com a densidade de animais ajustada, possibilita que o animal tenha maior aproveitamento dos nutrientes, altas taxas de crescimento e ganho de peso.

    A suplementação na fase da recria é importante, já que, nessa etapa, os animais passam por períodos de seca e de águas.

    O planejamento da suplementação e manejo durante a seca devem ser voltados para fazer o animal aproveitar melhor a massa de forragem seca e suprir as exigências do animal.

    Nesse cenário dos suplementos proteicos de baixo consumo (1 a 2 g/kg de peso corporal) tem apresentado ótimo custo-benefício. Já no período das águas, com a disponibilidade de forragem de alto valor nutritivo, baixo teor de fibra indigestível e alta proteína, é possível atingir um bom desempenho somente com a suplementação mineral, associada ao adequado manejo do pasto.

    Ganhos adicionais e/ou superiores, podem ser explorados em ambas épocas do ano. Porém, estes precisam ser bem elaborados e planejados, demandando maior nível de planejamento e gestão.

    Suplementação durante a fase de terminação

    A fase de terminação, assim como tudo o que acontece dentro da porteira, pode ser encurtada com a aplicação de ferramentas tecnológicas de manejo de solo, planta e nutrição.

    Esta fase pode ser caracterizada pelo início da mudança de deposição dos tecidos no ganho de peso dos animais, sendo a fase em que o animal começa a depositar gordura, aumentando a sua demanda energética. Nessa fase, a eficiência alimentar do animal é reduzida, se comparada à fase anterior e isso ocorre devido à mudança na composição do ganho.

    Dado essa maior necessidade de consumo de energia, ferramentas como o Confinamento e a TIP ganham cada vez mais importância na fazenda de engorda. A decisão do método de terminação, seja semiconfinamento (a pasto), ou em confinamento, é influenciada pelas características e habilidades da fazenda.

    No semiconfinamento e TIP, a pastagem é utilizada como fonte de volumoso, e o concentrado é fornecido no cocho para os animais. Assim, é necessário o manejo correto das pastagens e dos cochos com concentrado.

    Bovinos de leite

    bovinos de leite nutrição animal

    Para delinear o programa de alimentação de bovinos de leite é necessário determinar as necessidades corporais de mantença, crescimento, gestação ou reprodução e produção de leite.

    Novilhas em recria têm suas exigências diárias em energia, proteína e minerais/vitaminas baseadas nas determinações de mantença e ganho de peso. As novilhas com menos de um ano de idade têm alta exigência nutricional em energia, proteína, minerais e vitaminas, porém, com menor capacidade retículo-ruminal.

    Para suprir as necessidades dietéticas, alimentos concentrados devem ser incluídos na dieta de novilhas jovens para maiores taxas de crescimento.

    Outra fase importante e que demanda ajustes nutricionais é na proximidade do parto, quando as novilhas devem se preparar para o parto em si e também para a primeira lactação. Por isso, alguns manejos nutricionais são indicados, como:

              • Fornecer volumoso de qualidade e quantidades ideais de concentrado, necessários para assegurar a transição (gestação/parto) e preparar as novilhas para alto consumo de matéria seca o mais breve possível depois do parto;
              • Ajustar a condição corporal desde a fase anterior. Novilhas magras ou obesas ao parto podem desencadear problemas produtivos, reprodutivos e de ordem metabólica.

    É importante que se forneça dietas bem equilibradas para o desenvolvimento fetal adequado, formação de colostro e boa lactação, durante toda a gestação e no período de transição.

    O fator que mais influencia a produtividade de vacas de leite é a alimentação. Assim, dietas que não suprem as necessidades energéticas durante a produção leiteira levam a perda de peso corporal e reduzem a produção de leite. Além disso, podem prejudicar a reprodução e reduzem a resistência das vacas a desafios sanitários.

    Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estágios da curva de lactação, pois, as exigências nutricionais dos animais são distintas para cada um deles.

    Nas primeiras semanas após o parto, as vacas não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico (em torno de 5 a 7 semanas após o parto). O pico de consumo de alimentos só será atingido, posteriormente, em torno de 9 a 10 semanas pós-parto.

    Por conta do desencontro entre alta demanda e reduzida capacidade de consumo, é importante que as vacas recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida.

    Ao final da lactação, por exemplo, a dieta deve ser menos energética, evitando que os animais atinjam escores de peso elevados.

    Conclusão

    Como pode ser observado, a nutrição dos animais de produção é um assunto extenso e que demanda atenção do nutricionista para as particularidades de cada espécie, categoria e fase da vida dos animais.

    Além disso, uma boa nutrição deve ser adequada às necessidades nutricionais dos animais, ao meio ambiente, sendo sustentável, preocupando-se com a poluição ambiental, e econômica, levando ao melhor custo/benefício para o produtor.

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