Este artigo é a sequência direta de “O equilíbrio entre eficiência e rentabilidade na suinocultura em tempos de crise”. Enquanto o primeiro texto estabeleceu os fundamentos, este conteúdo foca na aplicação prática das ferramentas de controle.
Desafios constantes na suinocultura
A suinocultura brasileira, assim como em outros grandes países produtores, enfrenta constantemente oscilações de preços e rentabilidade. Nos últimos anos, vivemos uma das piores crises do setor, marcada pela elevação dos custos de insumos e pela queda no preço pago ao produtor. Em meio a esse cenário desafiador, todos os esforços foram direcionados para reduzir custos e manter a atividade viável — e nesse contexto, a alimentação se mostrou o ponto central de qualquer estratégia de sobrevivência.
Tanto os eventos internos, como eventos globais, podem trazer instabilidade ao mercado. Frente aos impactos desses eventos, onde quase nunca temos controle da situação, devemos criar planos de ações, principalmente sobre 0 planejamento de compras, o aumento da capacidade de armazenagem e a integração de cadeias, para que o produtor fique “menos” vulnerável. Diante disso, a eficiência produtiva passa a ser o maior escudo contra as crises.
A Importância do Controle de Consumo de Ração
A ração representa entre 60% e 80% do custo total de produção em uma granja de suínos. Por isso, conhecer o padrão de consumo e o comportamento alimentar dos animais é fundamental para alinhar desempenho e rentabilidade.
Cada fase da produção tem peso diferente no consumo total de ração. Em média, as fases de recria e terminação representam de 70 a 80% do volume total. Por este motivo, o setor de engorda é onde se encontra as maiores oportunidades de otimizar a rentabilidade. Mesmo pequenas variações de consumo ou de formulação nessa etapa impactam diretamente no custo final e na margem de lucro.
Com base nisso, o monitoramento contínuo do consumo torna-se uma ferramenta indispensável para ajustar o fornecimento de nutrientes à real necessidade dos animais, evitando tanto o desperdício quanto a deficiência nutricional — dois fatores que reduzem a eficiência econômica.
Curva de Consumo: Uma Ferramenta Estratégica
A curva de consumo é um instrumento que permite acompanhar, de forma prática e precisa, o comportamento alimentar dos animais ao longo do alojamento, a fim de alcançar os índices de ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar que foram traçados como objetivo no momento do desenvolvimento da curva.
Ela mostra o consumo semanal esperado e o consumo real, possibilitando ao gestor tomar decisões em tempo hábil, para que o desempenho seja conforme o planejado e não apenas dados de observação após o fechamento do lote, quando não há mais possibilidades de correções.
O objetivo central da curva de consumo é melhorar a eficiência alimentar. Com isso, temos um balanço mais adequado entre as despesas com a alimentação e o retorno com o ganho de peso.
É importante deixar claro que a eficiência alimentar é diferente de conversão alimentar (CA). Neste caso não estamos buscando a menor CA possível; mas, sim, a utilização mais eficiente da ração, para otimizar o ganho de peso dentro de uma CA ajustada, para que a rentabilidade da granja melhore.
A CA não está acima de tudo. Ela deve ser considerada dentro de uma conjuntura de: preço da ração, desempeno zootécnico e preço de bolsa.
Trabalhar com a curva de consumo traz benefícios diretos:
- Ajuste fino das fórmulas nutricionais às condições e metas da granja;
- Conhecimento do potencial produtivo e do padrão de consumo real dos animais;
- Previsibilidade nos pedidos de ração e logística de fábrica;
- Gerenciamento ativo dos lotes antes do fechamento;
- Engajamento da equipe e valorização do setor de recria e terminação dentro da granja.
Além de tudo, a curva de consumo promove uma mudança de cultura: deixa de ser um controle passivo de dados e passa a ser uma ferramenta de gestão ativa, decisão e de eficiência.
Como Desenvolver, Implementar e Gerenciar Curvas de Consumo
O desenvolvimento da curva de consumo e do monitoramento partem de três pilares fundamentais:
- Compreender o potencial produtivo e genético: cada granja tem particularidades em sanidade, manejo, estrutura e ambiente que influenciam a resposta dos animais.
- Definir e controlar a curva de consumo: o foco deve estar na ingestão de nutrientes. O animal não consome porcentagens das fórmulas feitas em softwares de nutrição, mas gramas de nutrientes — e conhecer o padrão de consumo dos animais da granja é essencial para formular rações precisas.
- Aplicar feedback constante: após o fechamento dos lotes, comparar os resultados reais com o planejado. Essa análise permite ajustes nas curvas e nas fórmulas, considerando variações de matéria-prima, estação do ano e desempenho.
Nós, da Agroceres Multimix, desenvolvemos uma ferramenta complexa do ponto de vista de estruturação, mas simples na maneira de utilizar e gerir, que, quando aliadas a manejos rotineiros, como a leitura semanal dos silos, permitem visualizar rapidamente se o lote está dentro do consumo esperado. Devemos sempre estipular limites aceitáveis na variação de consumo que irão acender o alerta para revisar o manejo, formulação ou condições de ambiente.








































