Streptococcus suis: a importância da sazonalidade na ocorrência das doenças causadas pela bactéria

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Introdução

O Streptococcus suis é uma bactéria gram +, coco, alfa hemolítico. É considerado um agente endêmico nas granjas de suínos, causando desde artrite em leitões, meningite (mais conhecida nas granjas como encefalite), onfaloflebite (infecção do umbigo), infecções gênito – urinárias em fêmeas suínas, polisserosite, septicemia e morte súbita.

No Brasil, o Streptococcus suis também é perigoso, como agente secundário a doenças virais como a Influenza e a Circovirose. Nos Estados Unidos, Europa e Ásia, também relacionado como secundário ao vírus da PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos).


A sazonalidade

Todos os anos, quando chegamos na estação do outono, com a redução da temperatura e o maior fechamento natural das instalações, o contágio da bactéria aumenta, proporcional à contaminação e à pressão de infecção de cada ambiente.

Podemos dizer que o aumento das ocorrências de Streptococcus suis são sazonais, ou seja, aumentam em determinadas épocas do ano, influenciadas pela mudança do clima quente para o frio, associado à mudança no manejo, com o maior fechamento de cortinas, e redução da ventilação nas salas de maternidade, e de creche, sobretudo.

Por outro lado, testemunhamos graves surtos das doenças causadas pelo Streptococcus suis em pleno verão, no mês de janeiro, no sul do Brasil, em sistemas de crechário. Nesse caso, outros fatores se tornam importantes, como a alta pressão de infecção, causada pela mistura de leitões de muitas origens diferentes (em um exemplo de caso, havia cerca de trinta a quarenta origens diferentes, de leitões, em um único crechário).


1 – O
Streptococcus suis

1.1 – Como doença zoonótica (zoonose):

O Streptococcus suis é também uma doença zoonótica emergente para trabalhadores da suinocultura (doença ocupacional). Em algumas regiões, especialmente em certos países asiáticos, é uma causa frequente de surtos graves em seres humanos expostos a animais doentes ou a produtos suínos contaminados.

As estirpes norte-americanas do sorotipo 2 (mais prevalente) pertencem principalmente ao ST25 (comum a humanos e suínos) e ao ST28 (somente suínos). Além da América do Norte, casos humanos foram descritos pela ST25 na Austrália e na Tailândia. (ST – tipos de sequências).


1.2 – Conhecendo o Streptococcus suis:

A bactéria foi originalmente classificada em 35 sorotipos definidos pelos açúcares presentes na “cápsula” que circunda a superfície bacteriana (a ser debatido se alguns desses sorotipos pertencem ou não a Streptococcus suis). No entanto, os principais sorotipos obtidos em casos clínicos em suínos são o 2 (mundialmente), o 9 (alguns países europeus) e 3, 1/2 e 7 (principalmente na América do Norte e Ásia, no caso do sorotipo 3).

Mais de 50% dos isolamentos são do sorotipo 2, em diversos países.

Uma característica da bactéria é que contém na sua estrutura o ácido siálico (abundante no cérebro humano, utilizado na sinapse nervosa). O ácido siálico (polissacarídeos capsulares – CPS) de cepas de sorotipos 2 promove uma proteção à bactéria contra a fagocitose celular, e ainda está associado à adesão, função similar às adesinas, que são importantes na fixação da bactéria, colonização e invasão nos tecidos do organismo do suíno.

Em um caso que acompanhamos no oeste do estado do Paraná, em 2018, a prevalência – de acordo com os exames realizados – foi, surpreendentemente, o sorotipo 9. Esperávamos encontrar – como de costume – a prevalência do sorotipo tipo 2. Esse fato, levou à decisão na modifcação das vacinas autógenas utilizadas na ocasião.


2 – Fatores predisponentes (“portas de entrada”):

As fêmeas suínas portadoras podem infectar os leitões já na via do parto, mas a infecção ocorre, sobretudo, por via respiratória, quando atinge as tonsilas, que servem de porta de entrada para a bactéria.

Não é de se surpreender que a incidência de Streptococcus suis tenda a aumentar nos meses de outono e inverno, pois os ambientes flutuantes das instalações lidam com taxas de ventilação diminuídas e níveis de umidade aumentados. Outros fatores estressantes, como salas superlotadas, aumentam o desafio.

A pressão de contaminação do ambiente faz a diferença e os manejos dos leitões, como: a amarração e desinfecção do umbigo, corte ou desgaste dos dentes, a falta do corte ou desgaste dos dentes (lesões na boca dos leitões e no úbere das fêmeas), corte da cauda (com ou sem cauterização), mossagem (com ou sem cauterização), castração (quando praticada), determinam o nível de contaminação dos leitões pelo Streptococcus suis, e o desenvolvimento  de várias doenças causadas pela bactéria, sobretudo, as artrites, encefalites e mortes súbita.

Em função da escassez de mão de obra nas granjas de suínos (qualificada ou não), com o exemplo que nos trazem os Estados Unidos, onde os trabalhadores são extremamente  caros, alguns manejos como a amarração, desinfecção do umbigo, e o desgaste dos dentes, foram deixados de lado em várias granjas.

Essa decisão implica em uma maior infecção pelos leitões e precisa ser mais bem discutida nas granjas quanto ao custo / benefício, em função dos altos desafios encontrados e das perdas nos leitões.

O tempo em que o umbigo leva para secar totalmente é suficiente para a maior infecção. O umbigo amarrado, com a utilização do iodo glicerinado e o uso do pó secante, nos confere garantia de uma menor infecção e um melhor desenvolvimento do leitão nos primeiros dias de vida.

Amarração, desinfecção e corte do umbigo.
Secagem do leitão com o pó secante.

O dente desgastado, apenas no terço superior do dente, nos garante a ausência de lesões na boca e úbere das fêmeas, sempre que aconteça quaisquer interrupções na produção de leite, sobretudo, nos meses de verão. As lesões na boca também são consideradas portas de entrada para outras bactérias, como o Staphilococcus hyicus (causador de Eczema úmido ou da chamada Epidermite). O alicate para corte dos dentes e cauda deve ser erradicado das granjas. O corte com o alicate quebra os dentes, como o corte de um galho de uma árvore com o “uso de um facão”. O uso adequado do desgastador promove um desgaste regular do dente, evitando a porta de entrada para as bactérias, como o Streptococcus suis.

Equipamento desgastador de dentes para leitões. – Foto: Proxxon

Para o corte da cauda é fundamental o uso de um equipamento cauterizador. Já estão disponíveis equipamentos para cauterizar a cauda, bem como a cauterização  da mossa australiana, muito utilizada nas granjas para identificação dos leitões, com o mesmo aparelho.

Equipamento cauterizador de cauda e de mossa. – Foto: ITC do Brasil

 

Corte de cauda.

3 – Relato de caso clínico: polisserosite causada pelo Streptococcus suis

O caso aconteceu no dia 06 de maio de 2020, na estação do outono (sazonalidade), em uma granja de ciclo completo na região norte do estado do Paraná.

O histórico é de mortalidade de leitões até a primeira semana de idade, de forma súbita, ou com sintomas de deficiência respiratória.

Nessa ocasião, havia um leitão já morto, sem causas aparentes ou sintomas observados (sete dias de idade), e outro com deficiência respiratória (“batedeira”), com quatro dias de idade.


3.1 – Fatores predisponentes encontrados:

O manejo dos leitões na granja é feito com alicate, para o corte dos dentes e cauda, e não é utilizada a cauterização para o corte de cauda. O umbigo é amarrado e desinfetado com iodo.

O leitão com sintomas foi sacrificado com o uso de aparelho de choque adequado, e realizada a necropsia para o diagnóstico clínico (baseado nos sintomas e lesões macroscópicas).


3.2 – Lesões macroscópicas observadas em necropsia:

Peritonite com grande quantidade de fibrina e material purulento.
Pulmões totalmente aderidos, com pleurisia e pericardite.
Edema de cólon (intestino grosso).

3.3 – Diagnóstico clínico: Polisserosite por Streptococcus suis:

O diagnóstico clínico foi baseado nas lesões macroscópicas observadas: na idade dos leitões, nos fatores predisponentes, e no fato da sala de maternidade estar mais fechada devido à época do ano, com mais frio e, consequentemente, menor ventilação.


3.4 – Diagnóstico diferencial:

Doença de Glässer (Haemophillus parasuis), Pasteurelose (Pasteurella multocida).


3.5 – Observação sobre o diagnóstico:

Segundo as informações obtidas no laboratório CEDISA (Centro de Diagnóstico de Suínos e Aves), de Concórdia – SC, esse tipo de lesão nos órgãos que chegam ao laboratório com polisserosite, apresentada nas ilustrações acima, , são comuns as três bactérias: Streptococcus, Haemophillus e Pasteurella, sendo que qualquer uma das bactérias poderá ser isolada. Esse fato quebra um paradigma, no qual as polisserosites eram atribuídas somente, e diretamente, ao Haemophillus parasuis (Doença de Glässer).

Em um outro caso – este na creche -, em uma UPL no oeste de Santa Catarina em 2018, apresentando as mesmas lesões, foi isolado o Streptococcus suis  no mesmo laboratório CEDISA,  e não foram isolados os demais Haemophillus e Pasteurella, o que confirma a afirmação do laboratório quanto a diversidade de isolamento dos agentes.


3.6 – Tratamento, prevenção e controle:

Foi sugerido ao gerente da granja a melhoria nos manejos com o leitão, na eliminação do uso do alicate e na aquisição de um equipamento para o desgaste dos dentes e de um cauterizador para o corte da cauda.

Sugerido também o tratamento injetável preventivo para toda a leitegada, em que surgiram os casos com amoxicilina ou ceftiofur. Nos leitões doentes, associar com o diclofenaco para o tratamento.

Outra sugestão foi melhorar a ventilação das salas de maternidade, com o melhor manejo das cortinas.


4 – Depoimentos de campo de Médicos Veterinários sobre o relacionamento no dia a dia, com o Streptococcus suis:

4.1 – Huillian Zecchin, médico veterinário, nos traz o seguinte depoimento:

“O Streptococcus suis é uma bactéria bastante conhecida por parte dos produtores de suínos, em suas diferentes fases de produção. Geralmente, sua prevalência a campo é no início do inverno, se estendendo pelos dias frios devido ao acúmulo de gás nas instalações na intenção do produtor em manter os animais mais aquecidos, mantendo as cortinas mais fechadas.

Geralmente, seu tratamento e controle também são bastante conhecidos entre os produtores e profissionais do ramo, evidenciando uma eficiência elevada ao adotar os cuidados de manejo: ventilação para renovação de ar e tratamento oral e/ou injetável com as drogas mais especificas para a enfermidade, como a Amoxicilina e algum anti-inflamatório e antipirético.

Isso também era nosso entendimento e que, até então, sempre foi de boa eficácia em nossas granjas. No início de 2018, em pleno verão do oeste paranaense, começamos a ter casos de encefalite com uma intensidade muito mais elevada do nosso normal.

O problema começou em um crechário onde os leitões apresentavam os sintomas clássicos nervosos da encefalite, porém em uma quantidade significativa de animais e em um dia bastante quente, em um produtor que mantinha um bom manejo geral em seus lotes. Os animais acometidos apresentavam os sintomas clássicos: sintomatologia nervosa, movimentos de pedalagem e febre. Como de prática, as orientações sobre manejo e tratamentos foram repassadas ao produtor. No dia seguinte e nos próximos, o problema aumentava e os tratamentos não surtiam nenhum efeito. Nas coletas, os laudos confirmavam o Streptococcus suis com a sensibilidade para a amoxicilina e outros antimicrobianos para a doença. Nas próximas semanas, outras granjas começaram a apresentar o mesmo problema até que em poucos meses todos os crechários da cooperativa tiveram aumento significativo da mortalidade, devido a esse problema.

Recebemos as visitas de professores e consultores externos para nos auxiliarem na resolução da mortalidade e controle da doença. Para muitos, a situação era simples de se resolver: somente intensificando os manejos e realizando os tratamentos de prática.

Com o passar das semanas, além dos sintomas nervosos nos leitões, nas necropsias, começamos a observar muita fibrina disseminada nos órgãos e artrites, o que era bem sugestivo de outra doença que também acomete com certa frequência os suínos em suas diferentes fases de vida, o Haemophillus parasuis. Novamente nos laudos, os resultados evidenciavam sempre que o Streptococcus era o causador do problema, mesmo sendo repetido e realizado em diversos laboratórios especializados.

Vários tratamentos terapêuticos foram testados, com diferentes dosagens e combinações, além da implementação de vacina autógena específica, porém trazendo pouco resultado efetivo. A mortalidade média de 2% saltou para mais de 6%.

Com toda essa situação, todos os manejos foram intensificados e melhorados desde a limpeza e desinfecção das instalações até os cuidados com a ambiência, qualidade de água, pirâmides, protocolos de vacinações revisados, tratamentos, biosseguridade entre outras ações.

O problema começou a melhorar na cooperativa após o rastreamento das origens mais problemáticas e implementação de pirâmides, separando essas origens das demais. No sistema de UPD também foram adotadas várias medidas, a fim de melhorar a qualidade desses leitões, além da redução significativa do uso de antimicrobianos em todas as fases de produção.

Toda essa situação nos mostrou que, geralmente, o óbvio pode não ser assim. As lesões características sugestivas de alguma doença podem sim ser diferentes, nos reforçando sobre a importância das análises laboratoriais, que mostram que a redução significativa de antimicrobianos realmente é a melhor solução para a melhoria da sanidade geral dos plantéis e que a piramidação e redução de origens se faz extremamente necessária para o controle e disseminação de doenças na cadeia produtiva.”


4.2 –
Rafael Ce Viott, médico veterinário, nos traz o seguinte depoimento:

“Particularmente, não acredito que o Streptococcus suis seja um agente que cause problemas clínicos com o desequilíbrio de um ou dois pontos específicos, como somente a temperatura e manejo de cortina nas épocas frias do ano, como tu comentastes. Claro que esses são pontos importantes a serem considerados e são onde, geralmente, observamos os aparecimentos dos problemas clínicos. Porém, sempre busco observar outros pontos e/ou fatores que possam ter efeito aditivo a ele. Exemplo: Temperatura + Densidade + Qualidade de Instalação, etc.

Quando iniciamos uma discussão sobre Streptococcus suis, devemos nos atentar aos pontos relacionados ao manejo de colostro, cuidados com o cordão umbilical (enfim, todos os cuidados em relação ao momento do parto), qualidade de lavação e desinfecção, política de uso de moléculas antimicrobianas… esses fatores citados, ao meu ver, são essenciais, pois são neles que manteremos ou não a carga bacteriana baixa ou sob controle (visto que pode ser mais penoso ou não, dependendo da realidade de cada granja), para que em eventos, tais, como: baixas temperaturas + falhas no manejo de cortina, ele não se manifeste clinicamente.

Outro ponto que acredito ser pertinente é a respeito de qual fase de produção conversamos (maternidade, creche, etc.). Vejo que, em cada fase, temos seus pontos críticos, porém sendo ou não aditivos no decorrer das etapas de produção, como cuidados com o cordão umbilical e corte da cauda e suas implicações na maternidade, mas também no decorrer da vida do animal.

Passando à questão ‘problema sanitário’, pontos como: protocolos de uso de antimicrobianos e vacinas são cruciais, pois o que geralmente nos vem em mente é o Streptococcus suis sorotipo-2, figurando clinicamente como meningite, mas temos outros sorotipos que podem aparecer causando problemas, como artrites ou pneumonias. Não podemos parar de rever nossos programas de uso de antimicrobianos, pois seu uso excessivo, a médio e longo prazo, pode ser favorável ao aparecimento de resistência de alguns sorotipos do Streptococcus suis (não somente a ele, mas outras bactérias também podem adquirir essa capacidade) frente aos protocolos utilizados. Uma boa alternativa a isso é o uso de vacinas. Vejo que a utilização de um protocolo vacinal para a proteção dos animais é sempre um bom investimento no sistema como um todo, não esquecendo que ele deva ser implantado e ajustado conforme a particularidade de cada sistema.

Resumindo em poucas frases, é o que eu penso a respeito do Streptococcus suis. Penso nele como um problema que deva ser abordado em várias frentes de trabalho, sob o ponto de vista de um problema sistêmico e não pontual.”


5 – Medidas de prevenção, tratamento e controle:

5.1 – Prevenção:

A melhor prevenção é o manejo adequado dos leitões nos primeiros dias de vida, com a adoção dos melhores manejos – aqueles com os maiores benefícios para os leitões – e o uso de equipamentos adequados, que previnam a infecção, como salientamos acima, neste artigo.

A melhoria na limpeza, desinfecção e vazio sanitário das instalações, minimizam ou evitam a maior infecção pelo Streptococcus suis e demais agentes presentes na granja. É importante obedecer a todos os passos da correta desinfecção: eliminação da matéria orgânica (100%); eliminação das gorduras de superfícies (biofilme), com o uso dos detergentes; escolha do melhor desinfetante (amplo espectro) e aplicação da quantidade e diluição corretas de cada produto desinfetante.

Os cuidados na primeira mamada, priorizando a ingestão do colostro, é fundamental aos leitões, sobretudo, nas primeiras horas e nas primeiras vinte e quatro horas da vida dos leitões, para a maior absorção dos anticorpos, e proteção contra todos os agentes virais e bacterianos, incluindo o Streptococcus suis.


5.2 – Tratamento:

O antibiótico de eleição para o tratamento do Streptococcus suis é a amoxicilina. Como é extremamente utilizada, apesar de ser uma penicilina sintética, já apresenta resistência bacteriana ao Streptococcus suis – observados nos antibiogramas – e ineficácia de ação em muitos casos.

Em resultados recentes, como exemplo o MIC (Minimum Inhibitory Concentration) para a amoxicilina, a concentração mínima inibitória (quantidade mínima do antibiótico para inibir o crescimento da bactéria) demonstrou altos valores, o que significa uma alta resistência bacteriana, necessitando maiores doses para obter o resultado desejado, quando assim for possível.

Para tratamento via aplicação injetável são utilizadas as penicilinas sintéticas: amoxicilina e a ampicilina, o ceftiofur (alguns produtos comerciais apresentam melhores resultados, talvez pelas diferenças nos veículos utilizados), e outras penicilinas naturais.


5.3 – Vacinação:

Há muitos tipos de vacinas e todas têm vantagens e inconvenientes.

Os suínos podem ser protegidos injetando-lhes um componente da bactéria (sub-unidade), uma bactéria viva-atenuada ou uma bactéria morta (inativada), estas últimas são as mais seguras, no entanto menos imunogências.

No Brasil, encontramos uma única vacina comercial disponível, exclusiva para o sorotipo 2 (bactéria inativada, com duas doses), com o intervalo entre doses de três semanas. Segundo informações de campo, a vacina tem ajudado no controle das doenças causadas pelo Streptococcus suis.

Há vários laboratórios brasileiros fabricando vacinas autógenas para o controle do Streptococcus suis.

Teoricamente, as vacinas autógenas são a melhor opção, visto que, são fabricadas com agentes coletados na própria granja. No caso do Streptococcus suis, no entanto, ainda buscamos um melhor resultado, mesmo com o isolamento do agente e das cepas presentes naquela granja.

A imunidade é sorotipo específica, ou seja, não há imunização cruzada entre as diferentes cepas, gerando dificuldade em formular produtos comerciais aplicáveis a todos os surtos de infecção pelo agente.

Em função das dificuldades representadas pela diversidade antigênica, uma alternativa usada seria a formulação de vacinas autógenas, que podem reduzir a taxa de mortalidade e representar uma alternativa para rebanhos em que a ocorrência da doença é alta. O uso de adjuvantes oleosos parece melhorar a eficiência do imunógeno, provavelmente por uma melhor estimulação da imunidade celular. O esquema de vacinação envolve duas aplicações nos leitões e, eventualmente, também nas porcas, principalmente quando a doença estiver ocorrendo em idade precoce.


6 – Considerações finais:

6.1 – O Streptococcus suis é um grande desafio, e se torna maior à medida que a falta dos manejos adequados podem transformá-lo em uma super bactéria, resistente aos antibióticos.

6.2 – O Streptococcus suis apresenta sazonalidade, com a prevalência maior no início do outono / inverno, com a redução da ventilação nas instalações, no entanto, outros fatores maiores podem desencadear o problema em qualquer época do ano, inclusive nos meses de verão.

6.3 – As vacinas disponíveis, comerciais ou autógenas, ajudam, porém não são absolutas no controle das doenças causadas pelo Streptococcus suis, daí a importância das melhorias de manejo, que podem ser decisivas no controle.

6.4 – A melhoria do manejo de limpeza e desinfecção das instalações, aumento do vazio sanitário e dos manejos nos primeiros dias com os leitões, associados à vacinação e medicação específica, demonstram ser eficazes no controle das doenças causadas pelo Streptococcus suis, salvo em situações extremas em que outras medidas, como segregação de leitões por origem em pirâmides, são também necessárias.

6.5 – Sendo, o Streptococcus suis considerado uma zoonose, se reforça muito os cuidados dos colaboradores das granjas, no uso dos EPIs adequados (equipamentos de segurança individuais), com o uso de luvas, máscaras, botas, e desinfetantes no manuseio dos leitões, placentas, suínos mortos, e nas tarefas diárias da granja, em todos os setores.

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Referências bibliográficas:

ESTRADA, A.; JOHNSON, C.; SUNDBERG, P. Streptococcus suis leads SHIC’s Swine Bacterial Disease Matrix list. Pig Health Today – Zoetis, janeiro de 2019.

SEGURA, M. Á procura de uma solução para o Streptococcus suis. Artigo publicado em agosto de 2019, site 3tres3, A página do suíno.

SANTOS, J. L.; BARCELLOS, D. Meningite estreptocócica. Doenças dos Suínos, 2007.

CEDISA, laboratório de diagnóstico. Concórdia – SC. 2018.

ZECCHIN, Huillian; VIOTT, Rafael. Depoimentos de campo. Maio de 2020.

BARCELLOS, D.E.S.N.; BOROWSKI, S.M.; ALMEIDA, M. N. Anais do XIII congresso ABRAVES.

DAL BEM, E. L. Epidemiologia e anatomopatologia de lesões pulmonares de suínos. Curitiba, 2008.

ROCHA, D.L.; SANTOS, L.F.; SANTOS, D.L.; W.M.T. COSTA,W.M.T.; SANTOS, J.L. Sorotipos de Streptococcus suis identificados em suínos com meningite no estado do Paraná. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.64, no.2, Belo Horizonte. Abril de 2012.

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