Coturnicultura – Uma visão geral

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Coturnicultura – Saiba mais sobre ela

Dentro da avicultura, a coturnicultura é um segmento destinado à criação de codornas, seja para fins comerciais ou até mesmo para consumo próprio. Tem apresentado um desenvolvimento bastante acentuado nos últimos anos, no qual a atividade, tida como de “fundo de quintal” e de subsistência, passou a ser considerada altamente tecnificada, com resultados promissores aos produtores. As codornas são originárias do norte da África, da Europa e da Ásia, pertencendo à família dos Fasianídeos (Fhasianidae) e à sub-família Perdicinidae, e do gênero Coturnix.

Inicialmente, foi criada na China e Coréia, em seguida no Japão, por pessoas que apreciavam seu canto. Por volta de 1910, os japoneses iniciaram estudos e cruzamentos entre as codornas provindas da Europa e espécies selvagens, obtendo-se assim um tipo domesticado, que nomearam de Coturnix coturnix japonica, com plumagem cinza-bege e pequenas listras brancas e pretas (Pinto et al., 2002). O macho apresenta coloração relativamente uniforme e são mais leves em relação às fêmeas, em função do elevado peso do aparelho reprodutivo das fêmeas, podendo representar 10% do seu peso vivo.

Em 1950, a codorna foi introduzida no Brasil por imigrantes italianos e japoneses, com interesse inicial pelo seu canto. Em 1963, houve significativo aumento na procura e no consumo dos ovos de codornas, por incentivo da canção popular: “Ovo de codorna”, música de Severino Ramos de Oliveira, interpretada por Luiz Gonzaga. A música destacava as vantagens afrodisíacas sobre o vigor sexual masculino, ao se consumir o ovo de codorna, fato que a ciência comprovou não ser verídico, ou seja, apenas um mito. A criação comercial de codornas teve início em 1989, quando uma grande empresa avícola brasileira resolveu implantar o primeiro criatório no sul do Brasil.

O rápido crescimento, a precocidade na produção e a maturidade sexual (35 a 42 dias), pequenos espaços para grandes populações e baixo investimento, são atrativos para iniciar a criação de codornas. No Brasil, o setor da coturnicultura é significativo, porém está limitado pelos matrizeiros, devido aos seus incrementos anuais de produção de pintainhas (Bertechini, 2010).

O plantel de codornas cresceu em 2018 e alcançou a marca de 16,8 milhões de cabeças, um aumento de 3,90%, frente a 2017; enquanto a produção de ovos caiu 2,1%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019). A maior concentração de aves está localizada na região Sudeste – responsável por 64%, sendo que o município de Santa Maria de Jetibá-ES detém a maior quantidade de animais e lidera a produção de ovos. O efetivo de aves no município cresceu 35,70%, em relação a 2017, o que resultou em um aumento de 31,70% na produção de ovos de codornas. Bastos-SP detém a segunda posição e teve redução do efetivo em 33,3%; e da produção de ovos de codornas em 31,7%.

Interessante observar que as regiões de maior produção de ovos de codorna também são polos tradicionais na produção de ovos de galinhas. O ovo de codorna representa, aproximadamente, um quinto do tamanho do ovo de galinha, variando de 7 a 15g(uma média de 10g de peso), representando em média, 8% do peso da codorna, enquanto essa proporção é de 3% para o ovo da galinha.

O crescimento constante do consumo dos ovos de codornas nos últimos anos pode estar relacionado a fatores, como: mudanças sociais e de hábitos da população, com mais refeições “fora de casa” (self-service); aumento da produção, que reflete no preço do produto; melhor informação da qualidade do produto; comercialização de ovos industrializados, com fácil acesso aos consumidores. Devido ao seu reduzido tamanho, o ovo de codorna tem conquistado a simpatia das crianças, adolescentes e adultos de forma geral. Atualmente, cerca de 28% dos ovos de codornas consumidos são em conserva, 71% in natura e apenas 1% de outras formas (Bertechini, 2010).

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Importante ressaltar que temos duas codornas de produção: a codorna europeia (Coturnix coturnix), destinada à produção de carne, pois se trata de uma ave mais pesada do que a codorna japonesa (Coturnix coturnix japonica), a qual é indicada para produção de ovos comerciais; Existe também a codorna americana, chamada de “Bob White” que, juntamente com a codorna europeia, são indicadas para produção de carne.

A exploração da carne de codorna no Brasil ainda não está bem estabelecida. Com características de maciez, excepcional sabor exótico de sua carne, responsável por iguarias finas e sofisticadas, alta procura de carne de qualidade no mercado, torna-se uma atividade altamente promissora no país. Pesquisas indicam que a carne de codorna é excelente fonte de aminoácidos, vitaminas (B1, Niacina, B2, Ácido Pantotênico, B6), minerais (ferro, fósforo, zinco e cobre) e ácidos graxos. Os maiores produtores de carne de codorna, são: a China, Espanha e França. O Brasil ocupa o quinto lugar na produção de carne de codorna no cenário mundial (Silva et al., 2011).

A escolha da localização da criação deve-se levar em conta a facilidade de abastecimento da granja com as matérias-primas, escoamento da produção, região sem bruscas variações climáticas, com boa ventilação e boa qualidade de água. A estrutura deverá ser construída em função das exigências ambientais dos animais, proporcionando ótima condição de conforto para que as aves expressem ao máximo seu potencial genético.

Existem dois sistemas de criação de codornas: criação no piso, a qual consiste, basicamente, em criar as aves soltas sobre um material adsorvente (cama), além disso, é sistema de menor tecnologia e maior economia quando implantado; Criação em gaiolas, evidenciando um sistema mais moderno, com maior tecnologia e melhor controle produtivo das aves, porém com desvantagem devido ao alto custo das instalações.

A nutrição desempenha papel fundamental na obtenção de bons índices produtivos. Uma dieta balanceada, com ingredientes de qualidade, são fundamentais para que a codorna possa expressar todo seu potencial genético. As codornas exigem mais proteína e aminoácidos, menos cálcio e mais energia para mantença, do que as poedeiras comerciais.

Como considerações, podemos descrever que a criação de codornas deve seguir regras básicas de manejo, nutrição, sanidade e instalações, para que o retorno seja sustentável e a cadeia produtiva – como um todo – possa se desenvolver ainda mais, com eficiência e rentabilidade.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

REFERÊNCIAS:

BERTECHINI, A.G. Situação atual e perspectivas para Coturnicultura no Brasil. In: Simpósio Internacional e III Congresso Brasileiro de Coturnicultura. 2010. Lavras: Anais… Lavras – MG, 2010.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em <http://www.agricultura.gov.br> . Acessado em 29/10/2019.

PINTO, R.; FERREIRA, A.S.; ALBINO, L.F.T. et al. Níveis de proteína e energia para codornas japonesas em postura. Revista Brasileira de Zootecnia, V.31, n.4, p.1761-1770, 2002.

SILVA, J.H.V.; FILHO, J.J.; COSTA, F.G.P. et al. Exigências nutricionais de codornas. In: XXI Congresso Brasileiro de Zootecnia – Zootec 2011, Maceió: Anais… Maceió – AL, 2011.

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