Nutrição de precisão em frangos de corte - Blog da Agroceres Multimix

Nutrição de precisão em frangos de corte

Quando pensamos em “precisão”, algumas palavras vêm à mente, como: exatidão, certeza, acerto, impecabilidade, perfeição e primor. Antes de termos a precisão em qualquer situação, precisamos definir o objetivo – o alvo -, pois sem a acurácia do acerto no objetivo, não alcançaremos a precisão. A definição do objetivo estabelece as metas, que direcionam nossos esforços. Já dizia o ditado: “para quem não tem destino, qualquer caminho serve”. Temos, portanto, que definir – primeiramente – nossos objetivos, como: peso ao abate, produção em toneladas de carne, qual conversão alimentar e qual custo, entre outros.

Costumo dizer que a avicultura se assemelha muito à Fórmula 1. O que há de mais novo em tecnologia, está nessa atividade. A velocidade de mudança é alta e constante. A cada ano, um novo carro ou uma nova genética. A corrida é curta. São 42 voltas ou 42 dias. As tomadas de tempo são medidas na terceira casa decimal, assim como o custo do frango também é avaliado. Todos os corredores estão na mesma volta, já na avicultura, quem não está no mesmo padrão de custo está fora do mercado. Assim como cada corrida é única, tem um circuito específico, um ajuste de carro diferente, na avicultura, precisamos fazer os ajustes necessários para cada objetivo, de cada empresa e de cada mercado. O mecânico e os engenheiros fazem os ajustes necessários para atingir todo potencial do carro, da mesma forma que os nutricionistas fazem para aprimorar todo o potencial do frango.

O processo de nutrição de precisão envolve todo sistema de alimentação das aves e se assemelha ao PDCA. O PDCA é uma ferramenta de gestão na qual temos a fase de planejamento (Plan), execução (Do), checagem (Check) e de agir ou ajustar (Act).

Na fase de planejamento, definimos as exigências nutricionais das aves com base no nosso objetivo de desempenho e determinamos as matrizes nutricionais dos alimentos que vamos trabalhar. As exigências nutricionais das aves são obtidas de diferentes fontes. Podemos tomar como base manuais de linhagens, experimentos de doses-respostas, equações de exigências de nutrientes, o conceito de proteína ideal, programas de modelagem biológica, sempre levando em conta o custo final da operação. A definição de objetivos de desempenho, de mercado (interno/externo), de custo, de comercialização (carcaça/corte), de restrições (ração vegetal/antibiotic free), vai nos guiar na definição inicial das exigências nutricionais.

Ajustes serão necessários para adequar às condições de criação e necessidades específicas. Genética, sexo, desafio sanitário, clima, temperatura, umidade, qualidade do ar, tipo de galpão, respostas de desempenho, densidade, oferta e qualidade de matéria prima, capacidade e qualidade da fábrica de ração, são alguns aspectos a serem considerados. O programa de promotores e anticoccidianos vai ser ajustado de acordo com os desafios de campos e as restrições de uso do mercado a ser comercializado. O perfil de vitaminas também deve ser ajustado, se a ração for peletizada ou extrusada.

O nutricionista deve coletar as informações necessárias, para definição dos níveis nutricionais a serem trabalhados. Hoje, já existem aplicativos que ajudam na coleta dessas informações, gerando um amplo banco de dados com históricos que facilitam a tomada de decisão. Programas de modelagem abastecidos com diversas variáveis de criação e com equações que refletem a realidade também auxiliam na definição da estratégia nutricional, porém todas estas ferramentas não substitui a visita técnica do nutricionista ao campo.

A determinação e acurácia das matrizes nutricionais dos ingredientes escolhidos são de extrema importância para que o nível nutricional da formulação pré-definida corresponda à realidade. A amostragem define a representatividade do que se realmente tem na fábrica. Um plano de amostragem deve ser definido baseado na quantidade, no número de fornecedores, e na frequência de entrega da matéria-prima. Um laboratório para controle de qualidade é crucial para um bom banco de dados de nutrientes. Hoje, o uso do Nirs (Near Infra Red Spectrometry) nos possibilita um número muito grande de informações que devem ser trabalhadas, pois, de outra forma, continuam sendo apenas dados. As análises de matérias-primas nos possibilitam atualizar as matrizes e nos ajudam a manter a qualidade, monitorando e qualificando fornecedores.

Após definido os níveis nutricionais da fórmula e as matrizes dos ingredientes, podemos executar a formulação. Essa já é uma fase do “fazer” do PDCA. No processo de otimização de fórmula podemos ter alguns estudos, como uma análise paramétrica, na qual avaliamos a viabilidade econômica de ingredientes alternativos. Verificamos também a melhor distribuição de um ingrediente restrito para o melhor custo no geral. Verificamos o consumo total de matéria-prima durante o mês, o peso do custo de cada ingrediente e a contribuição nutricional de cada um.

O controle de qualidade de uma fábrica de ração está, tanto no processo de planejamento, ajudando a construir a matriz nutricional, quanto na rotina de execução de uma fórmula. Análises rápidas, como: classificação do milho, urease do farelo de soja, peróxidos em farinhas de origem animal e óleos, ajudam muito a restringir a entrada de ingredientes de baixa qualidade na fábrica, possibilitando, inclusive, a elaboração de um ranking de fornecedores, ajudando no direcionamento de compras. A verificação de todo processo de produção ajuda a manter a qualidade do produto acabado.

A fábrica de ração é o coração de uma integração de frangos de corte. Ela é capaz de contribuir com o sucesso ou fracasso de toda a operação. As Boas Práticas de Fabricação (BPF) nos auxiliam a manter esse processo em conformidade, com os padrões pré-estabelecidos. Em todo processo produtivo deve ser checado os pontos críticos e cada um deve ter seu padrão e seus indicadores a serem avaliados. O cuidado na recepção da matéria-prima, direcionamento ao silo correto de armazenagem, evitando contaminação cruzada, fazendo uma devida pré-limpeza do milho – se possível utilizando uma mesa densimétrica para melhorar ainda mais a qualidade do milho a ser armazenado -, tudo isso contribui para garantir que cada ingrediente tenha seu destino correto dentro da fábrica. O processo de armazenagem deve preservar a qualidade do ingrediente estocado. Além disso, a moagem dos ingredientes favorece a homogeneidade das partículas e facilita a mistura; e o diâmetro geométrico médio (DGM) deve ser monitorado. A pesagem é parte crucial do processo, e uma pequena variação pode levar ao fracasso, por isso as balanças devem ser aferidas e esta etapa deve ter um cuidado especial. A qualidade de mistura é crucial para que a ração fique homogenia, evitando segregação de partículas e contribuindo para que todas as aves, ao se alimentarem, possam ter acesso aos mesmos nutrientes e aditivos. Esse processo deve ser monitorado através do coeficiente de variação de mistura (CV). O direcionamento de silo para armazenagem do produto acabado deve ser verificado para evitar contaminação cruzada, colocando em risco todo o processo produtivo. A expedição e transporte devem ser controlados para evitar equívocos de envio de rações erradas. Não adianta todo processo anterior ter a “nutrição de precisão”, ou seja, uma fórmula perfeita, que corresponde integralmente a realidade dos ingredientes misturados, processos de fabricação adequado, mas entregue uma granja que não corresponde à sua fase.

Na granja, a alimentação das aves deve ser garantida. Ter fácil acesso ao alimento e água, uma boa relação de equipamentos, densidade compatível com o tamanho da granja e número de equipamentos, água de qualidade, favorecerão o bom resultado. Nessa etapa, além da execução da alimentação, está a fase de “check”. Dados devem ser coletados para verificarmos o andamento da resposta à formulação, como: o peso das aves, semanal ou diário. Já existe tecnologia de balanças dentro do galpão que nos dão informação em tempo real. O consumo de ração pode ser monitorado com avaliação do volume nos silos, diariamente. Existem silos com células de carga que nos dão o consumo on line da ração. A medição do consumo de água nos evidencia qualquer alteração no comportamento das aves. O monitoramento da saúde intestinal, junto com o desempenho do plantel, nos auxilia na resposta ao programa de aditivos. A manutenção da biossegurança e o acompanhamento de desafios também permitem ações corretivas rápidas. O controle de uma boa ambiência e qualidade do ar favorece o desempenho e manifestação de todo o potencial das aves com o alimento.

O monitoramento das respostas deve ser seguido de perto pelo nutricionista que, prontamente, fará as correções necessárias da formulação. Essa seria a fase do “act”, agir. Dessa forma, inicia-se uma nova formulação, que deve ser guiada pelo nutricionista em todo o processo (fórmula), até chegar ao bico da ave e se transformar em carne. Lembrando que: sempre guiado pelo objetivo central de produção da empresa.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Flávio Ruiz

Flávio Ruiz

Flávio Ruiz é Gerente Regional de Avicultura da Agroceres Multimix.

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