Por dentro do cocho: O que precisamos saber quando falamos em DDG?

1
754

Grãos de destilaria, também conhecidos como DDG e WDG, são coprodutos originados no processamento do milho para obtenção de etanol e estão cada vez mais populares nas dietas de bovinos no Brasil.

Para cada tonelada de milho processada são produzidos, na média, 300 kg de DDG, 430 litros de etanol e 15 litros de óleo, variando de usina para usina. Atualmente, com a produção de etanol na safra 2020/2021 estimada em 2,6 bilhões de litros, serão comercializados cerca de 1,8 milhões de toneladas de DDG, uma quantidade relativamente pequena, frente a demanda aquecida do mercado.

Com a demanda crescente por biocombustíveis, aliada às vantagens em se produzir etanol a partir do milho, as projeções indicam que até 2027/2028 a produção de etanol saltará para 7,5 bilhões de litros, o que levará a uma oferta para o mercado de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de DDG. Com o expressivo aumento na disponibilidade desse insumo, a tendência é que seu preço diminua e, assim como aconteceu nos Estados Unidos, esse insumo passe a ser utilizado como fonte proteica e energética nas formulações.

Para saber como utilizá-lo nas formulações, nada melhor do que a análise do processo de produção do etanol para visualizar os coprodutos que estão sendo gerados e ofertados no mercado.

Basicamente, existem dois tipos de processamento do milho para produção de etanol: o convencional e o com extração da fibra antes da fermentação.

O processamento convencional tem início com a moagem do milho que, após cozido, segue para a etapa de fermentação e destilação, originando o etanol e um material residual. Do resíduo da fermentação e destilação são produzidos 3 outros produtos: óleo, solúveis e o WDG. Os solúveis podem ou não ser incorporados ao WDG e, ao acrescentá-los, origina-se o WDGS. O WDG e o WDGS podem ser comercializados ou ainda passar por um processo de secagem, dando origem do DDG e DDGS.

Existe uma outra planta industrial que envolve a extração da fibra antes do processo de fermentação. Nesta, as etapas iniciais são semelhantes nos dois métodos (moagem e cozimento), havendo a diferenciação antes da etapa de fermentação, em que ocorre a separação da fibra do grão (casca). Após a retirada da fibra, o material que sobra (com maior concentração de amido e proteína), passa pelo processo de fermentação e destilação, originando o etanol e um resíduo. Da mesma forma, esse resíduo origina 3 coprodutos: óleo, solúveis e um coproduto úmido com alta proteína. Esse material proteico poderá ser comercializado úmido ou ainda passar por um processo de secagem. A fibra que foi separada antes da fermentação e destilação (coproduto úmido), também é comercializada com ou sem solúveis, podendo ou não passar pelo processo de secagem. Os dois coprodutos (proteico e fibroso) produzidos por esse método de processamento são, por vezes, comercializados de forma equivocada como DDG, sendo possível encontrá-los no mercado com o nome de DDG com alta proteína e farelo de milho.

Em resumo:

Devido aos 2 tipos de processamento adotados é possível produzir 3 tipos de coprodutos, com características bem distintas e que, por isso, contribuirão de forma diferente nas dietas de bovinos:

 – WDG/DDG tradicional: são os verdadeiros grãos de destilaria. Apresentam elevada fibra digestível e a maior parte da sua proteína não é degradável no rúmen (PNDR). Podem ou não ser acrescidos de solúveis;

DDG com alta proteína: produto com menor teor de fibra digestível e elevado teor de proteína, sendo a maior parte PNDR. Normalmente, não recebem os solúveis. Se enquadra como uma boa fonte de proteína (PNDR) em dietas/rações ou suplementos a pasto;

Farelo de milho: produto com elevado teor de fibra digestível, baixo teor de proteína, que pode ou não receber os solúveis. O alto teor de fibra digestível contribui para manter um bom ambiente ruminal em dietas com elevada fermentação de amido;

Com os diferentes coprodutos disponíveis no mercado, conhecer o tipo de processamento empregado pelo fornecedor do coproduto é uma forma eficaz de saber qual produto está sendo comercializado, dessa forma é possível avaliar seu custo-benefício e adequar a dieta de maneira mais correta.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Resolva a conta abaixo *OBRIGATÓRIO