Nutri&Aves: Qualidade da casca dos ovos para poedeiras comerciais

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Qualidade da casca: uma imagem mostrando ovos em suportes pra ovos

Qualidade da casca dos ovos para poedeiras comerciais

Qualidade da casca de ovos das galinhas poedeiras comerciais é um fator que se não observado e dado sua devida atenção pode trazer prejuízos ao produtor, por isso,  a Agroceres Multimix vai falar sobre esse assunto para você poder analisar e melhorar a qualidade da casca dos ovos das poedeiras comerciais.

Com o passar dos anos, a avicultura de postura tem evoluído muito e, como segmento importante na produção de alimento, tem se adequado às técnicas que possibilitam a melhoria da eficiência de produção. Devido ao melhoramento genético, as aves tornaram-se mais precoces e com maior longevidade na produção e nesse contexto, todos os outros pilares (nutrição, manejo, sanidade, ambiência, etc.) devem estar alinhados com essa evolução para proporcionar as melhores condições para as aves.

O Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais de ovos. O plantel de poedeiras comerciais em 2018 foi de, aproximadamente, 160 milhões de aves, com uma produção anual próximo de 3,68 bilhões de dúzias de ovos (IBGE, 2019). A grande maioria desses ovos é destinada ao consumo interno, com cerca de 212 ovos consumidos per capita por ano em 2018 (ABPA, 2019).

Existe uma relação direta entre o peso das aves e seu desenvolvimento corporal, com o peso dos ovos. Portanto, aves que iniciam o ciclo de produção ainda sem seu desenvolvimento corporal ideal, são aves que passarão todo o período de postura pondo os menores ovos do lote. Não obstante, essas mesmas aves que não obtiveram o desenvolvimento corporal ideal podem apresentar alta incidência de fadiga de gaiola, inconsistência em pico e percentagem de postura, canibalismo e aumento do prolapso de ovidutos (LEESON & SUMMERS, 2005).

Qualidade da casca - uma imagem mostrando as galinhas e alguns ovos

No decorrer do desenvolvimento da poedeira, há uma ordem de crescimento entre os tecidos, sendo que essa sequência de crescimento é importante para o direcionamento dos nutrientes fornecidos às aves. A sequência é iniciada pelo desenvolvimento do tecido nervoso, seguido pelo tecido ósseo, muscular e adiposo (LAWRENCE & FOWLER, 1997).

A fase de recria é marcada pela maior parte do desenvolvimento ósseo. Toda atenção deve ser tomada nessa fase para uma ótima formação do esqueleto, pois este contribuirá de forma efetiva na qualidade da casca dos ovos. Considera-se essa fase a partir dos 42 dias de idade até a 17ª semana de idade. Nesse período, há um aumento de 44% no peso, devido ao desenvolvimento do tecido ósseo. Por esses fatores acima, a nutrição deve receber atenção especial para a formação óssea (BRITO, 2005).

Problemas relacionados à má qualidade da casca representam, consideravelmente, a causa de perdas econômicas na fase de produção, visto que milhões de ovos deixam de ser comercializados ou têm seus preços reduzidos (FASSANI et al., 2000; ROBERTS, 2004).  Entre 6 a 12% dos ovos de poedeiras são perdidos antes e durante o processo de coleta, por apresentarem algum tipo de problema.

Resumidamente, a estrutura da casca é composta por cinco camadas diferentes (Figura 1). Estas incluem, de dentro para fora: as membranas da casca (interna e externa), camada mamilar, camada paliçada, camada de cristal vertical e cutícula.

Qualidade da casca - uma imagem mostrando a estrutura da casca
Figura 1 – Representação da estrutura da casca do ovo (Roberts, 2004).

Outro ponto a ser observado é o balanceamento das rações, que deve estar em níveis adequados para formação óssea e para a formação da casca dos ovos, pois as poedeiras modernas são muito sensíveis às variações dos níveis nutricionais da dieta (aminoácidos, vitaminas, minerais, etc.).

O cálcio e o fósforo são indispensáveis para a produção e a qualidade dos ovos, pois o cálcio é o principal componente da casca do ovo; e o fósforo disponível é fundamental para sua adequada mineralização e calcificação, sendo que a eficiência de utilização desses minerais está relacionada com a quantidade, e relação, entre eles.

Segundo Mazzuco (2019), os órgãos envolvidos no controle da homeostase do Ca sanguíneo são: os rins, os intestinos e os ossos, este último atuando pelo mecanismo da reabsorção óssea, particularmente dos ossos medulares, prontamente formados na franga sexualmente madura.

Outro ingrediente essencial é a vitamina D3, que deve estar em níveis adequados para manter a produção de ovos, a formação da casca e a homeostase do cálcio.

Os minerais são elementos considerados essenciais para uma boa nutrição e estão envolvidos em um grande número de funções metabólicas no organismo. Outra estratégia nutricional seria a utilização de minerais orgânicos que proporcionam uma maior biodisponibilidade, ou seja, melhor aproveitamento com menos excreção pelos animais.

O mecanismo de formação da casca é um processo dinâmico e dependente de vários fatores, sendo a compreensão de todos, fundamental para escolha adequada da linhagem, níveis nutricionais, condições ambientais e de manejo, que favoreçam a formação adequada da casca e, consequentemente, da qualidade externa dos ovos.

Como considerações, podemos concluir que a fase mais importante da poedeira comercial é a recria, na qual devemos oferecer as melhores condições sanitárias, ambiência, manejo, nutricional (correto fornecimento de cálcio, fósforo disponível, qualidade de mistura) proporcionando à ave uma boa formação óssea, com boa uniformidade do lote, reserva corporal, sendo fundamental para a longevidade de produção das aves.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix


Referências Bibliográficas:

ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Disponível em: http://abpa-br.com.br/noticia/consumo-de-ovo-em-2018-sera-o-maior-da-historia-destaca-a-abpa-2572. Acessado em 10 de fevereiro de 2019.

BRITO, J. Á. G. Uso de microminerais sob a forma de complexo orgânico em rações de frangas na fase de recria. Brasil. 63p. 2005. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Larvas, Minas Gerais, 2005.

FASSANI, E.J.; BERTECHINI, A.G.; OLIVEIRA, B.L. et al. Manganês na nutrição de poedeiras no segundo ciclo de produção. Ciência e Agrotecnologia, v.24, n.2, p.468-478, 2000.

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Disponível em: ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Pecuaria/Fasciculo_Indicadores_IBGE/abate-leite-couro-ovos_201602caderno.pdf. Acessado em 10 de fevereiro de 2019.

LAWRENCE, TLJ; FOWLER, VR Crescimento de animais de fazenda . CAB International. 1997. 329 p.

LEESON, S; SUMMERS, JD Commercial Poultry Nutrition. 3ª ed., Guelph: University Books, 2005. 398p.

MAZZUCO, H. Boas práticas na recria de frangas comerciais>. Disponível em: http://www.avisite.com.br/cet/img/boapraticas_recria.pdf. Acesso em 18 de fevereiro de 2019.

ROBERTS, JR Fatores que afetam a qualidade interna do ovo e a qualidade da casca de ovo em poedeiras. Journal of Poultry Science , v.41, p.161-177, 2004.

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