água limpa dos animais é realmente limpa? Você beberia?

Gestão Enfoco: Você beberia a mesma água que fornece a seus animais?

água limpa dos animais, é realmente limpa? Você beberia?

água limpa dos seus animais é realmente limpa? Você beberia? Esta é uma pergunta muito importante a se fazer e nós vamos falar sobre esse assunto e como  você pode melhorar a qualidade da água de seus animais e  tornar ela uma literalmente água limpa.

Desde pequenos, somos instruídos a respeito da importância da água para nossa saúde, ou melhor, para a vida em geral. Uma frase clássica, que acredito que todos já devam ter ouvido pelo menos uma vez é: “você precisa beber no mínimo 2 litros de água por dia; água é essencial para a vida e para saúde”. Beber água não serve somente para matar a nossa sede, seu papel em nosso organismo é muito mais amplo e essencial, sendo assim, ingerir água em quantidade adequada, fresca, transparente e sem odor, ou seja, uma água de boa qualidade, é o segredo para uma vida saudável.

Quando pensamos na produção animal, não é diferente, pois a água apresenta papel fundamental na produtividade do sistema. Nesse sentido, desafio você a pensar na seguinte questão: o quanto estamos atentos ao consumo e a qualidade da água que ofertamos aos animais?

A importância da água limpa para um bovino pode ser representada, por exemplo, pela sua participação na composição corporal, na qual cerca de 60 a 70% do seu peso é composto por água. Além disso, a água participa de diversos processos importantes do metabolismo do animal, sendo fundamental para: lactação, fermentação ruminal, digestão dos alimentos, regulação da temperatura corporal, deposição de tecidos, entre outros.

Em uma atividade na qual o objetivo é produzir carne, as condições para deposição de tecido, principalmente muscular, devem ser ideais. Para cada 1 grama de proteína depositada no músculo, outras 3 gramas de água são necessárias, então, se o objetivo é maximizar o ganho de peso dos animais, de nada adiantará fornecer somente uma suplementação ou dieta de confinamento ideais e/ou boas condições de pastagens. Sem a ingestão de água de qualidade, não existe ganho de peso otimizado.

água limpa: a imagem está mostrando um bebedouro com água suja

Um bovino de corte pode consumir um volume de água correspondente a 15% do seu peso corporal, ou seja, se considerarmos um animal de 450 kg, a ingestão de água diária poderá atingir a faixa de 67 litros. No entanto, esse consumo pode variar em função de diversos fatores, como por exemplo: raça do animal, sexo, tamanho corporal, temperatura ambiente, quantidade de sódio na formulação da dieta ou do suplemento, quantidade de sódio presente na água, entre outros.

Devido ao elevado volume de água necessário para atender à exigência de um animal, planejar o seu fornecimento é um ponto essencial em um projeto pecuário. Para planejar a quantia necessária de água para determinado lote, alguns pontos precisam ser definidos, como: qual categoria animal será trabalhada no lote; quantos animais farão parte do lote; qual será o peso médio em cada lote.

água limpa: a imagem está mostrando um bebedouro onde bois estão tomando uma água suja

Para exemplificar esse raciocínio, vamos considerar um lote de 80 animais, com peso médio de 400 kg. Como a ingestão de água de um animal é de cerca de 15% do seu peso corporal, logo, cada animal do lote precisará de 60 litros de água por dia (400 kg x 15%). Dessa forma, a necessidade de água diária para o lote será 4.800 litros (80 animais x 60 litros). O próximo passo seria definir uma vazão para esse projeto. Para isso, é preciso ter em mente que o ideal é garantir o fornecimento (total) de água necessária para o dia, em até 4 horas. Então, se a necessidade de água é 4.800 litros/dia, a vazão necessária será 1.200 litros/hora (4.800 litros/4 horas).

Se em projetos mais antigos é possível encontrar bebedouros maiores, servindo também como reservatórios, nos projetos mais atuais os bebedouros são menores, o que facilita a sua limpeza, garantindo água limpa e fresca para os animais. No entanto, para que os bebedouros menores funcionem, é necessário garantir alta vazão, principalmente no confinamento. No caso dos animais mantidos a pasto, além da vazão adequada, é necessário dimensionar o bebedouro de forma que permita o acesso de 5-10% do lote de uma vez, isso porque os bovinos são animais gregários, que chegam e partem juntos do bebedouro e cocho, conduzidos pelo dominante.

Independentemente do tamanho do bebedouro adotado na fazenda, um bom reservatório de água deve ser visto como algo fundamental para o projeto, uma vez que, qualquer propriedade está sujeita a problemas no encanamento e/ou bomba, entre outros contratempos que podem afetar o fornecimento de água aos animais. O planejamento do reservatório deve garantir o fornecimento de água para o rebanho por 3 ou 4 dias. Para o cálculo da capacidade do reservatório, basta multiplicar o volume diário de água necessário para atender todos os animais que seriam abastecidos pelo reservatório, por 3 ou 4 dias. No caso do exemplo já citado, o reservatório precisaria ser projetado para armazenar 14.400 litros de água (80 animais x 60 litros x 3 dias).

Outro ponto importante no momento do projeto são as localizações dos bebedouros. Em sistemas de pastejo, alguns estudos mostram que, aproximadamente, 70% dos animais pastejam – em média – em um raio de até 400 metros de distância dos locais onde estão instaladas as fontes de água e suplementos (sal mineral, proteinados, rações). Em casos de piquetes de pastagem com boa disponibilidade de capim, mas com aguada natural muito distantes, , vale à pena considerar a construção de bebedouros artificiais próximos aos cochos de suplementos, contribuindo assim para a melhora do desempenho dos animais.

água limpa: a imagem está mostrando um lago onde os bois bebem água e está sujo

Quando se trata de água, não só o seu fornecimento é importante. O famoso ditado: “O boi que chega primeiro bebe água limpa”, diz muito sobre a importância da qualidade da água. O boi que bebe água limpa tem melhor desempenho. Há evidências que indicam um aumento de até 17% no desempenho de animais que consomem água limpa, quando comparados com animais que não têm acesso à água de qualidade.

 A frequência em que os bebedouros são limpos é outro ponto primordial. Os bebedouros em baias de confinamento e terminação intensiva a pasto (TIP) requerem lavagens mais frequentes, devido à grande quantidade de ração levada para os bebedouros através da boca dos bovinos. Nesse caso, o recomendado é lava-los pelo menos duas vezes por semana. Já em sistemas de cria e recria, as lavagens podem ser organizadas quinzenalmente, porém, nesse intervalo de tempo, o ideal é sempre observar se há fornecimento de água nos bebedouros.

água limpa: a imagem está mostrando um "tanque" com uma água totalmente suja dos bois

A desidratação ou a baixa ingestão de água podem ser observadas através de algumas características apresentadas pelos animais como, por exemplo: fezes ressecadas (aneladas), pouca urina, baixo consumo e até mesmo acidose. É muito importante estar atento aos sinais de desidratação, buscando a fonte do problema e evitando assim maiores danos econômicos devido à queda no desempenho.

Para dimensionar o tamanho do impacto financeiro que a falta de água pode proporcionar, vamos a um exemplo bem simplista: considerando que a falta de água faça com que os animais deixem de ganhar 0,100 kg/dia, uma fazenda com 400 animais em recria, durante 1 ano, estaria deixando de produzir 14.600 kg de peso vivo (400 animais x 0,100 kg x 365 dias). Se 1 kg do animal for comercializado por R$ 5,00 (R$ 150,00/@), a fazenda estaria deixando de ganhar R$ 73.000 no ano. Percebam que, um animal deixar de ganhar 100 gramas/dia, é algo – muitas vezes – imperceptível no sistema de pecuária de corte, porém é um ganho de peso que pode fazer muita diferença nos resultados financeiros da propriedade.

Em uma atividade com margens tão apertadas, por vezes, buscamos culpados para as dificuldades enfrentadas, sem olhar porteira a dentro. Sem dúvida nenhuma, pequenos ajustes no manejo farão muita diferença nos resultados da fazenda e, melhor ainda, não envolvem grandes desembolsos. A água de qualidade é algo que todo ser vivo tem direito, e todo bovino necessita para apresentar bom desempenho, porém, muitas vezes, esse ponto é negligenciado dentro da fazenda.

Lembre-se:
O animal que bebe água, come. O animal que come, ganha peso.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Cassiele Oliveira

Cassiele Oliveira

Cassiele Oliveira é Consultora de Serviços Técnicos de bovinos de corte na Agroceres Multimix.

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