Você sabe o que é TIP? - Blog da Agroceres Multimix

Você sabe o que é TIP?

Técnica que vem crescendo fortemente ano a ano, aumenta a rentabilidade do produtor e constitui diferencial do Brasil na produção mundial de carne. Conheça mais profundamente esse sistema, acompanhando este novo projeto editorial de DBO, em parceria com Agroceres Multimix.

 

Um caminho sem volta. Assim pode ser classificada a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), que consiste em um sistema “verde-amarelo” de engorda intensiva, onde o verde (capim) funciona como volumoso e o amarelo (concentrado), como fonte proteica-energética. Por que a TIP é um caminho sem volta? Porque ela amplia as possibilidades do pecuarista de elevar sua produtividade por hectare, independentemente de seu tamanho, e confere ao Brasil um diferencial competitivo sem precedentes. Para divulgar esse sistema, a Revista DBO, em parceria com a Agroceres Multimix, lança o Projeto TIP em Foco, uma série inédita de reportagens sobre o tema, abrangendo desde seus conceitos básicos até exemplos de aplicação nas fazendas. Para começar essa caminhada que se encerrará em fevereiro de 2020, vamos detalhar os fundamentos da TIP e entender sua importância para a pecuária brasileira.

Segundo projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), teremos 9 bilhões de habitantes no planeta até 2050 e haverá necessidade de se produzir 70% mais alimentos, incluindo carnes, tarefa que exigirá esforço redobrado de potências agrícolas como o Brasil. “Teremos de atender essa forte demanda com respeito ao meio ambiente e uso racional dos recursos naturais, ou seja, de forma sustentável e, principalmente, com muita produtividade”, salienta Ricardo Ribeiral, diretor da Agroceres Multimix. A TIP, segundo ele, pode desempenhar papel importante nesse processo, porque permite produzir mais carne a pasto com eficiência zootécnica, econômica e respeito ao bem-estar dos animais. Esses fatores colocam o Brasil em posição de destaque em relação a concorrentes como os Estados Unidos, que fazem engorda quase que exclusivamente em confinamento.

Não existem estatísticas sobre o número de bovinos terminados intensivamente a pasto no Brasil, mas, segundo estimativas da Athenagro Consultoria, de São Paulo, SP, o País engordou de maneira intensiva (pasto e confinamento) cerca de 5,5 milhões de animais no ano passado. Técnicos da Agroceres estimam que no Estado do Mato Grosso, berço e principal usuário dessa tecnologia, cerca de 50% dos animais abatidos em sistemas intensivos, já são oriundos da TIP. “A grande difusão da TIP no Estado deveu-se principalmente à grande oferta de grãos e ao seu perfeito casamento com o sistema de ILP (integração lavoura-pecuária)”, explica Ribeiral.


Evolução natural

As experiências mais consistentes com TIP tiveram início nos anos 2000, principalmente por iniciativa da Novanis, empresa de nutrição animal hoje integrada à Agroceres. “Começamos fornecendo uma quantidade maior de suplemento aos animais durante o período de transição das águas para a seca (abril/junho), em pastos previamente vedados, para terminar lotes que não tinham ficado prontos na estação chuvosa. Era mais um semiconfinamento, com fornecimento de 1% do peso vivo em concentrado no cocho. Vimos que os resultados eram bons e passamos o esticar o período de trato, mas aí surgiram os problemas. Quando caíam as primeiras chuvas, o capim seco apodrecia e o desempenho despencava, obrigando o produtor a vender o gado”, relembra o gerente regional de vendas da Agroceres no MT, Neimar Urzedo, que participou ativamente desse processo, à época como técnico da Novanis.

Segundo ele, a saída encontrada, em 2004/2005, foi elevar o fornecimento de ração para 1,5% a 2% do peso vivo, mas, como a lotação era baixa (1 cab/ha), os animais caminhavam pelo piquete atrás de brotos de capim, deixando a ração de lado. “O que fizemos? Colocamos os animais em piquetes menores, com lotação de 10 cab/ha e zero volumoso (sem capim), comendo somente concentrado, onde, sem os aditivos de hoje, tivemos muito problema de acidose, laminite”, conta Urzedo. “Mais uma vez foi preciso reformular o sistema. Ajustamos a área do piquete para 30 há e reduzimos a lotação para 5 cab/há, de forma que os bois pudessem consumir um pouco de capim (fonte de fibra) e ajustamos a dieta concentrada, para evitar problemas metabólicos”, acrescenta. Paralelamente a isso, foi desenvolvido o primeiro distribuidor de ração a pasto, adaptado a partir de uma calcareadeira. Antes, o produto era ensacado e fornecido manualmente, o que demandava muito tempo e mão de obra, dificultando a montagem de grandes projetos.

O período 2005 a 2010, portanto, foi marcado por ajustes nutricionais e operacionais, mas faltava validar o sistema, tarefa prontamente assumida pelos pesquisadores Flávio Dutra de Resende e Gustavo Rezende Siqueira, da Apta-Colina, que investigaram o que acontece com o organismo animal na TIP. Após uma série de experimentos iniciados em 2010, eles descobriram que os bois terminados intensivamente a pasto apresentavam menor ganho médio diário, em comparação com os confinados, porém forneciam quantidade idêntica de carcaça. Pensavam menos na balança quando vivos, porque tinham vísceras e conteúdo do trato gastrointestinal menores, devido ao menor consumo de fibra e à maior taxa de passagem do alimento pelo rúmen. Essas pesquisas quebraram paradigmas e geraram novos conceitos, como o rendimento do ganho, ajudando a desmistificar a ideia de que o boi, na TIP, engorda menos. Tudo isso impulsionou o sistema a partir de 2015. Hoje, ele é adotado tanto por pequenos quanto por grandes pecuaristas, que têm conseguido produzir de 30 a 90@/ha/ano, colocando a atividade pecuária em destaque em termos de lucratividade, com fazendas já alcançando números que superam a casa dos R$1.000,00/ha/ano.

Rendimento do ganho

Os estudos desenvolvidos pela Apta confirmaram uma premissa básica, embora ainda não totalmente fixada na mente do pecuarista: ele vende carcaça não peso vivo. Essa métrica, aliás, se revelou imprecisa, porque não mostra o que está acontecendo “dentro” do animal. “Decidimos avaliar quanto do ganho médio diário (GMD) era transformado em carne e foi assim que surgiu o conceito de rendimento do ganho, cujo valor é obtido dividindo-se o peso em carcaça pelo peso vivo, em determinado período”, explica Gustavo Siqueira. No experimento da Apta-Colina, os machos terminados intensivamente a pasto engordaram 0,96 kg/cab/dia ante 1,13 kg/cab/dia dos confinados, sendo abatidos 27,7 kg mais leves (494,3 x 522 kg). Entretanto, eles conseguiram transformar 79,9% do GMD em carne (rendimento do ganho excelente), em contraste com 67,1% dos confinados, que apresentaram maior percentual de componentes não carcaça.

Segundo Siqueira os dois sistemas – TIP e confinamento – não devem ser vistos como concorrentes. “Se o produtor não dispõe de área para terminação a pasto, pode montar a infraestrutura necessária para engorda confinada. Se tem área, pode optar pela TIP, que, inclusive, é mais plástica, permitindo aproveitar oportunidades de mercado (alta inesperada da @ ou queda no preço do milho), enquanto o confinamento tem estrutura mais pesada, por exigir produção ou compra prévia de volumoso. Mas são dois sistemas excelentes. Muitos produtores, inclusive, estão usando os dois, porque se complementam”, diz o pesquisador, salientando, contudo, que a TIP exige bom manejo das gramíneas forrageiras. “O principal erro do produtor é pensar que, dando 12 kg de ração/cab/dia, não precisa ter capim, quando este é fundamental no processo”, alerta o pesquisador.

Na próxima edição desta série de reportagens, vamos detalhar a TIP na seca, mostrando as necessidades estruturais, os manejos operacionais e nutricionais, assim como sua viabilidade econômica. Aguarde!

Autora: Maristela Franco, editora chefe da Revista DBO.

 

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