Pode a nutrição auxiliar na hiperprolificidade das fêmeas suínas gestantes?

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Anualmente, estamos observando os resultados positivos da suinocultura, referente à produtividade das nossas matrizes, como demonstrado no último Congresso Agriness (2020), em que tivemos resultados como de 37,01 desmamado/fêmea/ano, evidenciando a hiperprolificidade das atuais fêmeas suínas. Porém, muitas vezes, esta alta prolificidade vem associada à uma grande variabilidade de pesos na leitegada, ou um maior número de leitões, porém de baixo peso, ou leitões de baixa viabilidade. Quando pensamos nessa situação, surge a questão: pode a nutrição auxiliar a amenizar este cenário? Se trabalharmos de forma específica na nutrição da fêmea gestante, podemos reduzir esse impacto negativo observado a campo?

A evolução genética vem nos proporcionando estes ótimos números na suinocultura, no entanto estamos observando a campo um alto número de leitões nascidos, porém de baixo peso ao nascimento, e uma grande variabilidade no peso entre os leitões nascidos. Já existem investimentos, por parte do melhoramento genético, na busca por soluções para essa situação, no entanto nós – como empresas de nutrição – devemos atuar nessa situação para buscarmos os melhores resultados, minimizando esse cenário para a fase de gestação.

Dessa forma, avaliando melhorias para esse atual cenário, existem alguns trabalhos científicos e revisões de literatura indicando que o uso de determinados aditivos ou ingredientes, em diferentes momentos do período de gestação, ou no período integral, podem auxiliar a minimizar esses impactos negativos de grandes leitegadas e de baixo peso médio ao nascimento, e que essas soluções nutricionais podem – de algum modo – reduzir a variabilidade de peso entre leitões dentro das leitegadas.

Alguns desses trabalhos indicam que, via nutrição na gestação, podemos interferir de forma positiva na redução do número de leitões de baixa viabilidade, melhorando a uniformidade das leitegadas e trabalhando para que tenhamos leitões mais vigorosos. Em termos de melhoria de peso de leitão ao nascimento, é possível observar em alguns trabalhos melhorias em torno de 20 a 40 gramas no peso do leitão. Ao pensarmos em fêmeas gestantes é possível observar melhorias em taxas de partos, redução de retorno ao cio e uma fêmea mais bem preparada para o período de lactação.

Dentre os aditivos nutricionais e ingredientes, com resultados positivos e promissores, apresentados nos trabalhos científicos, podemos citar alguns, tais como: glutamina, arginina, ácidos graxos essenciais (DHA e EPA), nucleotídeos, minerais orgânicos, prebióticos, probióticos, óleos essenciais, entre outros. Dentre estas possibilidades, um exemplo que podemos citar seria a arginina.

Estudando a suplementação de L-arginina no período de gestação, com o objetivo de melhorar os resultados de parição, através do aumento do crescimento placentário e modulação de secreções hormonais, Gao et al (2012), avaliaram a suplementação, ou não, de 1% de L-arginina no período de 22 até os 114 dias de gestação, e observaram aumento (P<0.05) do número total de leitões por leitegada; número de nascidos vivos por leitegada; peso total da leitegada e o peso total de nascidos vivos por leitegada. Além disso, a suplementação de arginina aumentou (P<0.05) o peso total da placenta, podendo indicar que esta diferença pode estar associada a mecanismos bioquímicos e fisiológicos responsáveis pelos efeitos da suplementação da arginina na gestação (Tabela 1).

 

Tabela 1. Suplementação de arginina sobre os resultados de parição

Item

Tratamentos

Controle

Arginina

Nascidos Totais (n)*

12.46

13.77

Nascidos Vivos (n)*

11.25

12.35

Mumificados (%)

1.21

1.42

Peso total da Leitegada (kg)*

16.43

17.79

Peso total Nascidos Vivos (kg)*

15.82

17.52

Peso Média de leitões ao nascimento (kg)

1.41

1.45

Peso total da placenta (kg)*

3.04

3.53

*P < 0.05 versus o grupo controle
Fonte: Adaptado Gao et al. (2012)

 

De acordo com os autores, os efeitos positivos da suplementação da arginina estão associados com aumento do peso da placenta, como também com os elevados níveis de estrógeno e de aminoácidos da família da arginina na circulação materna.

O trabalho citado acima nos demonstra que existe a possibilidade de trabalharmos a nutrição da fêmea em gestação com a utilização de alguns aditivos ou ingredientes, que nos proporcionam resultados benéficos para fêmeas e sua prole, com melhorias nos seus parâmetros reprodutivos. No entanto, temos que levar em consideração que, na prática, e dentro de nossas granjas comerciais, podemos não obter resultados positivos do uso destes aditivos/ingredientes trabalhados, e isso pode estar relacionado aos diferentes manejos e alimentações na fase de gestação, qualidade de ingredientes, micotoxinas, questões de ambiência, instalações e desafios sanitários.

Assim, nessas situações em que podemos não observar efeitos do uso destes aditivos ou ingredientes, uma alternativa seria a associação destes ingredientes/aditivos, podendo explorar os seus efeitos positivos de forma conjunta, conseguindo minimizar possíveis adversidades em situações comerciais. Fica aí uma sugestão a ser avaliada em nossos trabalhos e recomendações diárias dentro das granjas comerciais,  na qual a literatura nos mostra alguns caminhos e cabe a nós, nutricionistas, tomarmos as melhores decisões para nutrir de forma adequada essa fêmea suína em gestação, de forma a explorar todo seu potencial genético.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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