Climatização x Lucratividade

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Especialistas apontam os desafios da avicultura em meio às dificuldades da avicultura 4.0, novas tecnologias para climatização, custo x benefício e muito mais.

Dando sequência a uma série realizada em parceria entre a Agroceres Multimix e a Revista do AviSite para levar informação técnica de qualidade à avicultura, apresentamos nesta edição o material feito para esclarecer o importante papel da climatização na avicultura. Foram ouvidos Daniella Moura, Professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, Leandro Correa, Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix, Irenilza Nääs, Pesquisadora da FACTA e Professora da Universidade Estadual de Campinas e Rodrigo Grandizoli, Diretor da Frango Nutribem.

O Grupo de pesquisa em Ambiência de Zootecnia de Precisão da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp vem atuando na pesquisa de tecnologias de ponta que fazem parte do monitoramento, manejo e controle do ambiente na avicultura como por exemplo o uso da robótica em aviários ou o desenvolvimento de uma unidade inteligente para alimentação de frangos de corte entre vários outros estudos, todos com o propósito de contribuir para a maior produtividade e bem-estar na avicultura.

Daniella Jorge de Moura, Professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, explica que para a produção em escala de frangos e poedeiras temos disponíveis hoje em dia uma gama de tecnologias que potencialmente auxiliam os produtores no monitoramento em tempo real do ambiente em que as aves estão confinadas. “As tecnologias da informação e comunicação (TICs), as técnicas de Big Data, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) começam a ser utilizadas no controle do ambiente para a avicultura visando uma maior produtividade e precisão no processo produtivo”, diz ela. “Sendo assim, a Ambiência de precisão auxilia o gerenciamento do ambiente fornecendo ao produtor informações relevantes sobre as quais deve basear suas decisões de manejo além de ativar seus sistemas de controle automatizados. Os sistemas alertam os produtores em tempo real para problemas que porventura surjam, permitindo intervenções rápidas e direcionadas que beneficiarão o resultado final do lote”, destaca.

Daniella Jorge de Moura, Professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp.
Daniella Jorge de Moura, Professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp.

Segundo ela, o número e posicionamento dos sensores utilizados para o monitoramento do galpão é muito importante quando se fala em precisão de controle do ambiente. “Hoje não é possível controlar o ambiente de um galpão de por exemplo, 150m x 16m, apenas com um sensor de temperatura. Para o melhor controle do ambiente o controlador deveria além de dados de temperatura interna e externa, receber dados de umidade relativa, velocidade do ar, concentração de gases como dióxido de carbono e amônia, iluminação, consumo de água, ração, ganho de peso das aves, mortalidade e finalmente o comportamento das aves na forma de índice de atividade e sua distribuição além de dados de vocalização”, explica Daniella Moura.

O uso dessas tecnologias de precisão, disse a professora da Unicamp, permite garantir maior atenção as aves 24h por dia monitorando o conforto térmico e consequentemente seu bem estar. “Uma Revisão Sistemática sobre a Zootecnia de Precisão na avicultura foi realizada por Rowe et al, 2019 encontrou uma série de trabalhos científicos realizados na área, indicando que a Zootecnia ou Ambiência de precisão geram uma melhoria no bem estar e saúde das aves. Já Van Hertem et al., 2017, argumentam que um grande benefício da adoção de um sistema de precisão é garantir uma maior produtividade e lucratividade”, detalha.

Outros desafios que a avicultura encontra na adoção de novas tecnologias estão ligados à infraestrutura, isto é, exige fornecimento constante de energia e sinal de celular e internet de qualidade. “As pesquisas mostram que 74% dos produtores ainda não usam ferramentas digitais no controle de seu negócio e quase 43% ainda faz o controle dos seus dados e informações no papel. Isso indica que investimentos básicos devem ser realizados para que as novas tecnologias possam funcionar no campo além de treinamentos oferecidos aos produtores”, disse Daniella.

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A avicultura em busca de ajustes

A climatização está totalmente relacionada a avicultura 4.0, pois traz toda a tecnologia aplicada ao campo. De acordo com Leandro Correa, Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix, uma área que no passado era pouco desenvolvida/valorizada, hoje demonstra sua importância através da gestão total do galpão. “Isto é feito por meio de sistemas de software e câmeras, onde é possível coletar constantemente os dados das condições ambientais (temperatura, umidade, velocidade de vento e níveis de gases), produção avícola (consumo de água, consumo de ração, peso dos animais, quantidade de ovos produzido) e avaliar o comportamento das aves”, explica Correa.

Leandro Correa, Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix. Leandro Correa, Consultor de Serviços
Técnicos da Agroceres Multimix. “A
climatização quando ideal, proporcionará
menor gasto metabólico com a manutenção
fisiológica das aves. Desta forma é possível
trabalhar com dietas de menores níveis
nutricionais, consequentemente dietas mais
econômicas, sem perder desempenho
zootécnico”.

Ele aponta ainda que outro fator importante é a questão de como utilizar as informações que são geradas pela tecnologia. “Este talvez seja o maior gargalo que dificulta a implantação da ferramenta. Muitos produtores, por desconhecerem os parâmetros ideais (necessidades e limites das variáveis mensuradas) podem ter dificuldades em operar os painéis e realizar as medições necessárias, e com isso, não conseguem desfrutar 100% da tecnologia e, consequentemente, de seus benefícios”, diz ele. “É neste sentido, que nós da Agroceres Multimix conseguimos contribuir, dando o suporte necessário para a utilização desta tecnologia a campo, ou seja, prestamos assistência técnica contribuindo com a climatização/ambiência das instalações já existentes e também com os projetos de novas instalações”, afirmou.

De acordo com Correa, a climatização quando realizada de modo mais simples, “pressão positiva” (aquecedores, ventiladores, nebulizadores e controlador simples de ambiência), poderá ter o retorno em até um ano, julgando os tipos de problemas normalmente encontrados a campo. “Já quando se refere a climatização por pressão negativa (aquecedores, exaustores, painéis evaporativos, inlets, controladores de ambiência sofisticados), o retorno dos investimentos tem se realizado entre 8 e 10 anos”, explica.

 

Diluição do custo de aplicação de um eficiente sistema de climatização na densidade de produção

Frango de corte: Melhores condições de ambiencia para as aves que sao alojadas em alta densidade, redução de 1 a 2% de mortalidade e redução de medicações por problemas sanitários.

Postura comercial: Melhores condições de ambiencia para as aves que são alojadas em alta densidade, redução de 6 a 10% da mortalidade e redução das medicações por problemas sanitários, com ênfase na redução dos problemas respiratórios.
Fonte: Leandro Correa, Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix.

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Detalhe Técnico: a diferença entre climatização negativa e positiva

Climatização negativa: Galpões que permanecem fechados e possuem apenas uma entrada e uma saída de ar. Estes galpões empregam o uso de exaustores para realizar a ventilação ou a remoção de excesso de gases e sua ação é de sugar o ar de uma extremidade para a outra, gerando vácuo interno (pressão negativa).

Climatização positiva: Galpões que permanecem abertos por tempo integral ou parcial. Utilizam ventiladores para realizar a ventilação ou a remoção de gases do ambiente e sua ação é de conduzir/empurrar o ar para frente e/ou lateral do galpão.

Seria interessante se isso fosse esclarecido na matéria, mostrando, além do custo de um e outro sistema, a possível diferença de resultados na produtividade das aves. Sob esse aspecto, aliás, é oportuno comparar as diferenças, também, em relação à criação em ambiente natural (galpões abertos, simplesmente com ventiladores e nebulizadores).

Postura comercial: Persistência de produção média entre 2 a 7%, tendo casos de 10% em relação ao standard das linhagens.

Frango de corte: Melhor conversão alimentar, entre 10 a 15 pontos no verão e 5 pontos no inverno na média. Importante ressaltar que os resultados de inverno ainda estão aquém dos ganhos no verão por falta de dimensionamento adequado de aquecedores e inlets para se obter uma ambiência adequada nas primeiras semanas de vida das aves.
Fonte: Leandro Correa, Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix.

A avicultura 4.0 traz um galpão que fornece as condições ideais de ambiência e segurança para as aves. Leandro Correa aponta que além da qualidade constante de ar e temperatura, este galpão emprega tecnologias capaz de tomar ações que evitam os mais variados tipos de acidentes, do mais simples ao mais grave que ocorrem diariamente na avicultura (amplitude térmica, falta de água ou fornecimento da mesma em temperatura irregular, falta de ração e asfixia por panes elétricas). “Alguns softwares, além de disparar alarmes, acionar mecanismos backup e fazer ligações quando ocorrem as falhas graves, enviam mensagens de texto ou de voz para informar as variações/dados dos parâmetros que o produtor deseja ser informado constantemente”, diz.

A ideia da avicultura 4.0 ou ainda avicultura ‘smart’ (ASt) é a avicultura sincronizada e com decisões inteligentes apoiadas por soluções automatizadas a qual coloca a ave no centro das decisões.

Até agora, apesar de a ASt ter um grande potencial de uso, os produtores não utilizam as tecnologias disponíveis efetivamente, ou em seu mais amplo potencial. Isto porque nem todos possuem conhecimento adequado ou profissional capacitado para analisar os dados derivados desta tecnologia. Portanto, a adoção de melhorias na ASt continua sendo um desafio em relação à coleta e processamento de dados relevantes e ao desenvolvimento de respostas úteis para o produtor.

É o que explica a Professora e Dra. Irenilza Nääs. De acordo com ela, em relação ao desenvolvimento de tecnologias automatizadas para ajudar (ou ainda substituir em determinadas etapas do processo) a decisão do produtor, a maioria das ações depende de variáveis de entrada ou saída registradas pelos sensores. “De acordo com o desenvolvimento anterior de um software de tomada de decisão para, por exemplo, indicar o status de bem-estar dos animais, a saída dos sensores (como a avaliação da atividade com uma câmera de vídeo ou o som medido usando um microfone) está relacionada ao animal indicadores de bem-estar e saúde baseados em saúde (como agressão ou doenças respiratórias). Quando os sinais do sensor começam a divergir de seus valores supostos, alertas são dados ao produtor”, explica.

Irenilza Nääs. Pesquisadora da FACTA e Professora da Universidade Estadual de Campinas, SP.
Irenilza Nääs. Pesquisadora da FACTA e Professora da Universidade Estadual de Campinas, SP.

Irenilza afirma ainda que, desta forma é necessário ter modelos matemáticos que possam ser transformados em ferramentas de tomadas de decisão, acionadas por sensores ou por comportamentos das aves e, de preferência, em tempo-real.

Avanços no processo da ambiência

“São vários processos que podem hoje ser utilizados na avicultura ‘smart’ (ou 4.0). Modelos matemáticos têm sido usados para estimar o bem-estar das aves usando o reconhecimento de padrões. Por exemplo, uma combinação de câmera e análise estatística de padrões de fluxo óptico são usados para avaliar o comportamento de frangos de corte em aviário comercial. Os movimentos das aves individuais afetam o movimento total do lote, e estes são significativamente correlacionados com as principais medidas de bem-estar, como mortalidade, número de aves com gait score anormal. Sistemas automáticos já identificam problemas no lote e emitem alerta. Os alertas produzidos por mudanças no comportamento dos animais podem ser registrados nos painéis do computador ou em dispositivos móveis. Os produtores são levados diretamente ao local do problema, economizando tempo e evitando perdas de produção.

Como a maioria dos produtores normalmente consegue apenas cerca de 70 a 80% do potencial genético de seus lotes, o sistema já comercial indica que a funcionalidade de alertas precoces pode resultar em uma melhoria no desempenho geral de lotes. Estes alertam hoje já existem para muitos processos dentro da produção avícola e representam cada vez mais um grande avanço no manejo de lotes”.

Por Irenilza Nääs.

 

Desafios

E quais são os maiores desafios neste processo? Irenilza Nääs diz que o desafio para a aplicação bem-sucedida de sistemas inteligentes de avicultura industrial depende de abundância e da qualidade dos dados. “Essas grandes quantidades de dados com a maior capacidade de armazenamento associada a tecnologias automatizadas têm gerado rapidamente dados em larga escala na produção animal e em outras atividades agrícolas”, disse a pesquisadora. “O aprendizado de máquina é um subcampo da inteligência artificial dedicada ao estudo de algoritmos para previsão e influência de processos. Aprender com os dados é a essência do aprendizado de máquina”, diz.

Irenilza ainda afirma que “Podemos presumir que a avicultura ‘smart’ (ou inteligente) permite a interconexão de ações coordenadas usando sensores para avaliar sinais vitais relacionados a animais e variáveis de produção durante o processo de produção e atuadores para inferir decisões. Este avanço tecnológico está um passo à frente da ‘zootecnia de precisão’. A entrada do sistema completo é composta de dados relacionados aos animais combinados com dados ambientais, de nutrição, de saúde, de bem-estar animal e o resultado são ações de tomada de decisão. A climatização participa deste conceito quando também é automatizada e prioriza as decisões com o foco na ave”, afirma.

 

Os gargalos

A pesquisadora Irenilza Nääs aponta que fica mais fácil pensar em custo-benefício do uso do sistema de climatização. Segundo ela, não existe um ‘pacote pronto’, pois cada sistema tem suas finalidades e aplicabilidade para cada tipo de aviário. “Esta resposta é bem complexa. Tão complexa que fizemos um trabalho científico recém publicado (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214317319303452) comparando três tipos de aviários, sendo alguns com fluxo positivo com ventiladores, outros blue-houses e outros dark-houses. O resultado indica que, dependendo dos critérios utilizados para a comparação, os resultados podem variar”, diz. “Por exemplo, se o foco for o menor impacto ambiental com relação à concentração e emissão de amônia no ambiente e bem-estar animal o resultado pode ser o aviário convencional. Além do menor custo de construção, a produção pode ser econômica dependendo da sua escala. Portanto, dependendo do foco, a resposta do sistema mais eficiente é diferente. De forma geral, o uso de equipamentos de climatização melhora o desempenho das aves, porque temos temperaturas muito altas durante boa parte do ano no Brasil, e o uso de ventilação, associado ao resfriamento adiabático que consegue diminuir a temperatura ambiental, podendo melhorar muito as condições dentro dos aviários, principalmente na fase final de crescimento”, destaca.

 

A diluição do custo de aplicação de um eficiente sistema de climatização na densidade de produção

Quando selecionado um determinado tipo de climatização para um aviário, em função do objetivo que se deseja atingir, então o sistema escolhido deve se pagar em determinado prazo, estabelecido quando do contrato inicial. “Aqui de novo se deve pensar no custo-benefício da adoção do processo. Por exemplo, a pergunta seria: Nas condições que desejo atender, com densidade x e mortalidade y, como será que consigo este desempenho com e sem climatização? Com a climatização adequada, geralmente se tem uma redução de mortalidade, considerando-se a mesma densidade x. Ou seja, o desempenho melhora com a climatização, portanto, a climatização é diretamente proporcional à melhoria do desempenho”, diz Irenilza. “Também não dá para ser ter um número mágico, pois depende do planejamento e adequação do sistema utilizado. De maneira geral o aviário climatizado apresenta maior eficiência e melhor desempenho dos lotes, porque facilita nas aves a trocar calor sensível com o ambiente e, portanto, o retorno do custo é mais rápido”, diz.


Nutrição x climatização

Quando se utiliza a nutrição adequada e a ave está alojada em um ambiente apropriado, esta mostra seu total potencial genético. “Diferente de quando a nutrição não é correta ou o ambiente é inadequado ou ambas situações de afastamento das condições ideais, que, neste caso o desempenho tendo necessariamente a ser aquém do que a linhagem preconiza”, aponta Irenilza Nääs.

Segundo Rodrigo Grandizoli, Diretor da Frango Nutribem, o processo de melhoria em climatização vem se mostrando muito eficaz e necessário, principalmente em regiões quentes. “Ao adotar o sistema climatizado, temos um melhor controle sobre o ambiente interno do aviário dada as diversas variações de clima que temos durante todo o ano ou mesmo até no mesmo dia, proporcionando assim, melhores condições e conforto para todo o ciclo de vida das aves, tais como, adequação de temperatura, umidade, ventilação, iluminação, entre outros”, diz. “Melhores condições de ambiência são refletidas em melhores resultados, fatores como uniformidade de lote, redução da conversão alimentar, maior ganho de peso e redução de mortalidade final, são pontos que nos trazem bons índices de produção, resultado esperado pelo produtor e integradora. Com a automatização, há uma melhoria nas condições de trabalho, facilidade para o colaborador responsável, fator que vem se mostrando cada dia mais difícil em nosso país, podendo-se também, aumentar o número de aves/m² para um mesmo colaborador, dando melhor viabilidade a cada unidade. Devemos considerar, que temos nesse conjunto um melhor aproveitamento do potencial genético, como também dos níveis nutricionais oferecidos as aves”, destaca Grandizoli.

“A climatização de
aviários traz bons
resultados, sendo bem
trabalhada, viabiliza e
otimiza o processo de
produção, desde o setor
produtivo parceiro ao
abatedouro. O
investimento de início é
expressivo, mas se paga
pela eficiência e
qualidade de produção”.

Ele explica que a construção de novos aviários ou adequação de aviários convencionais ao sistema climatizado tem um custo considerável e deve ser bem avaliado, para o bom funcionamento de toda a estrutura é necessário que se faça o correto dimensionamento de estrutura civil e equipamentos que contemplam todo o conjunto. Válido mencionar que além do dimensionamento, faz-se necessário acompanhamento técnico para ajuste e suporte durante os ciclos de criação. “Por fim, entendemos que a climatização de aviários traz bons resultados, sendo bem trabalhada, viabiliza e otimiza o processo de produção, desde o setor produtivo parceiro ao abatedouro. O investimento de início é expressivo, mas se paga pela eficiência e qualidade de produção”, disse.

Autora: Giovana de Paula, editora da Revista do Avisite.

 

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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