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Manejo de Poedeiras: nutrição, biosseguridade e ambiência

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poedeiras

Galinhas poedeiras são aves selecionadas para produção de ovos, sendo que as aves comerciais modernas chegam a produzir mais de 400 ovos durante seu período produtivo. Para manter a alta produção de ovos com qualidade, garantindo o bem-estar das aves, é necessário que o manejo na granja seja bem estabelecido para cada fase de produção.

São diversos os fatores que interferem no manejo das galinhas poedeiras, como:

      • nutrição,
      • biosseguridade e
      • ambiência. 

Nutrição de Poedeiras

A avicultura de postura moderna visa produzir ovos que tenham cascas resistentes, boa qualidade nutricional e que estejam de acordo com o desejo dos consumidores em relação à cor da casca, cor da gema e consistência do albúmen.

Todas essas características devem estar alinhadas a uma nutrição de qualidade, com o custo reduzido, e ao bem-estar das aves.

Um ovo típico, pesando 55 g, contém:

      • 75 calorias,
      • com aproximadamente 7 gramas de proteína de alta qualidade,
      • 5 gramas de gordura e
      • 1,6 gramas de gordura saturada.

É naturalmente rico em:

      • vitamina B2 (riboflavina),
      • vitamina B12,
      • vitamina D,
      • selênio e
      • iodo.

Também contêm vitamina A e vitaminas B, incluindo folato, biotina, ácido pantotênico e colina, além de outros minerais essenciais e oligoelementos.

Todos esses elementos, para estarem presentes no ovo, devem ser ingeridos na dieta da ave ou serem mobilizados dos estoques corporais durante a formação dos ovos.

Considerando que as galinhas comerciais produzem aproximadamente 400 ovos durante seu ciclo produtivo e que a média de peso do ovo é de 55 g, equivalendo a 22 kg de ovos por ave, a produção de ovos totaliza mais de 10 vezes o seu peso corporal.

Por isso, uma dieta pensada especificamente para cada fase da vida, e que acompanhe o ciclo produtivo das aves, é fundamental. É sabido que poedeiras em produção plena direcionam cerca de um terço dos nutrientes consumidos para os ovos.

Além da manutenção da produtividade, a qualidade nutricional do ovo é diretamente proporcional à qualidade e balanceamento da dieta da poedeira. Inclusive, alterando a dieta da poedeira é possível produzir ovos enriquecidos com, por exemplo, selênio, ômega 3 e vitamina E.

Cálcio e fósforo

Em relação à nutrição das aves, o cálcio e o fósforo merecem destaque na suplementação mineral, pois estão relacionados, principalmente, à formação e qualidade da casca dos ovos. O cálcio utilizado para a formação da casca do ovo (carbonato de cálcio) vem de duas fontes, dieta e do osso medular na cavidade interna dos ossos longos e do esqueleto.

Aproximadamente 2,5 g de cálcio são necessários para formar a casca do ovo. Entretanto, a galinha consegue obter apenas cerca de 2g de cálcio por dia através da dieta. O restante deve vir dos estoques ósseos.

Desse modo, manter o equilíbrio de cálcio e fósforo na dieta da ave é fundamental para:

      • produção de ovos com qualidade de casca,
      • longevidade da produção e
      • para a saúde óssea das galinhas.

Além da quantidade e proporção de cálcio e fósforo, é importante se atentar para:

      • o momento de fornecimento de cálcio e fósforo em relação à oviposição,
      • a granulometria do calcário oferecido e
      • a disponibilidade de ambos na dieta.

Manejo alimentar

poedeiras

Uma das melhores maneiras de fornecer a alimentação às poedeiras em produção é oferecendo alimento ad libitum, ou seja, à vontade. Vale ressaltar que as galinhas ajustam sua ingestão à densidade de nutrientes da ração, ou seja, se aumentarmos a densidade energética da ração, a galinha irá reduzir o consumo.

Esse ajuste fisiológico de consumo reduz o desperdício de ração. O consumo de ração é influenciado por alguns fatores, como:

      • peso corporal;
      • temperatura do galpão – baixas temperaturas aumentam a necessidade de energia para manutenção e levam ao aumento de consumo de alimento;
      • empenamento – mau estado de empenamento aumenta a necessidade de energia para mantença e leva ao aumento de consumo;
      • textura da ração – a textura grossa aumenta o consumo de ração, enquanto a textura fina tem efeito oposto;
      • nível de energia – a poedeira é capaz de, até certos níveis, ajustar o consumo dependendo do nível de energia da ração;
      • desbalanço nutricional – a galinha tentará compensar quaisquer déficits nutricionais, aumentando o consumo de ração.

As poedeiras selecionam sua alimentação com base no tamanho, cor e forma das partículas, tendo preferência por estruturas grossas, de cor amarela a laranja. Se as partículas da ração forem muito finas (por exemplo, <500 mm), a ingestão de ração é reduzida, além do risco de problemas respiratórios devido à exposição a poeira, aumentando ainda o desperdício de ração, o que resulta em nutrição abaixo do ideal e redução do bem-estar das aves, podendo comprometer a saúde e produtividade dos animais.

Água

A água tem um papel central em todos os aspectos do metabolismo e é fundamental para a sobrevivência e bem-estar das aves. Sua ingestão é modulada pela idade, consumo de ração, estágio de produção, temperatura ambiente, temperatura e qualidade da própria água.

A ingestão de água e ração estão diretamente relacionadas. Galinhas que bebem menos água, também consomem menos ração e, consequentemente, a produção de ovos diminui.

A ingestão de água é um indicador sensível da saúde das aves e, portanto, monitorar sua ingestão em um lote é um guia útil para perceber mudanças no bem-estar das aves, sanidade e produção. Galinhas devem ter acesso a água de qualidade em todos os momentos do ciclo produtivo.

Biosseguridade

Somente com um bom programa de biosseguridade implementado é possível prevenir surtos de doenças e garantir boas condições de desempenho. A biosseguridade em uma granja de poedeiras está relacionada a:

      • prevenção da introdução de doenças;
      • minimização do risco de entrada de patógenos;
      • exclusão, erradicação ou gestão eficaz de riscos;
      • reconhecimento dos riscos e determinação de ações para mitigá-los e/ou controlá-los.

Um programa de biosseguridade completo envolve diversas ações em vários setores, sendo os pilares da biosseguridade constituídos por:

      • isolamento – em relação a outros animais, a granja deve ser afastada de outras unidades de produção animal e não permitir a entrada de animais que não as pintainhas; o isolamento também se refere aos lotes de uma mesma granja, que devem ser separados por uma distância segura;
      • controle de tráfego – não é permitido a livre circulação de veículos e pessoas dentro da granja; somente pessoal autorizado pode ter a entrada liberada, e isso só ocorre após a limpeza e desinfecção de veículos, roupas e calçados, por exemplo;
      • higienização – tanto de itens que estão entrando na granja, como a manutenção dos galpões durante o período produtivo e entre os lotes;
      • quarentena, vacinação e medicação – a quarentena se refere ao período em que ocorre observação clínica das aves e investigação do plantel; já a vacinação é imprescindível e deve seguir o calendário proposto, baseado na necessidade de cada granja e nas normas do país; a medicação deve ser feita apenas quando houver necessidade, visando o bem-estar das aves e sempre de acordo com a legislação;
      • monitoramento – ato contínuo nos programas de biosseguridade, tanto para atestar se o programa está funcionando, quanto para averiguar falhas;
      • erradicação e controle de doenças – se faz necessário sempre que uma doença é detectada no plantel;
      • auditoria e atualização – necessárias para manter a eficiência do programa frente a novos desafios.

Ambiência para Poedeiras

imagem destaque para artigo sobre climatização poedeiras

A ambiência em uma granja de postura está relacionada ao ambiente em que as aves estão inseridas, o que envolve temperatura e umidade do ar, presença de poeira e gases, e iluminação. A manutenção da temperatura do ar na zona de conforto das aves é crucial para o bom desempenho e bem-estar das mesmas.

A temperatura de conforto é alterada de acordo com o crescimento e desenvolvimento das pintainhas. Pintainhas de um dia necessitam de ambiente mais aquecido do que aves em período produtivo, por exemplo.

Vale ressaltar que o estresse térmico por frio, que geralmente tem a tendência de ocorrer nas primeiras semanas de vida devido à necessidade térmica das aves, é tão danoso quanto o estresse por calor, que pode ocorrer tanto por superaquecimento das instalações na fase inicial, como por falta de arrefecimento das instalações durante a postura.

O ambiente térmico em que as galinhas estão inseridas afeta diretamente o consumo de água e ração, e por consequência a produção e qualidade dos ovos.

Um aspecto muito importante no manejo da ambiência em poedeiras diz respeito à iluminação dos aviários. Os programas de luz para poedeiras têm como função estimular a maturidade sexual das aves e o desenvolvimento do aparelho reprodutivo, ou seja, é possível estimular o desenvolvimento do trato reprodutivo e sincronizar o início da postura.

De forma geral, os programas de luz estipulam quantidade de luz decrescente até a 10ª ou 15ª semana de vida. A partir desse ponto, o número de horas de luz começa a aumentar progressivamente até atingir 16 horas de luz por dia. Entretanto, cada granja pode estipular um programa de luz próprio de acordo com a linhagem e localização da granja.

Como pode ser observado, as galinhas modernas são muito eficientes na produção de ovos, porém, para que expressem todo seu potencial genético é importante que o manejo nutricional, do ambiente e a biosseguridade estejam alinhados e possibilitem a alta produtividade.

4 COMENTÁRIOS

  1. Vocês tem listagem de material, melhores rações custo benefício? Temperaturas ideais, espaço suficiente / ideal para a criação de galinhas de postura, entre outros. Gostaria muito de saber.
    Tenho um espaço de 20 x 50 murado no entorno, quantos “viveiros” de galinha de postura eu conseguiria colocar nesse terreno? Cada viveiro caberia quantas galinhas? Qual a distância recomendar entre os viveiros?

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