O impacto da escolha de produtos alternativos aos antibióticos promotores de crescimento na produção avícola

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A população mundial vai alcançar a marca de 8,5 bilhões até 2030, e de 9,7 bilhões em 2050, diz relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa é uma previsão que traz também uma preocupação do ponto de vista da produção de alimentos. Afinal, para produzir mais, temos que ser cada vez mais eficientes.

Na avicultura, produzir em ambientes de desafio controlado, com animais fisiologicamente preparados para resistir às pressões ambientais e sanitárias, é o cenário desejável e a meta a ser alcançada com a finalidade de produzir mais, com qualidade e segurança. Porém, esse aumento de produção deve ser acompanhado do aumento de qualidade do produto final. É cada vez mais comum nos depararmos com consumidores atentos e preocupados com a procedência do alimento consumido. São frequentes os questionamentos sobre a origem da carne do frango, assim como a forma de criação das poedeiras que deram origem aos ovos disponíveis na prateleira do supermercado. Desta forma, para atender a demanda crescente de produção de alimentos e, consequentemente, de proteína animal, há a necessidade de sermos mais eficientes e cada vez mais cuidadosos com a qualidade do alimento oferecido.

Se por um lado existe a preocupação com a segurança alimentar, por outro existe a preocupação com a resistência microbiana gerada pelo uso inadequado de antibióticos. Seguindo o conceito da resistência cruzada, o uso de antibióticos na produção animal poderia causar resistência microbiana nesses animais e, ainda assim, as bactérias e genes de resistência poderiam ser transmitidos a humanos através do consumo da carne e ovos de animais anteriormente tratados com antibióticos. Esse risco também se aplicaria aos antibióticos utilizados em dosagens subterapêuticas na avicultura, os conhecidos promotores de crescimento ou de absorção.  Muito se discute sobre o futuro do uso de antibióticos promotores de crescimento. Essa é uma prática adotada há muito tempo com o intuito de melhorar a qualidade intestinal dos animais e, consequentemente, o desempenho zootécnico, mas que está com os seus dias contados. O uso desses antibióticos, com esta finalidade, foi banido em alguns países, como os pertencentes à União Europeia, e também está desaparecendo gradualmente nos Estados Unidos, fortalecendo e ampliando a discussão entre os produtores brasileiros e técnicos da área.

Vale ressaltar que a não utilização dos promotores de crescimento deve estar aliada ao aumento dos controles em sanidade e biossegurança, combinadas com o uso de produtos alternativos, com o objetivo de promover a saúde intestinal, reduzir o risco sanitário e aumentar o desempenho das aves, como: os ácidos orgânicos, fitogênicos, probióticos, prebióticos, simbióticos e complexos enzimáticos. Diversas opções estão disponíveis comercialmente, cada produto com o seu diferencial técnico, inclusões e particularidades de uso, devendo o nutricionista analisar tecnicamente e decidir sobre a melhor solução, considerando o uso combinado ou não de cada produto. E essa não é uma escolha fácil, já que a decisão técnica sempre está associada à análise de custo. São muitas as combinações possíveis, que devem ser orientadas de acordo com o tipo e a pressão de desafio a campo.

Observamos que, a substituição de um antibiótico promotor de crescimento por uma solução alternativa (um ou mais produtos associados), pode representar cerca de 3 vezes, ou mais, o custo do promotor utilizado anteriormente. Apesar de necessário, esse investimento impacta no custo de produção final, gerando comparações de custo entre os produtos alternativos e os antibióticos, fazendo com que a decisão de substituição seja adiada, o que, em alguns casos, significa postergar também as avaliações práticas do que realmente funciona em cada sistema de produção. Isso significa que: somente quando não houver mais a opção de uso de antibióticos, haverá a migração maciça para o uso desses produtos.

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Muitos dos produtos alternativos ao uso de antibióticos têm se mostrado eficientes no controle sanitário e melhora do desempenho produtivo. A utilização de enzimas com a finalidade de reduzir ou quebrar compostos que atrapalham de alguma forma a digestão de nutrientes como, por exemplo, os carboidratos que aumentam a viscosidade da digesta e dificultam a absorção, é uma forma estratégica de auxiliar a integridade e promover a saúde intestinal. A escolha deve ser orientada por fatores como o tipo de matérias primas utilizadas na ração, quantidade de substrato e idade da ave. As enzimas favorecem a absorção dos nutrientes e têm sido amplamente utilizadas na avicultura.

Os probióticos podem ser utilizados em todas as fases de criação, com o objetivo de estabelecer o equilíbrio da microbiota intestinal, que se faz através da colonização por microrganismos benéficos ou pela ação direta e constante dessas bactérias benéficas fornecidas através da ração ou da água. Já os prebióticos, são utilizados nas rações com o objetivo de estimular o crescimento de bactérias benéficas no intestino, através do fornecimento de nutrientes para esses microrganismos. Pré e probióticos possuem o objetivo de equilibrar a microbiota intestinal, fortalecendo o conceito de eubiose intestinal. Considerando os conceitos mencionados acima, surgiram os produtos simbióticos, que possuem probióticos e prebióticos em sua composição, havendo assim uma ação sinérgica entre eles e, por isso, uma ação mais eficiente no intestino.

Os produtos fitogênicos, extratos e óleos essenciais, oferecem mais do que apenas propriedades aromatizantes. Apesar de diferentes definições, possuem uma certa similaridade em seu modo de ação, no que diz respeito a ação antimicrobiana e, quando adicionados à ração das aves, fornecem substâncias bioativas que podem ter efeito antioxidante, antimicrobiano, anti-inflamatório, antisséptica, imunomodulador, entre outros. Atualmente, são muitas as opções disponíveis comercialmente, sendo que boa parte delas apresentam combinações de diferentes óleos ou extratos, potencializando assim os efeitos sobre a qualidade intestinal e, consequentemente, na conversão alimentar.

Outros produtos amplamente utilizados na avicultura são os ácidos orgânicos, seja de forma única ou combinada (blends). Dependendo do tipo e concentração do ácido utilizado, esse pode ter o seu efeito na ração reduzindo a carga microbiana e agindo de forma preventiva (ex.: ácido fórmico para redução de Salmonella), ou pode agir diretamente no trato gastrointestinal, através da redução do pH da célula bacteriana ou pelo fornecimento de energia para as células.

Seja qual for a escolha do programa alternativo ao uso de antibióticos, essa deve ser orientada pelo bom senso, considerando os desafios a campo, a realidade de cada granja, qualidade e custo por inclusão, sempre se atentando às particularidades de cada produto, assim como o direcionamento e modo de ação de cada um deles. Sendo assim, existe uma gama de possibilidades de produtos e combinações que refletirão diretamente no custo e na produtividade avícola.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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