Geração agPastto – Uma reflexão sobre pastagens: manejou, produziu, ganhou! – Parte 1

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Falar em produção a pasto, no período das águas, com chuva e temperatura favoráveis, com capim de qualidade e, nosso pau para toda obra, o boi Nelore, pode parecer uma tarefa fácil, não é mesmo? Afinal, basta manejar, que produz e o boi ganha.

Pois bem, na prática não é bem assim!

O grande desafio quando falamos em produção animal a pasto é que, o produto final “carne”, será obtido por uma série de interações da tríade: solo, planta e animal. Cada um destes fatores irá apresentar um nível diferente de resposta aos estímulos ambientais e podem interagir entre si, afetando sua própria resposta e/ou dos demais.

Normalmente, na maior parte do Brasil central, de outubro/novembro até meados de março (período das águas), as características climáticas se tornam favoráveis a produção animal, sendo que, o aumento do volume de chuva, da temperatura e da luminosidade, proporcionam o aumento da taxa de crescimento das plantas forrageiras e, via de regra, fazem com que os animais se tornem mais produtivos.

Apesar do momento favorável do ano, é importante lembrarmos que estamos falando de um ecossistema extremamente complexo, e que este só será otimizado se ações de manejo adequadas forem adotadas.

Para falar em manejo da pastagem e discutir com propriedade o assunto, é preciso ter em mente que, primeiro de tudo, devemos conhecer muito bem a espécie forrageira em questão, saber sua exigência nutricional, características estruturais e resistência ao pastejo.

Feito isso, a próxima etapa é definir qual o melhor método de lotação trabalhar, contínuo ou rotacionado, e para isso, devemos considerar não somente as características produtivas da planta, mas também a estrutura e mão de obra disponíveis na fazenda.

Por fim, existem dois recursos que podem e devem e ser utilizados com o objetivo de aumentar a produção forrageira e animal, a adubação e a suplementação. Neste caso cuidado! Ambas devem ser utilizadas com critério e sabedoria afim de aumentar a produção de arrobas por hectare.

Manejo do pastejo: contínuo e rotacionado

Quando pensamos nas duas opções mais comuns de manejo do pastejo (contínuo e rotacionado), vemos que, no campo, essas são relacionadas de forma errada à produção extensiva e intensiva. O sentimento do senso comum é que, ao rotacionar os animais entre os pastos, os ganhos de peso obtidos serão maiores do que mantê-los fixos na mesma área, o que não é verdade.

Do ponto de vista prático, esse equívoco surge, ao vermos fazendas mais produtivas fazendo o uso do sistema rotacionado e fazendas degradadas e/ou pouco produtivas utilizando o manejo contínuo, criando assim esse “achismo” popular.

Para desmistificar esse pensamento, precisamos ter em mente que, manejar bem os pastos, em sua essência, está primeiramente relacionado à eficiência de colheita de forragem, e que, o desempenho animal e/ou por área será uma consequência da boa colheita. Sendo assim, se bem manejada, uma área com lotação contínua pode trazer ganhos melhores do que uma área rotacionada mal manejada e vice-versa, tudo dependerá do tipo da forragem produzida e consumida pelo animal.

Pelo lado agronômico, o manejo do pasto deve respeitar a dinâmica de crescimento da forragem, na qual, a produção ocorrerá ao longo do tempo, em função do acúmulo de massa, tanto pelo aumento, como pela mudança das partes que a compõem a planta (folhas, colmo e material senescente). Esta dinâmica produtiva ditará as características da forragem produzida e a estrutura do pasto ofertado ao animal.

Sendo a meta do manejo da pastagem buscar pela maior eficiência de pastejo, o ponto ótimo de colheita se daria na faixa de máximo acúmulo de folhas verdes, visto que, colmos, além de – normalmente – não serem consumidos pelos animais, são componentes que pioram a estrutura do pasto, reduzindo a eficiência de pastejo por dificultar a formação do bocado do animal e/ou por tombarem mais facilmente.

Lotação contínua:

A lotação contínua nada mais é que formar um lote de animais e colocá-los em uma área com ocupação permanente ao longo do tempo.

Vencido o desafio do ajuste de lotação, o gargalo desse tipo de manejo é controlar altura e estrutura do pasto, uma vez que, a velocidade de crescimento e acúmulo de forragem mudarão ao longo do tempo enquanto a lotação permanece fixa.

Falar em lotação contínua pode parecer simples, porém, pode assumir grande complexidade com o passar do tempo visto a tendência de perda do controle da estrutura do pasto. Nesse quesito, cabe destacar que: as braquiárias são as espécies que melhor se adequam a esse manejo.

Sob a perspectiva da produção vegetal, as plantas forrageiras apresentam certa plasticidade em relação ao crescimento e acúmulo de matéria seca, refletindo uma faixa de manejo para a “altura alvo”. Tal fato, permite ao produtor optar por manejar os pastos mais baixos, com lotação maior; ou mais altos, com lotação menor, dependendo do objetivo e estratégias propostas para a fazenda.

Do ponto de vista da produção animal, existe efeito direto da altura de manejo adotada sobre as características produtivas. Nesse quesito, a tomada de decisão deve levar em consideração a produtividade, na qual a conversa sobre ganho por animal ou por área deve entrar em pauta. Tal avaliação, deve contemplar ainda a disponibilidade de recursos externos como adubação e suplementação, para serem utilizados na fazenda.

Avaliando os efeitos das alturas, temos que, com a lotação mais baixa, ou seja, pasto manejados mais alto, o ganho de peso obtido por indivíduo será maior que na lotação mais alta (pasto baixo). O desempenho superior por animal, nesse caso, se dá pelo maior consumo de matéria seca de forragem oriundo da melhor oferta de capim. O risco, nesse tipo de manejo, é o capim “passar” muito e comprometer a colheita e desempenho do animal.

Por outro lado, ao optar por trabalhar com a lotação mais alta, apesar de ofertarmos ao animal uma forragem de melhor valor nutritivo, com maior valor proteico e menor quantidade de fibra (pasto baixo = folhas jovens e brotos), o ganho de peso individual é comprometido pelo baixo consumo de forragem pelo animal, dada a maior competição entre indivíduos. Nesse caso, o benefício do aumento da lotação ocorre pelo aumento da produção por área, visto o aumento do número de animais. Essa estratégia pode ser muito bem utilizada em conjunto com algumas estratégias de suplementação, mas esse é um assunto que iremos abordaremos mais à frente.

Visto então as diferenças obtidas com a lotação aplicada e as particularidades da lotação contínua, cabe ao produtor e/ou técnico responsável, buscar pelo equilíbrio entre colheita da forragem, desempenho por animal e por área. Para isso, na busca pelo melhor controle da estrutura do pasto, existe a opção de se trabalhar com a lotação variável, colocando ou retirando animais na área. Apesar desta ser uma estratégia muito interessante, do ponto de vista teórico, do ponto de vista prático, em alguns momentos, ela pode acabar se tornando de difícil execução.

Lotação rotativa:

Na lotação rotativa, ou rotacionada, a área de pastejo é subdividida em piquetes menores, nos quais os animais ocupam cada um deles por um período determinado, enquanto as demais áreas “descansam”, acumulando forragem. A vantagem da lotação rotativa, frente à contínua, seria o maior controle da estrutura do pasto, visto que, nessa estratégia de manejo, controla-se o momento de entrada e saída dos animais no piquete.

Via de regra, o ponto máximo de entrada na área, acontece quando a interceptação da luz solar pelas plantas é de 95%, sendo a aplicabilidade desse conceito viabilizada pela sua correlação positiva com a altura do pasto. Ou seja, a partir de determinada a altura temos o ponto ótimo de acúmulo de forragem no piquete, sendo este o momento ótimo para a entrada (luz verde) dos animais na área.

Da mesma forma que a lotação contínua, passar do momento de entrar com os animais na área, irá refletirá perda da qualidade e estrutura do pasto, comprometendo o consumo de forragem pelo animal, devido à dificuldade de formação do bocado. Nesse caso, também ocorrerá aumento das perdas de pastejo pelo maior acamamento do pasto.

Pensando que a planta precisa ter um resíduo mínimo de folhas para se reestabelecer, a altura de saída (luz vermelha) dos animais da área deve respeitar a biologia da planta, sendo esta normalmente 40 a 60% da altura inicial de entrada. Quanto mais baixo for a altura de saída, menor será o desempenho dos animais. Isso porque, ao adotar uma altura de resíduo mais baixa, forçamos o animal a consumir porções inferiores da planta, as quais apresentam menor valor nutritivo.

Ainda pensando na altura de resíduo, se pensarmos no mesmo tempo de permanência, a lotação trabalhada refletirá em diferentes alturas, em que, quanto maior a lotação, menor a altura do resíduo. Da mesma forma, o ganho de peso individual será menor, porém, nesse caso, colhe-se o benefício do aumento de produção por área.

Apesar de proporcionar maior controle da estrutura do pasto, o ajuste do tempo de permanência dos animais na área carece de muita atenção, uma vez que prezar pela “altura ótima” de entrada e de saída torna-se um desafio, se pensarmos que a taxa de crescimento e acúmulo de forragem nos piquetes pode variar entre nas áreas, de acordo com condições climáticas e características do solo, resultando em diferenças no tempo para alcançar as “alturas alvo”, complicando o manejo de entrada e saída dos animais. Na prática, o desafio é conciliar a saída de um piquete com a entrada no próximo.

Hoje já existem estudos que apontam alturas de manejo de entrada e saída para as diferentes espécies forrageiras encontradas no campo.

Existem ainda propriedades que optam em trabalhar no rodízio dos animais na área com dias de ocupação e descanso fixos, sendo essa prática mais fácil de ser implementada na fazenda. No entanto, apesar da facilidade de implementação, o manejo do pastejo feito dessa forma não permite um controle tão preciso sobre as alturas da planta, sendo assim, nem a produção forrageira, nem a colheita de forragem, estariam otimizadas, negligenciando a característica da lotação rotativa.

Adubação e suplementação: ferramentas que se completam no aumento de produção animal a pasto

Agora que você já sabe os conceitos básicos do manejo do pastejo, no próximo texto, abordaremos como utilizar a adubação e a suplementação, no intuito de alavancar a produção a pasto a partir da otimização do ganho por animal e por área.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

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