Influência do diâmetro do pelete no desempenho de leitões na fase de creche

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Peletes: as dietas peletizadas e suas diferenças em relação a dietas fareladas

Já se sabe que a peletização de rações de suínos tem um efeito positivo nos indicadores de desempenho, como o ganho de peso e a taxa de conversão alimentar. Esses benefícios são atingidos pela melhora da digestibilidade devido ao tratamento térmico; melhora de palatabilidade da ração; alteração da forma física facilitando a ingestão, melhora da qualidade de mistura. Além disso, é possível aumentar a densidade da ração reduzindo espaços de armazenamento e custos de transporte e melhorar o fluxo da ração nas linhas de automação.

Os estudos que trataram de avaliar as diferenças em relação ao desempenho de animais alimentados com dietas peletizadas em relação a animais alimentados com dietas fareladas, concordam que o processamento das dietas é eficiente em maximizar o desempenho de leitões em fase de creche. Foi verificada melhor conversão alimentar e melhor ganho de peso diário quando a ração de leitões em creche foi peletizada (2,5mm), em comparação à dieta farelada, evidenciando o efeito benéfico proporcionado pelo processamento. Além disso, o processamento permitiu a melhora do coeficiente de digestibilidade da energia bruta em 3,6%. A conversão alimentar das dietas peletizadas melhorou em média 25,5% se comparada às dietas fareladas, sendo recomendado o processamento pelos autores (Medel et al., 2004).

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É sabido que para se atingir esses benefícios é necessário que se produza peletes de alta qualidade, com PDI ( índice de durabilidade dos peletes) entre 90 e 95% de maneira a reduzir a presença de finos e evitar a dureza excessiva que possa prejudicar a mastigação e reduzir o consumo de ração. Além disso, convencionou-se no mercado de nutrição animal sobre a necessidade de se trabalhar com micropeletes na fase de creche, ou seja, peletes com diâmetro inferior à 3 milímetros. Mas será que essa prática realmente pode trazer benefícios e melhorar o desempenho zootécnico do leitão?

Diante deste cenário o objetivo com este estudo foi revisar os trabalhos que versaram sobre os efeitos da variação do diâmetro dos peletes sobre o consumo médio diário (CMD), ganho de peso diário (GPD) e conversão alimentar (CA) de leitões em creche.

O efeito do uso de peletes de diferentes diâmetros pouco tem sido estudado e desde a década de 90 os resultados sugerem que o uso de peletes de até 4 a 5mm podem ser empregados sem prejuízos ao desempenho de leitões, segundo o Swine Nutrition (Hancock e Behnke, 2001). Na tabela 1 estão sumarizados os resultados que compararam diferentes diâmetros de pelete sobre o desempenho de leitões em creche.

Houve ausência de diferenças significativas para as variáveis de desempenho (CMD, GPD e CA) nos períodos de 10 a 28, 28 a 35 e de 35 a 56 dias, de animais alimentados na maternidade com peletes de 1,8mm e 5,0mm e no pós desmane com peletes de 1,8mm, 2,4mm e 5,0mm, o que sugere uma rápida adaptação dos leitões à dieta que lhes é apresentada (Edge et al., 2005).

Ao avaliar peletes de 2,2mm em comparação a peletes de 4,0mm verificou-se ausência de diferenças significativas para os parâmetros de desempenho produtivo (CMD, GPD e CA) em períodos acumulados (21 a 71 dias de vida). Além disso, estes tamanhos de peletes contribuíram para que o custo por Kg de animal produzido fosse rigorosamente idêntico, atingindo uma cifra de R$1,935 para ambos os tamanhos de pelete. Ainda, o presente estudo propõe que o comportamento ingestivo de animais alimentados com peletes de 4mm foi satisfatório, em função de um adequado índice de dureza de pelete e facilidade de apreensão do alimento (Silva Neta, 2015).

O tamanho do pelete não teve efeito sobre os parâmetros de desempenho (CMD, GPD e CA) de leitões dos 21 aos 39 dias de vida alimentados com peletes de 2,5mm ou 4,75mm. Sem maiores interferências sobre a digestibilidade ou aceitabilidade pelos leitões (Mazutti et al., 2017).

Pode-se verificar que a alteração do diâmetro dos peletes para até 5,0mm oferecidos a leitões desde 10 dias de idade até a saída de creche, não altera o desempenho produtivo dos mesmos. Sendo assim, devemos direcionar a atenção para a qualidade da dieta e do processo de peletização  das rações.

Tabela 1. Compilado de resultados do desempenho acumulado de leitões alimentados com dietas peletizadas.

Autores Ano Diâmetro do Pelete Fase Peso Final CMD GPD CA Observação
Edge et al. 2005 1,8 mm 28-35 9,570 0,270 0,290 0,930 Não houve diferença significativa (P>0,05)
35-56 16,850 0,660 0,520 1,269
2,4 mm 28-35 9,690 0,270 0,310 0,870
35-56 19,070 0,670 0,510 1,314
5,0 mm 28-35 9,740 0,270 0,300 0,900
35-56 16,880 0,650 0,510 1,275
Silva Neta 2015 2,2 mm 23-37 10,26 0,265 0,258 1,02 Não houve diferença significativa (P>0,05)
23-51 17,88 0,462 0,401 1,15
23-71 34,03 0,798 0,570 1,40
4,0 mm 23-37 10,46 0,278 0,272 1,02
23-51 18,31 0,493 0,416 1,19
23-71 34,04 0,829 0,570 1,45
Mazutti et al. 2017 2,5 mm 21-39 12,36 0,336 0,287 1,320 Não houve diferença significativa (P>0,05)
4,75 mm 21-39 12,18 0,358 0,277 1,410

 

Co-autor: Felipe Norberto Alves Ferreira – Consultor de Serviços Técnicos da Agroceres Multimix

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

 Referências

Edge, H.L., Dalby, J.A., Rowlinson P., Varley, M.A. The effect of pellet diameter on the performance of young pigs. Livestock Production Science, v.97, p.203-209, 2005.

Hancock, J. D., Behnke, K. C. Use of Ingredient and diet processing technologies (Grinding, Mixing, Pelleting and Extruding) to produce quality feeds for Pigs. In: LEWIS, A.J.; SOUTHERN, L.L. Swine Nutrition. Florida, USA. CRC Press, 2ª ed. 2001.

Mazutti, K., Krabbe, E.L., Surek, D., Maiorka, A. Effects of processing and the physical form of diets on digestibility and the performance of nursery piglets. Semina: Ciências Agrárias, v.38, p.1575-1586, 2017.

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